{"id":29145,"date":"2022-10-17T10:54:11","date_gmt":"2022-10-17T13:54:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=29145"},"modified":"2022-10-17T10:54:11","modified_gmt":"2022-10-17T13:54:11","slug":"4-500-profissionais-da-saude-publica-e-privada-morreram-no-auge-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/10\/17\/4-500-profissionais-da-saude-publica-e-privada-morreram-no-auge-da-pandemia\/","title":{"rendered":"4.500 profissionais da sa\u00fade p\u00fablica e privada morreram no auge da pandemia"},"content":{"rendered":"<p><strong>80% dos mortos eram mulheres; dois ter\u00e7os dos profissionais de sa\u00fade que morreram durante a pandemia provavelmente n\u00e3o tinham nem EPIS, nem contrato formal de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Do total de 4500 profissionais da sa\u00fade p\u00fablica e privada que morreram no Brasil no auge da pandemia da covid-19, entre mar\u00e7o de 2020 a dezembro de 2021, a cada 10, oito eram mulheres (80%). As mortes ocorreram especialmente nos meses em que faltaram equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs) para esses trabalhadores.<\/p>\n<p>As mortes entre os profissionais brasileiros de sa\u00fade se avolumaram mais rapidamente do que o observado na popula\u00e7\u00e3o geral, e o impacto da doen\u00e7a foi maior nas ocupa\u00e7\u00f5es com menores sal\u00e1rios e mais pr\u00f3ximas \u00e0 linha de frente: auxiliares e t\u00e9cnicos de enfermagem morreram proporcionalmente mais do que enfermeiros, e estes, proporcionalmente, mais do que os m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (13), do est\u00fadio de intelig\u00eancia de dados Lagom Data, foi feito especialmente para a Internacional de Servi\u00e7os P\u00fablicos (PSI, Public Services International, da sigla em ingl\u00eas), pelo est\u00fadio de intelig\u00eancia de dados Lagom Data, que cruzou dados de fontes oficiais brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cApesar de os dados serem incompletos, \u00e9 poss\u00edvel ver por meio deles o quanto os profissionais da sa\u00fade foram atingidos no come\u00e7o da pandemia por estarem mais expostos\u201d, comenta o jornalista de dados Marcelo Soares, respons\u00e1vel pela an\u00e1lise. \u201cCom a prioridade dada a eles na vacina\u00e7\u00e3o, os dados tamb\u00e9m mostram como vacinar mais cedo derrubou as mortes antes do resto da popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>T\u00e9cnicos e auxiliares os que mais morreram<\/strong><\/p>\n<p>Quanto mais pr\u00f3ximos aos pacientes esses profissionais trabalhavam, mais morriam: 70% dos mortos trabalhavam como t\u00e9cnicos e auxiliares de enfermagem; em seguida vieram os enfermeiros (25%) e por \u00faltimo os m\u00e9dicos (5%).<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, foram 1.184 enfermeiros mortos, o que pode ter impactado diretamente o atendimento de 21.300 pacientes. Pelas regras do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), cada enfermeiro atende at\u00e9 18 pacientes e cada t\u00e9cnico\/auxiliar de enfermagem, nove doentes. Em Manaus, capital do Amazonas, cada enfermeiro atendeu 40 pacientes com o aux\u00edlio de dois t\u00e9cnicos\/auxiliares<\/p>\n<p><strong>Trag\u00e9dia foi maior entre os sem contrato formal de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Dois ter\u00e7os dos profissionais de sa\u00fade que morreram durante a pandemia provavelmente n\u00e3o tinham contrato formal de trabalho, segundo cruzamento entre os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e informa\u00e7\u00f5es sobre desligamentos por morte no Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).<\/p>\n<p>Tanto nos dados oficiais de emprego formal quanto nos registros dos conselhos profissionais, m\u00e9dicos, enfermeiros e t\u00e9cnicos de enfermagem representavam 61%, 20% e 18% dos profissionais empregados \u2013 o que ilustra as desigualdades de exposi\u00e7\u00e3o ao risco dentro das especialidades da \u00e1rea da sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Categoria foi a que mais morreu proporcionalmente<\/strong><\/p>\n<p>Ainda segundo a pesquisa, nos primeiros meses da pandemia, a curva do excesso de desligamentos por morte entre os profissionais da sa\u00fade era mais elevada do que a da totalidade das ocupa\u00e7\u00f5es no Brasil. Ou seja, os profissionais da sa\u00fade morriam proporcionalmente mais.<\/p>\n<p>Em maio de 2020, as mortes excedentes chegaram ao dobro da m\u00e9dia anterior. Da mesma forma, quando finalmente o Brasil avan\u00e7ou na vacina\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria dos profissionais de sa\u00fade, a mortalidade entre eles caiu mais r\u00e1pido do que na popula\u00e7\u00e3o em geral, que demorou mais meses para ser vacinada.<\/p>\n<p><strong>Entidade critica gest\u00e3o Bolsonaro na pandemia<\/strong><\/p>\n<p>Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse zelo ou empenho governamental, segundo a an\u00e1lise da ISP.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2021, com uma conflu\u00eancia de fatores que iam da press\u00e3o pela volta precoce das atividades presenciais \u00e0 lentid\u00e3o do governo em avan\u00e7ar com a vacina\u00e7\u00e3o, as mortes de Covid explodiram no Brasil inteiro. Os profissionais da sa\u00fade sentiram esse impacto tamb\u00e9m, embora por menos tempo: o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria abreviou no setor o pior pico prolongado de mortes que j\u00e1 se viu no Brasil durante o per\u00edodo pand\u00eamico.<\/p>\n<p>\u201cFaltaram equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, oxig\u00eanio, vacinas, medicamentos, sobraram mensagens falsas e desaforadas do governo sobre a Covid-19, chocando o mundo. E at\u00e9 hoje os profissionais da linha de frente seguem desvalorizados no Brasil\u201d, afirma Rosa Pavanelli, secret\u00e1ria-geral da ISP, que tem sua sede mundial em Genebra, e integra a Comiss\u00e3o de Alto N\u00edvel do Secret\u00e1rio-Geral da ONU sobre Emprego em Sa\u00fade e Crescimento Econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><strong>A pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa faz parte de uma campanha documental da ISP, que \u00a0atua com o sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas em parcerias com a sociedade civil. O ISP denunciou a situa\u00e7\u00e3o de quatro pa\u00edses nos momentos mais intensos da pandemia de Covid-19. Al\u00e9m do Zimb\u00e1bue, Paquist\u00e3o e Tun\u00edsia, o Brasil foi escolhido pela abordagem negacionista do governo Bolsonaro.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise no Brasil foi feita a partir do cruzamento de microdados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Mortalidade (SIM), do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e Registros de profissionais do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Fonte: Ag\u00eancia Bori<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>80% dos mortos eram mulheres; dois ter\u00e7os dos profissionais de sa\u00fade que morreram durante a pandemia provavelmente n\u00e3o tinham nem EPIS, nem contrato formal de trabalho Do total de 4500 profissionais da sa\u00fade p\u00fablica e privada que morreram no Brasil no auge da pandemia da covid-19, entre mar\u00e7o de 2020 a dezembro de 2021, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29146,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[648],"class_list":["post-29145","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-pandemia-coronavirus-mortes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29145"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29145\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29147,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29145\/revisions\/29147"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}