{"id":29711,"date":"2022-11-25T14:10:43","date_gmt":"2022-11-25T17:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=29711"},"modified":"2022-11-25T14:10:43","modified_gmt":"2022-11-25T17:10:43","slug":"25n-dia-de-luta-pelo-fim-da-violencia-as-mulheres-veja-a-origem-da-data-e-os-desafios-atuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/11\/25\/25n-dia-de-luta-pelo-fim-da-violencia-as-mulheres-veja-a-origem-da-data-e-os-desafios-atuais\/","title":{"rendered":"25N: Dia de luta pelo fim da viol\u00eancia \u00e0s mulheres, veja a origem da data e os desafios atuais"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Para a ativista da Marcha Mundial de Mulheres, \u00e9 preciso combinar as den\u00fancias com a cria\u00e7\u00e3o de novas rela\u00e7\u00f5es sociais<\/strong><\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Estabelecido, desde 1981, como o dia internacional de luta pelo fim da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/11\/23\/ex-vereador-gabriel-monteiro-volta-pra-prisao-por-violacao-e-assedio-sexual-no-rio-de-janeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancia contra as mulheres<\/a>, o 25 de novembro traz \u00e0 tona, neste Brasil de 2022, aspectos antag\u00f4nicos\u00a0sobre o tema.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">As estat\u00edsticas refor\u00e7am, ano a ano, a gravidade e o tamanho do problema, que atravessa geografias e classes sociais. A cada hora, no Brasil, seis meninas ou adultas s\u00e3o estupradas e 26 mulheres s\u00e3o agredidas fisicamente.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Os n\u00fameros s\u00e3o do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2022, que aponta ainda que, das 1.341 mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio no ano passado, 65,6% foram mortas dentro de casa e 62% eram negras. Al\u00e9m disso, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), uma travesti ou mulher trans \u00e9 morta no pa\u00eds a cada dois dias.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Ao mesmo tempo, conforme avalia Nalu Faria, psic\u00f3loga, feminista e ativista da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), o pa\u00eds vive um momento em que se ampliam a den\u00fancia e a consci\u00eancia acerca do assunto.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">\u201cSa\u00edmos do sil\u00eancio e isso mostrou o quanto a viol\u00eancia \u00e9 estendida em todos os espa\u00e7os da sociedade: nas nossas casas e comunidades, mas tamb\u00e9m nas empresas, na pol\u00edtica, em todos os lugares onde as mulheres buscam se colocar como sujeitos pol\u00edticos aut\u00f4nomos\u201d, descreve.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Reconhecida em todo o mundo, a luta contra a viol\u00eancia \u00e0s mulheres tem feito crescer, na vis\u00e3o de Nalu, a consci\u00eancia de que ela deve se dar para al\u00e9m dos debates sobre o que fazer com\u00a0agressores. \u201c\u00c9 importante a gente olhar, sobretudo, para como erradicar as causas da viol\u00eancia\u201d, opina.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">A integrante da MMM entende que a \u201cviol\u00eancia patriarcal\u201d \u00e9 uma dimens\u00e3o de um \u201csistema imbricado de v\u00e1rias formas de opress\u00e3o que combina o capitalismo, o racismo, o patriarcado, o colonialismo e a opress\u00e3o da sexualidade\u201d. Assim, ela n\u00e3o se manifesta s\u00f3 nos comportamentos individuais, mas nas rela\u00e7\u00f5es e na pr\u00f3pria maneira como a sociedade se estrutura.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">\u201c\u00c9 uma viol\u00eancia que se instala a partir\u00a0de uma sociedade de controle, poder e domina\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, quando tem o aumento dos controles, por exemplo, dos territ\u00f3rios &#8211; seja com as empresas transnacionais, com o extrativismo, com o agroneg\u00f3cio e tantas outras -, h\u00e1 um aumento da viol\u00eancia contra as mulheres\u201d, ilustra Faria.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Por isso, defende, \u201cnessa luta precisamos sempre combinar a den\u00fancia desse modelo de opress\u00e3o como um todo, a constitui\u00e7\u00e3o de outras rela\u00e7\u00f5es e muita\u201d &#8211; Nalu faz uma pausa para reiterar &#8211; \u201cmuita auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres\u201d.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\"><strong>Viol\u00eancia autorizada\u00a0<\/strong><\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Tendo os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/08\/veja-nove-vezes-em-que-bolsonaro-atacou-os-direitos-das-mulheres\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">arroubos mis\u00f3ginos do presidente Jair Bolsonaro<\/a>\u00a0(PL) como s\u00edntese caricata, Faria afirma que \u201cexiste um mandato patriarcal que autoriza os homens a serem violentos\u201d.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Para Adriana Mezadri, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), nos \u00faltimos quatro anos, o conservadorismo e o machismo foram legitimados institucionalmente, em um pa\u00eds cuja crise econ\u00f4mica e aumento da fome afeta, especialmente, as mulheres.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">\u201cAl\u00e9m da perda de renda, no campo vivemos a perda das pol\u00edticas p\u00fablicas. H\u00e1 uma piora nas condi\u00e7\u00f5es de soberania alimentar das fam\u00edlias e comunidades. Isso gera a diminui\u00e7\u00e3o da autonomia econ\u00f4mica das mulheres e torna a viol\u00eancia mais escancarada\u201d, diz Adriana.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">O aumento da militariza\u00e7\u00e3o e das armas de fogo legais no pa\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 citado pelas ativistas como pontos preocupantes no combate \u00e0 viol\u00eancia sexista. Dados obtidos pelo Instituto Igarap\u00e9 e Sou da Paz por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o revelam que, durante o governo Bolsonaro, o n\u00famero de armas de fogo registradas triplicou e chega atualmente a quase um milh\u00e3o.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Os principais instrumentos usados nos feminic\u00eddios, de acordo com o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2022, s\u00e3o armas brancas (50%), seguido de armas de fogo (29,2%).<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Nalu Faria, n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que o eleitorado feminino tenha sido hegemonicamente cr\u00edtico ao governo Bolsonaro e teve, portanto, um peso na sua derrota nas urnas. \u201cIsso tamb\u00e9m \u00e9 fruto da nossa\u00a0luta e de um patamar de compreens\u00e3o do que est\u00e1 em jogo para a gente ter uma vida livre de viol\u00eancia. E isso est\u00e1 conectado com ter uma vida digna\u201d, opina.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">Mezadri, do movimento de camponesas, defende que o atual desafio \u00e9 \u201cconstruir formas coletivas de combate \u00e0 viol\u00eancia\u201d: \u201cSe uma mulher \u00e9 violentada, eu tamb\u00e9m sou violentada. Ent\u00e3o como n\u00f3s, coletivamente, fazemos com que a viol\u00eancia n\u00e3o seja mais toler\u00e1vel?\u201d.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" xml:lang=\"PT-BR\"><strong>\u201cLas Mariposas\u201d: a origem do 25 de novembro\u00a0<\/strong><\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">A data foi escolhida como uma homenagem \u00e0s irm\u00e3s\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2022\/11\/17\/movimentos-cobram-solucao-para-casa-de-mulheres-mirabal-e-politicas-publicas-de-acolhimento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e1tria, Minerva e Maria Teresa Mirabal<\/a>, brutalmente assassinadas pelo regime de Rafael Trujillo, que promoveu uma sangrenta ditadura na Rep\u00fablica Dominicana entre 1930 e 1961.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">As irm\u00e3s Mirabal, que ficaram conhecidas como \u201c<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2022\/11\/22\/das-mariposas-a-marielle-um-problema-de-des-memoria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Las mariposas<\/a>\u201d,\u00a0eram militantes contra a ditadura durante a d\u00e9cada de 1950 e a grande como\u00e7\u00e3o que houve quando foram mortas, em 25 de novembro de 1960, ajudou a desestruturar o regime. Pouco depois, em 1961, Trujillo \u2013 tamb\u00e9m conhecido como \u201cel jefe\u201d e cuja fam\u00edlia chegou a ser dona de 70% das terras cultivadas do pa\u00eds &#8211; foi assassinado.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">A hist\u00f3ria das irm\u00e3s Mirabal \u00e9 retratada ou citada em diversos livros e filmes. Entre eles, o romance\u00a0<em>A festa do bode<\/em>, de Vargas Llosa e o livro\u00a0<em>No tempo das borboletas<\/em>, da jornalista Julia \u00c1lvarez. Este \u00faltimo se tornou um filme de mesmo nome, dirigido por Mariano Barroso.<\/p>\n<p xml:lang=\"PT-BR\">\u201cSe me matam, levantarei os bra\u00e7os do t\u00famulo e serei mais forte\u201d, teria dito Minerva Mirabal, sabendo dos riscos do seu engajamento no Movimento Revolucion\u00e1rio 14 de Junho. A promessa se cumpriu. Em 1981, al\u00e7ando a hist\u00f3ria das tr\u00eas ativistas a s\u00edmbolo da luta pelo fim da viol\u00eancia contra as mulheres, o 25 de novembro foi estabelecido durante o primeiro Encontro Feminista da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, realizado em Bogot\u00e1, na Col\u00f4mbia. Em 1999, a Assembleia Geral da ONU tamb\u00e9m incorporou a data internacional.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Gabriela Moncau<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a ativista da Marcha Mundial de Mulheres, \u00e9 preciso combinar as den\u00fancias com a cria\u00e7\u00e3o de novas rela\u00e7\u00f5es sociais Estabelecido, desde 1981, como o dia internacional de luta pelo fim da\u00a0viol\u00eancia contra as mulheres, o 25 de novembro traz \u00e0 tona, neste Brasil de 2022, aspectos antag\u00f4nicos\u00a0sobre o tema. 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