{"id":29746,"date":"2022-11-30T13:25:19","date_gmt":"2022-11-30T16:25:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=29746"},"modified":"2022-11-30T13:25:19","modified_gmt":"2022-11-30T16:25:19","slug":"artigo-a-crianca-no-contexto-da-cultura-de-violencia-e-o-fetiche-por-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/11\/30\/artigo-a-crianca-no-contexto-da-cultura-de-violencia-e-o-fetiche-por-armas\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A crian\u00e7a no contexto da cultura de viol\u00eancia e o fetiche por armas"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-29748 alignright\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-9.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-9.jpg 224w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/3-9-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/>Algu\u00e9m aqui j\u00e1 teve a experi\u00eancia de aventar alguma cr\u00edtica sobre a quest\u00e3o das armas, mesmo que n\u00e3o fazendo rela\u00e7\u00e3o com crian\u00e7as, e notou uma rea\u00e7\u00e3o bastante contrariada do outro?<\/strong> Seria essa uma rea\u00e7\u00e3o que indicaria uma paix\u00e3o atacada? Esse frisson (mesmo uma \u201ctara\u201d) pela quest\u00e3o das armas que tomou conta de uma parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira potencializaria a cultura da viol\u00eancia? Essas s\u00e3o quest\u00f5es importantes a serem analisadas considerando os conhecimentos j\u00e1 produzidos ainda que o outro, na sua contrariedade, diga que \u201cjamais\u201d as armas possam trazer algum preju\u00edzo ao desenvolvimento da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Entre a m\u00e1xima de Harold Garfinkel, de que o outro n\u00e3o \u00e9 um idiota social e a cr\u00edtica de Umberto Eco, de que a internet promoveu o idiota da aldeia \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de portador da verdade, podemos dizer que \u00e9 importante cultivar a humildade, reconhecer os saberes do senso comum e das tradi\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m respeitar as ci\u00eancias e todos aqueles que se dedicam ao conhecimento cient\u00edfico. Neste sentido, a literatura \u00e9 farta em evid\u00eancias no que diz respeito aos impactos negativos, sobretudo para as crian\u00e7as que est\u00e3o inseridas em contextos de desenvolvimento associados a cultura da viol\u00eancia. N\u00e3o se pode tratar essa quest\u00e3o pelos achismos e muito menos pela via dos fetiches.<\/p>\n<p>Em texto anteriormente publicado (\u201cQuando a brincadeira se confunde com a realidade\u201d), abordei a quest\u00e3o da apologia \u00e0s armas e suas consequ\u00eancias no recrudescimento de uma cultura da viol\u00eancia. A socializa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em contexto de desenvolvimento marcada pela cultura da viol\u00eancia \u00e9 projetada para modelos que naturalizam certos valores e atitudes, podendo trazer variados preju\u00edzos. Estes podem se manifestar via processos traum\u00e1ticos, mecanismos de defesa como insensibiliza\u00e7\u00e3o ou mesmo uma introje\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o caso da crian\u00e7a que, reiteradamente, expressa querer matar o outro como forma de lidar com os conflitos ou insatisfa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda que as escolas de tiros possam ser \u201cescolas\u201d que exer\u00e7am algum tipo de controle social, no sentido de formar pessoas a lidarem com as armas, e que a posse e o porte de armas para a popula\u00e7\u00e3o civil, em certas situa\u00e7\u00f5es, tenham justificativas plaus\u00edveis, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o cient\u00edfica para as pol\u00edticas armamentistas se sustentarem numa esp\u00e9cie de fetiche por armas, onde a experi\u00eancia \u00e9 atravessada pela sensa\u00e7\u00e3o de poder, adora\u00e7\u00e3o e uma suposta n\u00e3o consequ\u00eancia dos atos.<\/p>\n<p>A libera\u00e7\u00e3o descontrolada de concess\u00e3o de certificados de registros para colecionadores, atiradores e ca\u00e7adores (CACs), a exibi\u00e7\u00e3o de armamentos, inclusive \u201cpesados\u201d em espa\u00e7os p\u00fablicos ou postados nas redes sociais digitais, o tr\u00e1fico de armas pelos pr\u00f3prios CACs, o aumento no registro de mortes ocasionadas por armas de fogo (segundo o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, se n\u00e3o houvesse o aumento de armas de fogo em circula\u00e7\u00e3o a partir de 2019, teria havido 6.379 homic\u00eddios a menos no Brasil, incluindo a\u00ed centenas de crian\u00e7as) e mesmo a rela\u00e7\u00e3o de naturaliza\u00e7\u00e3o da arma como s\u00edmbolo de poder no conv\u00edvio direto com as crian\u00e7as, s\u00e3o alguns exemplos a indicar que h\u00e1 um contexto de viol\u00eancia atravessado pelo fetiche \u00e0s armas. \u00c9 certo que h\u00e1 tamb\u00e9m os interesses econ\u00f4micos (e muita gente ganhando dinheiro com isso), mas o atravessamento do fetiche n\u00e3o os excluiu.<\/p>\n<p>O que jamais se deveria permitir \u00e9 que pol\u00edticas armamentistas e seus fetiches se expandam da forma como se tem visto no pa\u00eds. Isso sim, jamais deveria acontecer.<\/p>\n<p>Marcelo Silva de Souza Ribeiro \u00e9 professor do Colegiado de Psicologia da Univasf (Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco)<\/p>\n<p>www.bancariosbahia.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m aqui j\u00e1 teve a experi\u00eancia de aventar alguma cr\u00edtica sobre a quest\u00e3o das armas, mesmo que n\u00e3o fazendo rela\u00e7\u00e3o com crian\u00e7as, e notou uma rea\u00e7\u00e3o bastante contrariada do outro? Seria essa uma rea\u00e7\u00e3o que indicaria uma paix\u00e3o atacada? 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