{"id":30509,"date":"2023-01-25T17:42:27","date_gmt":"2023-01-25T20:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=30509"},"modified":"2023-01-25T17:42:27","modified_gmt":"2023-01-25T20:42:27","slug":"opiniao-trabalho-autonomia-e-equidade-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/01\/25\/opiniao-trabalho-autonomia-e-equidade-de-genero\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o &#8211; Trabalho, autonomia e equidade de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p><strong>Neste ano, entre os temas priorit\u00e1rios das pol\u00edticas de g\u00eanero est\u00e1 a autonomia econ\u00f4mica e social das mulheres no mundo do trabalho. O debate n\u00e3o poderia acontecer num momento mais oportuno, com Luiz In\u00e1cio Lula da Silva de volta \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/strong><\/p>\n<p>A jornada das mulheres para conquistarem seu espa\u00e7o no mercado de trabalho n\u00e3o tem sido f\u00e1cil. Ainda hoje, com diversos direitos conquistados, ficam evidentes as desigualdades culturais em algumas empresas.<\/p>\n<p>Empoderar econ\u00f4mica e socialmente as mulheres abre uma possibilidade real de reverter o cen\u00e1rio vivido nos \u00faltimos quatro anos. Estima-se que, ao superar as lacunas de g\u00eanero no mercado de trabalho, \u00e9 poss\u00edvel aumentar o PIB. Mesmo com avan\u00e7os, as falhas persistem em todos os extratos sociais.<\/p>\n<h2>Caminhos diferentes, mesma desigualdade<\/h2>\n<p>As mulheres se deparam com tr\u00eas realidades diferenciadas no mercado de trabalho. Primeiro, nos chamados \u201cpisos escorregadios\u201d, est\u00e3o as mulheres mais pobres e confinadas em setores de baixa produtividade e alta precariedade, com escassas possibilidades de progresso.<\/p>\n<p>Em outro extremo, est\u00e3o as mulheres que desenvolveram suas capacidades e contam com recursos para ascender a trabalhos com melhor qualidade. Entretanto, elas se chocam contra os \u201ctetos de vidro\u201d que limitam o seu crescimento e bloqueiam seu acesso \u00e0 tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p>No meio desses extremos, nos \u201cdegraus quebrados\u201d, est\u00e3o as mulheres negras que, independentemente do n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o laboral, n\u00e3o contam com a cobertura ou acesso pleno \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social, incluindo o cuidado. Permanecem altamente vulner\u00e1veis \u00e0 volatilidade do ambiente econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>A desigualdade se escancara e \u00e9 contundente na remunera\u00e7\u00e3o: os homens ganham mais que as mulheres. Sendo que elas realizam entre tr\u00eas e cinco vezes mais o trabalho dom\u00e9stico e de cuidado com a fam\u00edlia, sem remunera\u00e7\u00e3o. E um ter\u00e7o delas n\u00e3o t\u00eam renda pr\u00f3pria.<\/p>\n<h2>Nossos desafios<\/h2>\n<p>Para fazer frente a isso, os desafios s\u00e3o enormes. S\u00e3o indispens\u00e1veis leis que disponham, entre outras quest\u00f5es, sobre remunera\u00e7\u00e3o igual para trabalho de igual valor; n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o por raz\u00e3o de sexo na contrata\u00e7\u00e3o e proibi\u00e7\u00e3o de ass\u00e9dio moral e sexual no local de trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 importante refletirmos sobre tr\u00eas temas fundamentais quando falamos em enfrentar desafios e avan\u00e7ar na autonomia econ\u00f4mica e social e no empoderamento feminino:<\/p>\n<p><strong>1- Aumentar o n\u00famero de mulheres em carreiras de Exatas e Ci\u00eancia e Tecnologia<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, representamos apenas 26% dos profissionais atuantes nesses setores. O dado \u00e9 de 2021 e o levantamento foi realizado pelo International Development Research Centre (Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento Internacional);<\/p>\n<p><strong>2- Maternidade<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o IBGE, apenas 54,6% das mulheres com filhos pequenos estavam empregadas em 2021\/2022, contra 89,2% de homens na mesma situa\u00e7\u00e3o. Muitas profissionais acabam abrindo m\u00e3o de seus empregos para se dedicar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos filhos e ainda sofrem discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero quando querem retomar ao mercado de trabalho, tanto em processos seletivos como no dia-a-dia das empresas;<\/p>\n<p><strong>3- Implementar pol\u00edticas para equidade e igualdade nas remunera\u00e7\u00f5es, tanto de funcion\u00e1rias quanto de fornecedoras PJs<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, a remunera\u00e7\u00e3o da mulher corresponde a 80% \u00e0 do homem, para desempenhar as mesmas fun\u00e7\u00f5es, segundo o IBGE. Os dados se referem a trabalhadores com o mesmo perfil de escolaridade e idade, e na mesma categoria de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O quadro piora quando olhamos o recorte racial: segundo estudo da Associa\u00e7\u00e3o Pacto de Promo\u00e7\u00e3o da Equidade Racial, a partir da an\u00e1lise da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), o trabalho da mulher negra representa menos da metade dos ganhos dos homens brancos. O rendimento m\u00e9dio do trabalho, em 2022, foi de R$ 3.574 entre os homens brancos mais pobres, enquanto as mulheres negras n\u00e3o receberam mais do que R$ 1.771.<\/p>\n<p>Infelizmente, em 2021, foi vetado o Projeto de Lei n\u00b0 130\/2011, que prev\u00ea multa para empresas que pagarem sal\u00e1rios diferentes para homens e mulheres que exer\u00e7am a mesma fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Mulheres e homens da CTB unidos<\/h2>\n<p>Nossas expectativas s\u00e3o altas com o novo governo de Lula. N\u00e3o podemos reativar nossas economias de forma duradoura, se a metade da sua for\u00e7a produtiva e criativa permanecer em empregos mal pagos e de baixa qualidade, sem acesso \u00e0 tomada de decis\u00f5es e assumindo a carga do trabalho e cuidado familiar sem remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de mudar essa triste equa\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente construirmos uma economia mais justa e sustent\u00e1vel, garantindo igualdade entre homens e mulheres, beneficiando a sociedade em seu conjunto.<\/p>\n<p>N\u00f3s, mulheres e homens da CTB, compartilhamos a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o podemos falar em liberta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora sem a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres, cis e trans, n\u00e3o brancas e perif\u00e9ricas, negros e outros segmentos oprimidos e discriminados da nossa sociedade. Tampouco, ser\u00e1 aberto o caminho para uma na\u00e7\u00e3o justa, fraterna e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Seguimos em luta, na defesa da democracia. Juntas somos mais fortes!<\/p>\n<p>www.ctb.org.br\/Flora Lassance \u00e9 dirigente metal\u00fargica e secret\u00e1ria da Mulher da CTB Bahia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, entre os temas priorit\u00e1rios das pol\u00edticas de g\u00eanero est\u00e1 a autonomia econ\u00f4mica e social das mulheres no mundo do trabalho. O debate n\u00e3o poderia acontecer num momento mais oportuno, com Luiz In\u00e1cio Lula da Silva de volta \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. 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