{"id":31063,"date":"2023-03-13T19:39:05","date_gmt":"2023-03-13T22:39:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=31063"},"modified":"2023-03-13T19:39:05","modified_gmt":"2023-03-13T22:39:05","slug":"sem-agua-comida-e-banheiro-56-trabalhadores-sao-resgatados-em-plantacao-de-arroz-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/03\/13\/sem-agua-comida-e-banheiro-56-trabalhadores-sao-resgatados-em-plantacao-de-arroz-no-rs\/","title":{"rendered":"Sem \u00e1gua, comida e banheiro: 56 trabalhadores s\u00e3o resgatados em planta\u00e7\u00e3o de arroz no RS"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>&#8220;Fico triste por flagrar futuros sendo comprometidos&#8221;, diz Vitor Ferreira, auditor que participou do resgate<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a o \u00e1udio:<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-31063-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/13-03-23-MAIS-RESGATADOS-CAROLINE-OLIVEIRA.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/13-03-23-MAIS-RESGATADOS-CAROLINE-OLIVEIRA.mp3\">https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/13-03-23-MAIS-RESGATADOS-CAROLINE-OLIVEIRA.mp3<\/a><\/audio>\n<p>Pelo menos 56 trabalhadores foram resgatados em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o em duas propriedades de cultivo de arroz em Uruguaiana, a 630 quil\u00f4metros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O resgate foi feito pela Pol\u00edcia Federal em conjunto com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e a Ger\u00eancia Regional do Trabalho, nesta sexta-feira (10), nas est\u00e2ncias Santa Adelaide e S\u00e3o Joaquim.<\/p>\n<p>\u201cO que mais ofende, inclusive a n\u00f3s que estamos habituados a esse trabalho, n\u00e3o \u00e9 apenas a pessoa ter uma jornada pesada sob o sol, mas \u00e9 fazer isso com sede, porque o empregador n\u00e3o oferece \u00e1gua, com fome, porque a comida pode ter azedado ou estar infestada de formigas. \u00c9 fazer esse tipo de trabalho tendo que descansar sob a sombra de um \u00f4nibus, porque n\u00e3o tem outra sombra dispon\u00edvel\u201d, afirma o\u00a0auditor-fiscal do trabalho Vitor Siqueira Ferreira.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas trabalhavam\u00a0no corte manual de arroz vermelho \u2013 um tipo de gr\u00e3o que cresce junto \u00e0s\u00a0esp\u00e9cies de arroz de maior consumo no pa\u00eds e que desqualifica o produto final por ser impr\u00f3prio para alimenta\u00e7\u00e3o. Segundo os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, os trabalhadores\u00a0usavam\u00a0ferramentas inadequadas, como facas de cozinha, e faziam a aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos com as m\u00e3os, sem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m eram obrigados a caminhar sob o sol por cerca de 50 minutos, do alojamento\u00a0at\u00e9 a \u00e1rea de cultivo de arroz.<\/p>\n<p>\u201cO grau de ofensividade da situa\u00e7\u00e3o\u00a0vai desde n\u00e3o ter \u00e1gua, comida, banheiro, local para descanso, at\u00e9 realizar uma atividade extremamente dif\u00edcil em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremamente exigentes. Isso \u00e9 o que mais afronta a dignidade do trabalhador.\u201d Nesta sexta-feira (10), os term\u00f4metros registraram uma sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de 40\u00b0C em Uruguaiana.<\/p>\n<p>Os trabalhadores recebiam R$ 100 por dia, pagos semanalmente, e\u00a0eram respons\u00e1veis por preparar o pr\u00f3prio almo\u00e7o, que muitas vezes estragava devido ao calor intenso, e eram obrigadas a comprar as ferramentas usadas no trabalho. Os dias em precisavam ficar afastados em raz\u00e3o de doen\u00e7a eram descontados do sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Das 56 v\u00edtimas, 10 t\u00eam entre 14 e 17 anos de idade. Todos j\u00e1 moravam na regi\u00e3o, que faz fronteira com o Uruguai, nos munic\u00edpios de Uruguaiana, Itaqui, S\u00e3o Borja e\u00a0Alegrete.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o pessoas que t\u00eam talento para trabalhar e se desenvolver profissionalmente, construir um futuro atrav\u00e9s do trabalho, mas esse tipo de trabalho inviabiliza o desenvolvimento dessas pessoas. A gente fica triste tamb\u00e9m por flagrar futuros sendo comprometidos pela explora\u00e7\u00e3o de trabalho\u201d, afirma Ferreira.<\/p>\n<p>O auditor destaca que os trabalhadores sequer conhecem o dono das propriedades e se referem apenas ao recrutador respons\u00e1vel por contratar os trabalhadores pelos munic\u00edpios. Ele foi preso em flagrante e ser\u00e1 encaminhado ao sistema penitenci\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEstamos investigando a real titularidade da rela\u00e7\u00e3o de emprego, pois existe um dono das terras, que contratou uma empresa robusta para fazer a semeadura e o cultivo do arroz. Estamos reunindo documentos para saber como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o dono da safra e a empresa respons\u00e1vel pelo semeador e cultivo, para saber quem \u00e9 o real titular da rela\u00e7\u00e3o de trabalho com essas pessoas\u201d, explica.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas voltaram para as suas casas e receber\u00e3o, de imediato, tr\u00eas parcelas do seguro-desemprego. O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho tamb\u00e9m vai requerer o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es por danos morais individuais e coletivos.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Retrato do Rio Grande do Sul<\/p>\n<p>Segundo os \u00f3rg\u00e3os, trata-se do maior resgate j\u00e1 registrado em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, munic\u00edpio respons\u00e1vel por grande\u00a0parte do arroz produzido no Brasil. Segundo o estudo \u201cRadiografia da Agropecu\u00e1ria Ga\u00facha 2022\u201d, desenvolvido pelo Departamento de Pol\u00edticas Agr\u00edcolas e Desenvolvimento Rural, o estado \u00e9 respons\u00e1vel por 70,4% da produ\u00e7\u00e3o nacional do gr\u00e3o. A regi\u00e3o de Uruguaiana produz 32% da safra do estado.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o se soma ao resgate 207 pessoas em trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o na colheita de uvas ,em vin\u00edcolas de Bento Gon\u00e7alves, tamb\u00e9m no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>O caso veio \u00e0 tona ap\u00f3s seis trabalhadores conseguirem\u00a0fugir e denunciar o caso.\u00a0Naturais da Bahia, eles afirmaram que, pela proposta de trabalho, teriam a alimenta\u00e7\u00e3o, hospedagem e transporte custeados nas planta\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, ao chegarem no\u00a0Rio Grande do Sul, tiveram que pagar pelo alojamento, contraindo d\u00edvidas. O local apresentava p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de salubridade. Os resgatados relataram ainda que recebiam amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 8 de mar\u00e7o, o empres\u00e1rio Pedro Augusto de Oliveira Santana, investigado por manter as 207 pessoas em trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o, teve seus bens bloqueados pela Justi\u00e7a do Trabalho, a partir de pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;A gente percebe que existe no campo uma cultura de que a vida \u00e9 dif\u00edcil mesmo e ser\u00e1 assim desse jeito. Essa conduta de naturalizar a indignidade \u00e9 algo que n\u00e3o podemos concordar e vamos seguir trabalhando para evitar&#8221;, afirma Vitor Ferreira.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Caroline Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Fico triste por flagrar futuros sendo comprometidos&#8221;, diz Vitor Ferreira, auditor que participou do resgate Ou\u00e7a o \u00e1udio: Pelo menos 56 trabalhadores foram resgatados em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o em duas propriedades de cultivo de arroz em Uruguaiana, a 630 quil\u00f4metros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O resgate foi feito pela Pol\u00edcia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[183],"class_list":["post-31063","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-combate-ao-trabalho-escravo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31063"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31063\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31066,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31063\/revisions\/31066"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}