{"id":31317,"date":"2023-04-03T20:34:32","date_gmt":"2023-04-03T23:34:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=31317"},"modified":"2023-04-03T20:34:32","modified_gmt":"2023-04-03T23:34:32","slug":"brasil-tenta-erradicar-a-dengue-mais-uma-vez-voce-sabia-que-o-pais-ja-conseguiu-isso-antes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/04\/03\/brasil-tenta-erradicar-a-dengue-mais-uma-vez-voce-sabia-que-o-pais-ja-conseguiu-isso-antes\/","title":{"rendered":"Brasil tenta erradicar a dengue, mais uma vez; voc\u00ea sabia que o pa\u00eds j\u00e1 conseguiu isso antes?"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Tecnologia que usa bact\u00e9ria natural mostra resultados mais promissores e sustent\u00e1veis do que inseticidas do passado<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil acaba de anunciar que vai expandir a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos da esp\u00e9cie\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>\u00a0com uma bact\u00e9ria que impede a propaga\u00e7\u00e3o da dengue, da zika e da chikungunya.<\/p>\n<p>H\u00e1 15 anos, cientistas descobriram que o microrganismo\u00a0<em>Wolbachia<\/em>\u00a0causa esse efeito no mosquito e o melhor, passa de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, uma vez inserido entre os insetos. Em diversas experi\u00eancias espalhadas pelo mundo, o m\u00e9todo sustent\u00e1vel teve efic\u00e1cia e seguran\u00e7a comprovadas.<\/p>\n<p>O projeto para transformar a tecnologia em pol\u00edtica p\u00fablica nacional envolve a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), a entidade internacional\u00a0<em>World Mosquito Program<\/em>\u00a0(WMP), o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) e o Instituto de Biologia Molecular do Paran\u00e1 (IBMP).<\/p>\n<p>Durante o lan\u00e7amento da a\u00e7\u00e3o, especialistas presentes foram un\u00e2nimes em observar que as medidas conhecidas de combate ao mosquito,\u00a0no entanto, n\u00e3o perdem a import\u00e2ncia com a novidade.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do Brasil mostra que esfor\u00e7os passados funcionaram, mas dependeram dos contextos social e geogr\u00e1fico, de vontade pol\u00edtica e de envolvimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as pol\u00edticas de combate ao\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>, a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, eram baseadas na vis\u00e3o de que a \u00fanica forma de alcan\u00e7ar esse objetivo era a erradica\u00e7\u00e3o total do mosquito em \u00e1reas continentais, com forte apelo ao uso de inseticidas.<\/p>\n<p>O per\u00edodo \u00e9 analisado no livro\u00a0<a href=\"https:\/\/books.scielo.org\/id\/sv74c\/10\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>A Guerra Fria chega \u00e0s Am\u00e9ricas: origens, controv\u00e9rsias e consequ\u00eancias do Programa de Erradica\u00e7\u00e3o do Aedes aegypti dos Estados Unidos<\/em><\/a>, do pesquisador Rodrigo Cesar da Silva Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Ele conta que, lideradas por uma das grandes potencias do mundo,\u00a0a\u00e7\u00f5es dessa natureza ajudavam a aumentar o\u00a0poder e a influ\u00eancia sobre outras na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 tinha hist\u00f3rico consolidado no controle do mosquito, que tamb\u00e9m era vetor da Febre Amarela,\u00a0desde a d\u00e9cada de 1930. As medidas inclu\u00edam a elimina\u00e7\u00e3o de focos, a extin\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos de \u00e1gua parada e at\u00e9 mesmo o uso de peixes larvicidas.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o era obrigada por lei a proteger recipientes como caixas d\u2019\u00e1gua. Mas a falta de combate em pa\u00edses vizinhos era empecilho para a erradica\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<p>Foi nesse cen\u00e1rio &#8211; sob forte influ\u00eancia da vis\u00e3o estadunidense &#8211; que o Brasil conseguiu acabar com o\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>, em 1955, por meio de uma campanha intercontinental liderada pela Organiza\u00e7\u00e3o Panamericana de Sa\u00fade (OPAS).<\/p>\n<p>A parceria internacional trouxe ao pa\u00eds inseticidas rec\u00e9m-criados, como o DDT. O veneno era aplicado manualmente em reservat\u00f3rios de \u00e1gua, criadouros e at\u00e9 nas resid\u00eancias das fam\u00edlias. Hoje, \u00e9 consenso que o DDT prejudica a sa\u00fade humana e causa problemas neurol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Por causa da aplica\u00e7\u00e3o de venenos, a ci\u00eancia do mundo todo se viu frente tamb\u00e9m a um problema de ordem ecol\u00f3gica. O desequil\u00edbrio ambiental causado pela elimina\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">O que mais deu errado?<\/p>\n<p>H\u00e1 relatos cient\u00edficos de que, em alguns pa\u00edses do mundo, os mosquitos se tornaram resistentes a venenos como o DDT. Mas essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica e nem a principal explica\u00e7\u00e3o para o retorno do\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>\u00a0ao Brasil.<\/p>\n<p>Entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1970, ele voltou a ser registrado em todas as principais metr\u00f3poles brasileiras. O cen\u00e1rio foi impulsionado pelo crescimento desordenado de \u00e1reas urbanas, que amplificou as consequ\u00eancias da falta de saneamento b\u00e1sico, coleta de lixo, esgoto e \u00e1gua tratada.<\/p>\n<p>Na conta entra tamb\u00e9m o enfraquecimento das pol\u00edticas de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e a diminui\u00e7\u00e3o de recursos para a Sa\u00fade. Relatos do per\u00edodo apontam que estados e munic\u00edpios tinham dificuldades de conseguir informa\u00e7\u00f5es com o governo militar. Documentos que falavam sobre a dengue eram considerados sigilosos pela ditadura.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Navios negreiros e pneus contrabandeados<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>\u00a0tem origem no continente africano e se espalhou principalmente para a \u00c1sia e Am\u00e9ricas por meio do tr\u00e1fego mar\u00edtimo. Ele chegou ao Brasil no s\u00e9culo 18, provavelmente nas embarca\u00e7\u00f5es que transportavam pessoas escravizadas.<\/p>\n<p>At\u00e9 metade do s\u00e9culo passado, a principal preocupa\u00e7\u00e3o que ele causava era a febre amarela. As primeiras refer\u00eancias de epidemias de dengue datam de 1916, em S\u00e3o Paulo e 1923, em Niter\u00f3i (RJ), mas ainda n\u00e3o havia diagn\u00f3stico laboratorial.<\/p>\n<p>Segundo um\u00a0<a href=\"https:\/\/seer.ufu.br\/index.php\/hygeia\/article\/view\/16906\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo publicado em 2008 na revista cient\u00edfica Hygeia<\/a>, sinais de que o problema voltou apareceram no ano de 1967, em Bel\u00e9m, capital do Par\u00e1.\u00a0Um surto de dengue foi registrado, com origem prov\u00e1vel em \u00e1gua parada acumulada em pneus contrabandeados.<\/p>\n<p>Em 1977 uma infesta\u00e7\u00e3o atingiu a capital baiana, Salvador e chegou \u00e0 cidade do Rio de Janeiro.\u00a0Em 1981, quase trinta anos ap\u00f3s a primeira tentativa de erradica\u00e7\u00e3o, uma nova epidemia foi comprovada laboratorialmente em Boa Vista, capital de Roraima.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, a doen\u00e7a se espalhou pelo Brasil, a atingiu estados de diversas regi\u00f5es em surtos violentos.\u00a0Em 1986 ela chegou ao Cear\u00e1, \u00a0Alagoas, \u00a0S\u00e3o \u00a0Paulo, \u00a0Pernambuco, \u00a0Bahia, \u00a0Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. No ano seguinte o\u00a0Rio \u00a0de \u00a0Janeiro, registrou mais\u00a0 de \u00a0um milh\u00e3o de\u00a0pessoas infectadas.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a dengue n\u00e3o deixou mais de ser uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es da sa\u00fade p\u00fablica brasileira. De l\u00e1 para c\u00e1, foram registrados\u00a0 milh\u00f5es de casos, com ciclos que t\u00eam causado explos\u00f5es de epidemias a cada quatro anos em m\u00e9dia.\u00a0Nos \u00faltimos anos, a arbovirose tem apresentado formas mais graves e o mosquito tamb\u00e9m passou a transmitir a zika e a chikungunya.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o que usa a bact\u00e9ria\u00a0<em>Wolbachia<\/em>\u00a0para bloquear o poder de transmiss\u00e3o do inseto tem potencial para reverter esse cen\u00e1rio. Ela representa tamb\u00e9m um avan\u00e7o nas descobertas cient\u00edficas de controle de vetores, sem\u00a0elimina\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, aplica\u00e7\u00e3o de venenos e danos \u00e0 sa\u00fade humana e do planeta.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tecnologia que usa bact\u00e9ria natural mostra resultados mais promissores e sustent\u00e1veis do que inseticidas do passado O Brasil acaba de anunciar que vai expandir a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos da esp\u00e9cie\u00a0Aedes aegypti\u00a0com uma bact\u00e9ria que impede a propaga\u00e7\u00e3o da dengue, da zika e da chikungunya. 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