{"id":31346,"date":"2023-04-06T16:41:03","date_gmt":"2023-04-06T19:41:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=31346"},"modified":"2023-04-06T16:41:03","modified_gmt":"2023-04-06T19:41:03","slug":"casal-que-manteve-domestica-mais-de-30-anos-sem-salario-e-condenado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/04\/06\/casal-que-manteve-domestica-mais-de-30-anos-sem-salario-e-condenado\/","title":{"rendered":"Casal que manteve dom\u00e9stica mais de 30 anos sem sal\u00e1rio \u00e9 condenado"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Justi\u00e7a do Trabalho de S\u00e3o Paulo condenou um casal que manteve\u00a0por mais de 30 anos\u00a0uma trabalhadora dom\u00e9stica em condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o. A empregada ficou de 1989 a 2022 sem receber sal\u00e1rio.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os r\u00e9us foram condenados a\u00a0pagar um total de R$ 800 mil em sal\u00e1rios atrasados (valor\u00a0a que a v\u00edtima tem direito pelo per\u00edodo em que prestou servi\u00e7os \u00e0 fam\u00edlia sem receber nenhum vencimento) e verbas rescis\u00f3rias, al\u00e9m de indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral individual e coletivo.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi proferida na 30\u00aa Vara do Trabalho de S\u00e3o Paulo pela ju\u00edza Maria Fernanda Zipinotti Duarte.<ins><\/ins><\/p>\n<p>Em depoimento, a\u00a0v\u00edtima afirmou que foi procurada pela fam\u00edlia em 1989, no abrigo em que morava, para trabalhar como empregada dom\u00e9stica e bab\u00e1, em troca de um sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas. No entanto, ela nunca chegou a receber pagamento, nem usufruiu de f\u00e9rias ou per\u00edodos de descanso.<\/p>\n<p>Ela trabalhava limpando\u00a0a casa e servindo\u00a0as refei\u00e7\u00f5es para\u00a0a fam\u00edlia em\u00a0uma jornada que se iniciava \u00e0s 6h e terminava depois das 23h.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, com base em den\u00fancia feita pelo Centro de Refer\u00eancia Especializado de Assist\u00eancia Social (Creas-Mooca), ap\u00f3s\u00a0pedido de ajuda feito pela mulher a outra entidade assistencial da Prefeitura de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Uma primeira tentativa de receber aux\u00edlio ocorreu em 2014, na mesma institui\u00e7\u00e3o. Na ocasi\u00e3o, houve uma conversa com o casal e foi acordado que eles registrariam o v\u00ednculo de emprego da v\u00edtima e pagariam os cr\u00e9ditos trabalhistas devidos, o que nunca aconteceu.<\/p>\n<p><strong>\u2018Quase da fam\u00edlia\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Em sua defesa, o\u00a0casal afirmou que mant\u00e9m la\u00e7os familiares com a empregada e que lhe proporcionou um \u201cambiente familiar e acolhedor por anos\u201d.<\/p>\n<p>Eles afirmaram ainda que a v\u00edtima dispunha de total liberdade de ir e vir, mas que, por op\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, sa\u00eda pouco de casa. O casal tamb\u00e9m disse que retirou a dom\u00e9stica de situa\u00e7\u00e3o de rua, resgatando sua\u00a0dignidade e dando a ela afeto, e que a a\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u201cexagero\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO labor em condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o assume uma de suas faces mais cru\u00e9is quando se trata de trabalho dom\u00e9stico. Por \u00f3bvio, a trabalhadora desprovida de sal\u00e1rio por mais de 30 anos n\u00e3o possui plena liberdade de ir e vir. N\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es de romper a rela\u00e7\u00e3o abusiva de explora\u00e7\u00e3o de seu trabalho, pois desprovida de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de subsist\u00eancia longe da resid\u00eancia dos empregadores, sem meios para determinar os rumos de sua pr\u00f3pria vida\u201d, ressaltou a magistrada.<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o, a ju\u00edza reconheceu o v\u00ednculo de emprego entre a idosa e o casal de janeiro de 1989 a julho de 2022 na fun\u00e7\u00e3o de empregada dom\u00e9stica, com sal\u00e1rio mensal de R$ 1.284 (sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e0 \u00e9poca da rescis\u00e3o), e\u00a0determinou que os r\u00e9us registrem a CTPS da empregada independentemente do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o, sob pena de multa di\u00e1ria de R$ 50 mil, revers\u00edvel \u00e0 idosa.<\/p>\n<p><strong>Processo\u00a01000904-62.2022.5.02.0030<\/strong><\/p>\n<p>Fonte e foto:<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-abr-04\/domestica-mantida-situacao-analoga-escravidao-recebera-800-mil\">\u00a0Conjur<\/a>, com informa\u00e7\u00f5es da assessoria da imprensa do TRT-2<\/p>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a do Trabalho de S\u00e3o Paulo condenou um casal que manteve\u00a0por mais de 30 anos\u00a0uma trabalhadora dom\u00e9stica em condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o. 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