{"id":31349,"date":"2023-04-06T16:44:10","date_gmt":"2023-04-06T19:44:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=31349"},"modified":"2023-04-06T16:44:10","modified_gmt":"2023-04-06T19:44:10","slug":"ministerio-publico-pede-ao-stf-que-trabalho-escravo-seja-considerado-crime-imprescritivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/04\/06\/ministerio-publico-pede-ao-stf-que-trabalho-escravo-seja-considerado-crime-imprescritivel\/","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio P\u00fablico pede ao STF que trabalho escravo seja considerado crime imprescrit\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><strong>Depois de 2.575 resgatados no ano passado, dados parciais dos tr\u00eas primeiros meses de 2023 revelam 918 trabalhadores nessa situa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div class=\"the-content\">\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) entrou com a\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o crime de submeter algu\u00e9m \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o seja considerado imprescrit\u00edvel. Ou seja, sem prazo para estabelecer puni\u00e7\u00e3o. O crime est\u00e1 previsto no artigo 149 do C\u00f3digo Penal. A Procuradoria pede ainda concess\u00e3o de liminar para que tribunais e ju\u00edzes se abstenham de declarar prescri\u00e7\u00e3o at\u00e9 que o m\u00e9rito seja julgado.<\/p>\n<p>A\u00a0Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) ajuizada no STF teve colabora\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/mpt.mp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT)<\/a>. A Procuradoria lembra que no ano passado as opera\u00e7\u00f5es resgataram 2.575 pessoas da situa\u00e7\u00e3o de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o. Neste ano, at\u00e9 2 de mar\u00e7o, foram 918, crescimento de 124% sobre igual per\u00edodo de 2022. O MPF argumenta que a \u201cfrequente prescri\u00e7\u00e3o desses delitos\u201d, algo incompat\u00edvel com as normas internacionais, tem impacto direto no combate \u00e0 pr\u00e1tica, al\u00e9m de estimular a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/vinicolas-assinam-acordo-judicial-e-indenizacao-de-r-7-milhoes-a-trabalhadores-resgatados-de-escravidao\/?swcfpc=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recentemente, o caso das vin\u00edcolas ga\u00fachas teve grande repercuss\u00e3o.<\/a><\/p>\n<div class=\"widget-area-inside-single-content\">\n<div class=\"textwidget\">At\u00e9 oito anos<\/div>\n<\/div>\n<p>Pelo artigo 149, reduzir algu\u00e9m \u00e0 condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravo \u2013 com trabalho for\u00e7ado, jornada exaustiva, condi\u00e7\u00f5es degradantes, restri\u00e7\u00e3o da locomo\u00e7\u00e3o ou d\u00edvida \u2013 prev\u00ea pena de dois a oito anos de reclus\u00e3o. A pena \u00e9 aumentada 50% se o crime for cometido contra crian\u00e7a e adolescente ou por motivo de preconceito (de cor, ra\u00e7a, etnia, religi\u00e3o ou origem). No entanto, a pr\u00e1tica mostra impunidade para esse tipo de crime.<\/p>\n<p>\u201cA persist\u00eancia da escravid\u00e3o e de suas formas an\u00e1logas, enquanto grave viola\u00e7\u00e3o do arcabou\u00e7o constitucional e internacional existente, denota um cen\u00e1rio de prote\u00e7\u00e3o insuficiente\u201d, afirma na a\u00e7\u00e3o o procurador-geral da Rep\u00fablica, Augusto Aras. Assim, o crime deve ser inserido no contexto de graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, que s\u00e3o imprescrit\u00edveis pelo entendimento do Direito Internacional. Nesse sentido, fixar limite de tempo para a puni\u00e7\u00e3o pelo Estado, para esse tipo de crime, representaria viola\u00e7\u00e3o a preceitos fundamentais como dignidade humano e valor social do trabalho, entre outros.<\/p>\n<div class=\"widget-area-inside-single-content\">\n<div class=\"textwidget\"><\/div>\n<\/div>\n<h3>Pr\u00e1ticas abusivas<\/h3>\n<p>\u201cO estado ou a condi\u00e7\u00e3o de um indiv\u00edduo refere-se tanto a uma situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica como a uma situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica, isto \u00e9, \u00e9 dispens\u00e1vel um documento formal ou uma norma jur\u00eddica para comprova\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno. Existe uma estreita rela\u00e7\u00e3o entre as distintas pr\u00e1ticas abusivas conceituadas como escravid\u00e3o. A inter-rela\u00e7\u00e3o entre estas condutas pressup\u00f5e que um mesmo fato pode ser qualificado sob distintos conceitos e que, em nenhum caso, s\u00e3o excludentes entre si\u201d, sustenta o MPF.<\/p>\n<p>Ainda na a\u00e7\u00e3o, a Procuradoria cita decis\u00f5es da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que \u201creconheceu em diversas ocasi\u00f5es ser inadmiss\u00edvel a incid\u00eancia da prescri\u00e7\u00e3o\u201d em investiga\u00e7\u00f5es e eventuais puni\u00e7\u00f5es por graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Em 2016, a Corte condenou o Brasil por pr\u00e1tica de trabalho escravo na Fazenda Brasil Verde, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cA necessidade de punir exemplarmente a escravid\u00e3o ainda \u00e9 medida de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, sobretudo, quando, mesmo 134 anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o formal da escraviza\u00e7\u00e3o de pessoas no pa\u00eds, a realidade comprova a persist\u00eancia de formas de escravid\u00e3o contempor\u00e2neas, a atingir setores mais vulner\u00e1veis por fatores hist\u00f3ricos, sociais, econ\u00f4micos, migrat\u00f3rios, \u00e9tnicos, raciais e de g\u00eanero\u201d, afirma ainda o MPF.<\/p>\n<div class=\"widget-area-after-single-content\">\n<div class=\"textwidget\">www.redebrasilatual.com.br<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12 no-padding\">\n<div class=\"post-content--tags\">\n<div class=\"post-content--section-title fz-14 mr-15\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de 2.575 resgatados no ano passado, dados parciais dos tr\u00eas primeiros meses de 2023 revelam 918 trabalhadores nessa situa\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo \u2013 O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) entrou com a\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o crime de submeter algu\u00e9m \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o seja considerado imprescrit\u00edvel. 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