{"id":31483,"date":"2023-04-24T21:48:44","date_gmt":"2023-04-25T00:48:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=31483"},"modified":"2023-04-24T21:48:44","modified_gmt":"2023-04-25T00:48:44","slug":"para-acabar-com-o-conflito-no-campo-e-preciso-valorizar-quem-trabalha-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/04\/24\/para-acabar-com-o-conflito-no-campo-e-preciso-valorizar-quem-trabalha-na-terra\/","title":{"rendered":"Para acabar com o conflito no campo \u00e9 preciso valorizar quem trabalha na terra"},"content":{"rendered":"<p><strong>Vinte e sete anos depois do Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s \u2013 que ocorreu em 17 de abril de 1996 \u2013 o relat\u00f3rio\u00a0<em>Conflitos no Campo Brasil 2022<\/em>, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), da igreja cat\u00f3lica, registrou 2.018 conflitos, em 2022. Crescimento de 10,39% em rela\u00e7\u00e3o a 2021. No ano passado, 909,4 mil pessoas se viram envolvidas com mais de 80,1 milh\u00f5es hectares de terra em disputa.<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e2nia Marques Pinto, secret\u00e1ria de Pol\u00edtica Agr\u00edcola e Agr\u00e1ria da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), acredita que para p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia no campo \u00e9 \u201cnecess\u00e1rio a valoriza\u00e7\u00e3o de quem vive do trabalho na terra\u201d, portanto \u201c\u00e9 fundamental a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de empoderamento da agricultura familiar e uma reforma agr\u00e1ria que contemple as trabalhadoras e trabalhadores do campo.\u201d<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da CPT abrange tamb\u00e9m conflitos por \u00e1gua, explora\u00e7\u00e3o do trabalho escravo, contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xico, assassinatos, mortes e outros casos de viol\u00eancia que afetam a vida de quem vive do trabalho. Foram 1.572 conflitos pela terra, especificamente. Um aumento de 16,7% em rela\u00e7\u00e3o a 2021.<\/p>\n<p>A reforma agr\u00e1ria \u00e9 vista como essencial para acabar com o conflito no campo por Vilson Luiz da Silva, vice-presidente da CTB e presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), \u00e9 preciso \u201cdar terra a quem precisa de terra, quem tem voca\u00e7\u00e3o para trabalhar na terra.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m de \u201cdar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, com assist\u00eancia t\u00e9cnica, pesquisa e infraestrutura b\u00e1sica para uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.\u201d E para isso ocorrer, \u201cnecessitamos de energia, habita\u00e7\u00e3o decente e condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Veja como foi o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio da CPT<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lan\u00e7amento Conflitos no Campo Brasil 2022\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NMlMUe_LW7Q?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>Para S\u00e9rgio de Miranda, secret\u00e1rio de Finan\u00e7as da CTB, primeiro Tesoureiro da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) e vice-presidente da CTB-RS, a reforma agr\u00e1ria precisa ir \u201cmuito al\u00e9m da desapropria\u00e7\u00e3o de terras\u201d. Ele defende tamb\u00e9m o \u201cfinanciamento p\u00fablico subsidiado para as agricultoras e os agricultores familiares e assentados da reforma agr\u00e1ria\u201d, assim como \u201cpol\u00edticas p\u00fablicas que fomentem o escoamento e a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos.\u201d<\/p>\n<p>No governo Lula, afirma V\u00e2nia, que tamb\u00e9m \u00e9 secret\u00e1ria de Pol\u00edtica Agr\u00edcola da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), \u201cvemos a retomada das pol\u00edticas p\u00fablicas abandonadas pelos governos anteriores\u201d, al\u00e9m de \u201ctrabalharmos pela cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas espec\u00edficas para as mulheres, os povos origin\u00e1rios e os quilombolas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Ataques \u00e0 Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, a maioria absoluta dos conflitos ocorreu na Amaz\u00f4nia Legal (1.107), assim como o n\u00famero de pessoas assassinadas (34 ante 47 no pa\u00eds). \u201cO que mostra uma forte ofensiva \u00e0 Amaz\u00f4nia nos \u00faltimos 6 anos com queimadas, desmatamento e ataques de latifundi\u00e1rios pela posse da terra\u201d, aanalisa Sandra Paula Bonetti, secret\u00e1ria de Defesa do Meio Ambiente e Saneamento da CTB e de Meio Ambiente da Contag.<\/p>\n<p>Como consta no estudo, Sandra ressalta tamb\u00e9m o crescimento vertiginoso da utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos \u201ccom preju\u00edzo tanto para quem consome os alimentos como para quem trabalha na terra\u201d. Segundo o relat\u00f3rio 6.831 fam\u00edlias em conflitos por terra no Brasil sofreram impacto com o uso dos agrot\u00f3xicos, em 2022, crescimento de 86% sobre 2021, j\u00e1 a contamina\u00e7\u00e3o de trabalhadoras e trabalhadores aumentou 171,85% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>A melhor forma de acabar com o abuso de agrot\u00f3xicos, para Sandra, \u201c\u00e9 o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o existente e refor\u00e7ar a fiscaliza\u00e7\u00e3o com aplica\u00e7\u00f5es de multas\u201d, tamb\u00e9m \u201c\u00e9 necess\u00e1rio leis mais r\u00edgidas sobre a libera\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos\u201d, segundo ela, \u201cgrande dos agrot\u00f3xicos liberados pelo governo anterior tem que ser revista e muitos agrot\u00f3xicos devem ser proibidos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Eliminar o trabalho escravo<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o teve crescimento como aponta o relat\u00f3rio. Em 2022, ocorreram 207 casos com 2.218 pessoas resgatadas. Segundo o relat\u00f3rio da CPT, \u201co maior n\u00famero dos \u00faltimos dez anos\u201d.<\/p>\n<p>Para V\u00e2nia, \u201cacabar com essa explora\u00e7\u00e3o desumana \u00e9 essencial para avan\u00e7armos ao Estado de Direito\u201d e isso s\u00f3 acontece com o \u201cfortalecimento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e o endurecimento das leis com puni\u00e7\u00f5es severas e a utiliza\u00e7\u00e3o dessas propriedades para a reforma agr\u00e1ria com a contempla\u00e7\u00e3o dos seres humanos escravizados, com amplo apoio do Estado.\u201d<\/p>\n<p>Vilson destaca a necessidade de empoderamento do movimento sindical porque \u201c\u00e9 a luta sindical que impede os avan\u00e7os do capital sobre o trabalho e fortalece as reivindica\u00e7\u00f5es de quem vive do trabalho.\u201d Tamb\u00e9m \u00e9 importante \u201cvalorizar a economia das fam\u00edlias produtoras com relev\u00e2ncia do aspecto o social e ambiental.\u201d outro \u201cgrande desafio \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a para o meio rural, n\u00e3o para proteger os latif\u00fandios como normalmente acontece, e sim para proteger as trabalhadoras e os trabalhadores\u201d, afirma S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>\u201cA unidade da classe trabalhadora do campo e da cidade \u00e9 essencial para o pa\u00eds voltar a crescer com combate \u00e0s desigualdades\u201d, explica V\u00e2nia. \u201cDevemos trabalhar juntos para termos alimentos saud\u00e1veis na mesa de todas e todos\u201d porque \u201ca viol\u00eancia s\u00f3 acaba com o respeito aos direitos de todo mundo em ter trabalho decente e vida digna.\u201d<\/p>\n<p>www.ctb.org.br\/Marcos Aur\u00e9lio Ruy (Foto: Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinte e sete anos depois do Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s \u2013 que ocorreu em 17 de abril de 1996 \u2013 o relat\u00f3rio\u00a0Conflitos no Campo Brasil 2022, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), da igreja cat\u00f3lica, registrou 2.018 conflitos, em 2022. 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