{"id":32091,"date":"2023-06-16T15:29:26","date_gmt":"2023-06-16T18:29:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=32091"},"modified":"2023-06-16T15:29:26","modified_gmt":"2023-06-16T18:29:26","slug":"relator-da-onu-pede-que-stf-e-senado-rejeitem-o-marco-temporal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/06\/16\/relator-da-onu-pede-que-stf-e-senado-rejeitem-o-marco-temporal\/","title":{"rendered":"Relator da ONU pede que STF e Senado rejeitem o marco temporal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para o especialista em direitos ind\u00edgenas, o crit\u00e9rio de demarca\u00e7\u00f5es amea\u00e7a povos e contraria padr\u00f5es internacionais<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O relator especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, Jos\u00e9 Francisco Cal\u00ed Tzay, pediu nesta ter\u00e7a-feira (13) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeite a tese jur\u00eddica do\u00a0marco temporal das terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Pe\u00e7o ao Supremo Tribunal Federal que n\u00e3o aplique a doutrina mencionada no caso e decida de acordo com as normas internacionais existentes sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p align=\"justify\">A tese jur\u00eddica defendida por ruralistas restringe a demarca\u00e7\u00e3o de terras ancestralmente ocupadas apenas \u00e0s \u00e1reas habitadas por ind\u00edgenas em 5 de outubro de 1988, data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O apelo de Tzay se estendeu ao governo federal e ao Senado brasileiro, onde o marco temporal tramita embutido no Projeto de Lei (PL) 490, j\u00e1 aprovado em regime de urg\u00eancia pela C\u00e2mara.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Incito o Governo do Brasil a tomar todas as medidas para proteger os Povos Ind\u00edgenas, suas culturas e tradi\u00e7\u00f5es, de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal Brasileira e as obriga\u00e7\u00f5es internacionais de direitos humanos.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Se a tese do marco temporal for aprovada, todas as terras ind\u00edgenas, independentemente de seu status e regi\u00e3o, ser\u00e3o avaliadas de acordo com a tese, colocando todas as 1393 Terras Ind\u00edgenas sob amea\u00e7a direta&#8221;, justificou o relator da ONU.<\/p>\n<h5 align=\"justify\">Julgamento paralisado<\/h5>\n<p align=\"justify\">O julgamento do marco temporal foi retomado pelo STF na \u00faltima semana ap\u00f3s um hiato de dois anos desde a \u00faltima an\u00e1lise pela Corte. A tese jur\u00eddica tem at\u00e9 agora dois votos contr\u00e1rios, de Alexandre de Moraes e Edson Fachin, e um favor\u00e1vel, de Nunes Marques. A \u00faltima movimenta\u00e7\u00e3o foi do ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, que\u00a0pediu o adiamento\u00a0de at\u00e9 90 dias para concluir o voto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Jos\u00e9 Francisco Cal\u00ed Tzay, relator da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, ressaltou que o marco temporal pode prejudicar mais de 300 processos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas ainda n\u00e3o conclu\u00eddos. Ele apontou ainda que a limita\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ccontr\u00e1ria aos padr\u00f5es internacionais\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;A doutrina do marco temporal&#8221; tem sido usada para anular processos administrativos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, como no caso da Comunidade Guayaroka dos Povos Ind\u00edgenas Guarani Kaiowa&#8221;, alertou o relator.<\/p>\n<h5 align=\"justify\">Entenda o marco temporal das terras ind\u00edgenas<\/h5>\n<p align=\"justify\">O marco temporal \u00e9 uma tese jur\u00eddica defendida pelo agroneg\u00f3cio, repudiada pelas organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e considerada inconstitucional por juristas e advogados &#8211; ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A proposta muda radicalmente o crit\u00e9rio para demarca\u00e7\u00f5es ao estabelecer que apenas as terras j\u00e1 ocupadas por povos ind\u00edgenas em 5 de outubro de 1988 &#8211; data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o &#8211; podem ser reivindicadas por eles.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se n\u00e3o tiverem provas de que ocupavam a \u00e1rea no per\u00edodo estipulado pelo marco temporal, centenas de grupos ind\u00edgenas que foram expulsos de forma violenta de territ\u00f3rios &#8211; como ocorreu regularmente na ditadura militar de 1964, por exemplo &#8211; perder\u00e3o o direito \u00e0 terra.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Constitui\u00e7\u00e3o reconhece textualmente o direito origin\u00e1rio dos ind\u00edgenas sobre terras tradicionalmente ocupadas, sem mencionar nenhum crit\u00e9rio de tempo para demarca\u00e7\u00f5es. Por isso, o marco temporal \u00e9 considerado nitidamente inconstitucional por juristas, advogados e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF).<\/p>\n<p align=\"justify\">www.cut.org.br\/Brasil de Fato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o especialista em direitos ind\u00edgenas, o crit\u00e9rio de demarca\u00e7\u00f5es amea\u00e7a povos e contraria padr\u00f5es internacionais O relator especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, Jos\u00e9 Francisco Cal\u00ed Tzay, pediu nesta ter\u00e7a-feira (13) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeite a tese jur\u00eddica do\u00a0marco temporal das terras ind\u00edgenas. &#8220;Pe\u00e7o ao Supremo Tribunal Federal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":32092,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[1045],"class_list":["post-32091","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-marco-temporal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32091"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32091\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32093,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32091\/revisions\/32093"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32092"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}