{"id":32566,"date":"2023-07-19T17:14:57","date_gmt":"2023-07-19T20:14:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=32566"},"modified":"2023-07-19T17:14:57","modified_gmt":"2023-07-19T20:14:57","slug":"artigo-juros-de-1375-e-um-roubo-contra-o-povo-fora-campos-neto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/07\/19\/artigo-juros-de-1375-e-um-roubo-contra-o-povo-fora-campos-neto\/","title":{"rendered":"Artigo | Juros de 13,75% \u00e9 um roubo contra o povo, fora Campos Neto!"},"content":{"rendered":"<p class=\"bajada\"><strong>\u00c9 mentira que o Banco Central seja independente. Ele est\u00e1 atrelado, hoje, aos interesses dos banqueiros e rentistas que vivem de juros<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s sete anos de um golpe de Estado, que derrubou a presidenta Dilma, podemos avaliar com mais clareza as consequ\u00eancias desse processo constitu\u00eddo sob o programa \u201cPonte Para o Futuro\u201d de Michel Temer, que propunha as mais diversas privatiza\u00e7\u00f5es e retiradas de direito, visando apenas o ganho de uma pequena parcela da sociedade brasileira, que vive da explora\u00e7\u00e3o do trabalho alheio. A elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro em 2018, com Lula preso injustamente, coloca os militares em cena, garantindo os avan\u00e7os das reformas neoliberais restantes. De l\u00e1 para c\u00e1, o trabalho e a aposentadoria foram profundamente prejudicados por esse projeto. Hoje, trabalhamos mais para ganhar menos, e com direito a aposentadoria restringido.<\/p>\n<p>Como se esse cen\u00e1rio de crise social e econ\u00f4mica n\u00e3o fosse o suficiente, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central, declarado independente por Jair Bolsonaro por press\u00e3o dos banqueiros, mant\u00e9m h\u00e1 meses a Selic \u2013 taxa b\u00e1sica de juros \u2013 a 13,75% ao ano, a segunda maior taxa de juros no mundo. Isso significa que a cada compra parcelada, esse percentual ser\u00e1 cobrado, al\u00e9m do pagamento de empr\u00e9stimos e transa\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, no \u00e2mbito pessoal, os juros altos impedem que as fam\u00edlias comprem seus bens parcelados, bem como pe\u00e7am cr\u00e9dito para financiamento e, no caso de quem j\u00e1 tinha d\u00edvidas, tenha mais dificuldade de pag\u00e1-las.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito social, os juros altos reduzem a possibilidade no investimento na produ\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento econ\u00f4mico, o que n\u00e3o gera empregos. Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), 71% das empresas apontam que a taxa Selic \u00e9 o principal impeditivo para ter acesso a cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Por isso, prejudica n\u00e3o apenas o cotidiano das fam\u00edlias brasileiras que querem melhorar suas vidas com bens de consumo, mas tamb\u00e9m quem \u00e9 comprometido com um projeto de desenvolvimento para o pa\u00eds, que envolve investimento na produ\u00e7\u00e3o, nos mantendo dependentes da l\u00f3gica da especula\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>E mesmo n\u00e3o querendo investir ou financiar, o povo brasileiro tamb\u00e9m paga a conta, pois ao subir a taxa Selic, a d\u00edvida p\u00fablica passou de 2% para 10% do PIB, que corresponde a 920 bilh\u00f5es por ano, pagos aos bancos, que ficam com 53,6% desse valor, segundo a economista M\u00f4nica de Bolle, da Universidade de Johns Hopkins nos EUA.<\/p>\n<p>A justificativa do Banco Central para a taxa abusiva \u00e9 de que os juros precisam ficar altos para controlar a infla\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00edvel geral dos pre\u00e7os de bens e servi\u00e7os -, que sobe quando a popula\u00e7\u00e3o compra mais do que \u00e9 produzido, e quando os juros est\u00e3o altos as pessoas compram menos, desacelerando a economia e reduzindo o pre\u00e7o geral pela diminui\u00e7\u00e3o da demanda. Por\u00e9m, no caso do Brasil, o consumo j\u00e1 estava em queda, como mostra o IPCA, que soma 3,16% em 12 meses, ou seja, \u00e9 o menor \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos tr\u00eas anos, combinado aos recordes de endividamento das fam\u00edlias, demonstrando que as fam\u00edlias compraram menos e se endividaram mais no \u00faltimo per\u00edodo. Inclusive, no m\u00eas de junho o Brasil teve uma defla\u00e7\u00e3o, segundo o IBGE. Ou seja, o argumento do BC n\u00e3o \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 mentira que o Banco Central seja independente. Ele est\u00e1 atrelado, hoje, aos interesses dos banqueiros e rentistas que vivem de juros. Enquanto isso, a classe trabalhadora brasileira segue com menos direitos sociais, menos empregos e menos possibilidade de acesso a bens de consumo.<\/p>\n<p>Para reconstruir o Brasil, o governo Lula deve enfrentar o setor financeiro com firmeza, investindo no desenvolvimento, para que tenhamos mais emprego, moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, comida, transporte e para termos melhores condi\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o e luta contra os juros. Por isso, a CMP, junto aos movimentos populares e sindicais, est\u00e1 participando da campanha pela redu\u00e7\u00e3o dos juros e pela demiss\u00e3o de Campos Neto, porque estamos verdadeiramente comprometidos com um projeto de sociedade que defende os interesses do povo, que segue sendo roubado por seus patr\u00f5es.<\/p>\n<p>www.brasilpopular.com\/Por Raimundo Bonfim, advogado, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) e membro da coordena\u00e7\u00e3o nacional da Frente Brasil Popular (FBP). Iniciou a milit\u00e2ncia nos movimentos populares em 1986, na Favela Heli\u00f3polis, a maior de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 mentira que o Banco Central seja independente. 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