{"id":32756,"date":"2023-07-31T18:56:20","date_gmt":"2023-07-31T21:56:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=32756"},"modified":"2023-07-31T18:56:20","modified_gmt":"2023-07-31T21:56:20","slug":"juros-precisam-baixar-pela-metade-para-o-pais-crescer-dizem-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/07\/31\/juros-precisam-baixar-pela-metade-para-o-pais-crescer-dizem-economistas\/","title":{"rendered":"Juros precisam baixar pela metade para o pa\u00eds crescer, dizem economistas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para os economistas Ladislau Dowbor e Marcelo Manzano uma taxa de juros real razo\u00e1vel seria de 1,5% a 3% ao ano, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o. Para eles, manter a Selic alta \u00e9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica e n\u00e3o econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central (BC) se re\u00fane nesta ter\u00e7a (1\u00ba\/08) e quarta (2) para definir a taxa de juros, a Selic, que hoje est\u00e1 em 13,75%. A expectativa do mercado financeiro \u00e9 que o corte seja de 0,25%; os mais otimistas projetam um corte de meio por cento.<\/p>\n<p>Se o corte for mantido nesses patamares mais uma vez o BC estar\u00e1 impedindo a retomada do crescimento econ\u00f4mico do Brasil, segundo os economistas Ladislau Dowbor, professor da PUC de S\u00e3o Paulo e Marcelo Manzano, da Unicamp.<\/p>\n<p>Para Dowbor uma taxa razo\u00e1vel seria de 5% a 6%, menos da metade da atual, o que daria em termos de juros reais 1,5% de lucro, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o, como \u00e9 praticada em pa\u00edses da Europa e os Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cOs rentistas, que s\u00e3o uma minoria, ganham aqui no Brasil 8,5% de juros sem fazerem nada, sem produzir nada. \u00c9 um esc\u00e2ndalo\u201d, diz Dowbor.<\/p>\n<p>O economista Marcelo Manzano concorda que os juros est\u00e3o muito altos e que um corte maior na Selic seria o ideal, mas ele entende que um juro real de 3% a 5% seria um patamar razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cOs pa\u00edses da OCDE [Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico que re\u00fane 38 pa\u00edses de economias mais avan\u00e7adas] trabalham com juros mais baixos, mas infelizmente temos uma moeda menos valorizada, e isso obriga o pa\u00eds a trabalhar com um juro maior. Se baixar demais pode ocorrer a fuga de capital financeiro, pois seria mais confort\u00e1vel para os investidores manter o dinheiro no exterior. Ainda assim, a atual taxa praticada pelo BC \u00e9 desproporcional\u201d, afirma Manzano.<\/p>\n<p>O economista da Unicamp conta que os mercados s\u00e3o todos interconectados e, por isso \u00e9 preciso manter uma certa margem de seguran\u00e7a para evitar que qualquer solanco na economia mundial, como ocorreu em 2008, fa\u00e7am os investidores brasileiros e estrangeiros preferirem comprar t\u00edtulos em outros pa\u00edses, gerando uma fuga de capitais.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>\u00c9 preciso manter um certo conforto, um certo cuidado, mas n\u00e3o faz sentido algum manter a taxa de juros no Brasil t\u00e3o alta. Os juros altos sufocam a economia, ningu\u00e9m investe e ningu\u00e9m compra<\/p>\n<footer>&#8211; Marcelo Manzano<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Ele acrescenta que os juros est\u00e3o subindo nos Estados Unidos, Jap\u00e3o e Europa, mas as economias desses pa\u00edses est\u00e3o crescendo pressionando os pre\u00e7os para cima, o que \u00e9 muito diferente do Brasil onde a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 caindo e a economia retra\u00edda.<\/p>\n<p>\u201cPara quem precisa investir na produ\u00e7\u00e3o, comprar equipamentos e gerar empregos ao buscar empr\u00e9stimos fica invi\u00e1vel, e os pequenos comerciantes que precisam de capital de giro e buscam empr\u00e9stimos mensais pagam juros absurdos\u201d, diz o economista da Unicamp.<\/p>\n<p>A justificativa para a atual taxa de juros neste patamar nada tem a ver com o controle da infla\u00e7\u00e3o. \u00c9, na verdade, esfriar a economia porque ningu\u00e9m est\u00e1 consumindo. O interesse \u00e9 o pagamento de t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica com juros altos, com risco zero, avalia o economista Dowbor.<\/p>\n<p>\u201cA \u00faltima vez que o pa\u00eds cresceu efetivamente foi 3% em 2013. No ano passado houve uma recupera\u00e7\u00e3o da economia p\u00f3s pandemia, mas recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 crescimento\u201d, diz Dowbor.<\/p>\n<p>Segundo ele, o juro m\u00e9dio pago pelas fam\u00edlias brasileiras est\u00e1 bem acima da Selic, chegando a 55,8% ao ano, enquanto nos pa\u00edses da OCDE fica em 4% a 5%. Para as empresas os juros chegam a 23,1%.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 quem aguente esses juros elevados. Uma economia muito parada drena recursos p\u00fablicos em favor de grupos econ\u00f4micos que enriquecem por simples transfer\u00eancia de lucro\u201d, diz.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Os analistas do mercado n\u00e3o levam em conta que o crit\u00e9rio de se manter os juros elevados \u00e9 pol\u00edtico e n\u00e3o econ\u00f4mico<\/p>\n<footer>&#8211; Ladislau Dowbor<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Ele conta que o Brasil tem uma d\u00edvida p\u00fablica de R$ 7,5 trilh\u00f5es e 82% deste valor v\u00eam de juros sobre juros pagos pelo Brasil. O pa\u00eds n\u00e3o se endividou fazendo obras ou gastando. Os donos de todo esse dinheiro s\u00e3o essencialmente bancos e grupos financeiros como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/campos-neto-quer-entregar-a-empresa-estrangeira-us-380-bilhoes-das-reservas-do-p-7253\">BlackRock<\/a>\u00a0&#8211; fundo que Campos Neto disse que poderia gerenciar as reservas nacionais de R$ 380 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cManter os juros neste patamar faz com que eles ganhem cada vez. \u00c9 dinheiro dos nossos impostos, que em vez de financiar educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e infraestrutura, \u00e9 apenas lucro l\u00edquido para uma minoria\u201d, critica o economista da PUC.<\/p>\n<p>Para ele se a taxa for reduzida em apenas 0,25% mostra a for\u00e7a dos grandes bancos, sistemas de fundos que paralisam a economia e v\u00e3o tirando enquanto podem.<\/p>\n<p>\u201cOs rentistas pegam empr\u00e9stimos no Jap\u00e3o a 2% e investem em t\u00edtulos do governo brasileiro e saem com um lucro de 8,5%, drenando a riqueza do nosso pa\u00eds. Numa economia sem industrializa\u00e7\u00e3o e fr\u00e1gil como est\u00e1 a do Brasil no momento, manter a taxa de juros para proteger o pa\u00eds da infla\u00e7\u00e3o \u00e9 uma narrativa sem vergonha\u201d, conclui Dowbor.<\/p>\n<p><strong>A posi\u00e7\u00e3o da CUT sobre a taxa de juros<\/strong><\/p>\n<p>A CUT e demais centrais defendem al\u00e9m de um corte maior na taxa de juros que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, seja demitido do cargo. Ap\u00f3s a independ\u00eancia do banco no ano passado, somente o Senado pode tir\u00e1-lo da presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Para as entidades sindicais Campos Neto deliberadamente prejudica o Brasil ao fazer oposi\u00e7\u00e3o ao governo Lula, a partir de uma institui\u00e7\u00e3o essencial para o crescimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel do pa\u00eds, com gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os economistas Ladislau Dowbor e Marcelo Manzano uma taxa de juros real razo\u00e1vel seria de 1,5% a 3% ao ano, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o. 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