{"id":33337,"date":"2023-09-08T16:54:37","date_gmt":"2023-09-08T19:54:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=33337"},"modified":"2023-09-08T16:54:37","modified_gmt":"2023-09-08T19:54:37","slug":"setembro-amarelo-cuidar-da-saude-mental-envolve-coletividade-pertencimento-e-solidariedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/09\/08\/setembro-amarelo-cuidar-da-saude-mental-envolve-coletividade-pertencimento-e-solidariedade\/","title":{"rendered":"Setembro Amarelo: cuidar da sa\u00fade mental envolve coletividade, pertencimento e solidariedade"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Especialistas defendem vis\u00e3o ampliada do assunto e solu\u00e7\u00f5es que considerem a comunidade como espa\u00e7o de cura<\/strong><\/p>\n<p>Para que os esfor\u00e7os para tratar de sa\u00fade mental funcionem no Brasil, \u00e9 preciso termos uma nova percep\u00e7\u00e3o sobre o tema. Em conversa com o Brasil de Fato, especialistas na \u00e1rea refor\u00e7am a necessidade de que as pol\u00edticas, a\u00e7\u00f5es e efem\u00e9rides &#8211; como o Setembro Amarelo &#8211; n\u00e3o se limitem \u00e0 medicaliza\u00e7\u00e3o e individualiza\u00e7\u00e3o e proponham solu\u00e7\u00f5es sociais e coletivas.<\/p>\n<p>Em julho, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) ampliou o or\u00e7amento da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (RAPS) em mais de R$ 200 milh\u00f5es para este ano ainda. Com o refor\u00e7o, o total destinado \u00e0s unidades da federa\u00e7\u00e3o para pol\u00edticas de sa\u00fade mental ultrapassa R$ 400 milh\u00f5es de reais em 2023, um aumento de mais de 20%.<\/p>\n<p>Ariadna Patr\u00edcia Alvarez, professora-pesquisadora da Escola Polit\u00e9cnica de Sa\u00fade Joaquim Ven\u00e2ncio da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (EPSJV\/Fiocruz), afirma que o investimento \u00e9 fundamental para superar os preju\u00edzos ocorridos com o desmonte dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o, investir na rede de aten\u00e7\u00e3o psicossocial, que durante os \u00faltimos anos &#8211; de 2016 at\u00e9 2022 &#8211; sofreu um sucateamento terr\u00edvel. Ainda vemos os efeitos desse desinvestimento dos \u00faltimos anos no cotidiano dos servi\u00e7os, que passam por muitas dificuldades.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O estrago foi muito grande. H\u00e1 um reparo a se fazer para amplia\u00e7\u00e3o e fortalecimento dos servi\u00e7os que j\u00e1 existem para que tenhamos uma rede que realmente ofere\u00e7a resposta \u00e0s quest\u00f5es de de sa\u00fade mental.\u201d<\/p>\n<p>Os valores ser\u00e3o repassados aos mais de 2,8 mil Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS) do pa\u00eds e para os 870 Servi\u00e7os Residenciais Terap\u00eauticos (SRT). O MS habilitou ainda novos servi\u00e7os para expans\u00e3o da rede em todo pa\u00eds. De mar\u00e7o at\u00e9 agora, foram inaugurados 27 novos CAPS, 55 SRT, 4 Unidades de Acolhimento e 159 leitos em hospitais gerais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nos pr\u00f3ximos meses o tema sa\u00fade mental est\u00e1 na agenda oficial do poder p\u00fablico. Em outubro, o Brasil ter\u00e1 sua primeira Semana Nacional de Conscientiza\u00e7\u00e3o da Depress\u00e3o e j\u00e1 come\u00e7ou a campanha global que prop\u00f5e di\u00e1logo e a\u00e7\u00e3o para preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, Setembro Amarelo.<\/p>\n<p>Para Ariadna Patr\u00edcia Alvarez, al\u00e9m do investimento \u00e9 preciso propor solu\u00e7\u00f5es sociais e atacar problemas estruturais. A falta de direitos b\u00e1sicos e garantias de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho, alimenta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m podem levar ao sofrimento mental. A especialista defende que a valoriza\u00e7\u00e3o da vida depende mais de conviv\u00eancia e bem viver do que de campanhas pontuais.<\/p>\n<p>\u201cSe entendemos que a sa\u00fade mental est\u00e1 no campo de v\u00e1rias disciplinas, saberes e categorias profissionais, precisamos ter um certo cuidado no que se refere a essas campanhas. O objetivo dela \u00e9 trazer um debate p\u00fablico sobre o suic\u00eddio e como prevenir esse fen\u00f4meno, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 efic\u00e1cia, j\u00e1 existem algumas pesquisas dizendo que esse n\u00famero se manteve est\u00e1vel, ou seja, n\u00e3o reduziu o n\u00famero de suic\u00eddios e, em algumas faixas et\u00e1rias aumentou. Falar sobre sa\u00fade mental \u00e9 um tema que \u00e9 permanentemente importante.\u201d<\/p>\n<p>Paulo Amarante, pesquisador da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Ensp\/Fiocruz), afirma que a efem\u00e9ride precisa se distanciar da concep\u00e7\u00e3o individual dos problemas de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o modelo biom\u00e9dico da psiquiatria. que criou essa narrativa de uma psiquiatria que cada vez mais se afasta das ci\u00eancias sociais humanas, da psican\u00e1lise, da psicologia, da sociologia, da antropologia. \u00c9 um pretenso modelo que afasta as explica\u00e7\u00f5es de ordem coletiva, processual a hist\u00f3rica.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o especialista, o tratamento focado em indiv\u00edduos leva \u00e0 medicaliza\u00e7\u00e3o, o que piora o problema e cria \u201cum saco sem fundo\u201d de demandas n\u00e3o analisadas e n\u00e3o enfrentadas. Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, estudos indicam que algumas classes de antidepressivos podem potencializar o comportamento suicida.<\/p>\n<p>Amarante defende investimentos que v\u00e3o al\u00e9m do setor da sa\u00fade. \u00c9 necess\u00e1rio capacitar profissionais de maneira cr\u00edtica e melhorar a rede, mas a sociedade e o poder p\u00fablico tamb\u00e9m precisam buscar novas maneiras de coletividade, intera\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de renda e trabalho.<\/p>\n<p>\u201cTemos que defender n\u00e3o apenas os tratamentos, achar que as coisas se reduzem a uma aplica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica de tratamento, mas a forma de desenvolvimento de outras rela\u00e7\u00f5es sociais, de companheirismo, de mutualidade e solidariedade. Tamb\u00e9m de gera\u00e7\u00e3o de renda, economia solid\u00e1ria. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o de uma economia coletiva, feita de todos para todos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a economia no sentido financeiro do dinheiro. Economia no sentido da din\u00e2mica pol\u00edtica que voc\u00ea produz. As pessoas pensam muito mais em doen\u00e7as. N\u00f3s temos que pensar mais em sa\u00fade e produ\u00e7\u00e3o de vida.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), mais de 700 mil suic\u00eddios s\u00e3o registrados por ano em todo o mundo. A entidade ressalta que esse n\u00famero pode ser ainda maior e chegar a 1 milh\u00e3o, mas a subnotifica\u00e7\u00e3o impede que se trace um cen\u00e1rio mais pr\u00f3ximo da realidade.<\/p>\n<p>No Brasil, os registros contabilizam cerca de 14 mil casos por ano. Isso significa que, a cada 24 horas, em m\u00e9dia 38 pessoas decidem tirar a pr\u00f3pria vida no pa\u00eds. No per\u00edodo de 2010 a 2019, foram notificados mais de 112 mil suic\u00eddios em territ\u00f3rio nacional, a maior parte entre pessoas em idade produtiva, o que refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de que trabalhadores e trabalhadoras est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade.<\/p>\n<p>A Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE), aponta que, em 2019, mais de 10% das pessoas com mais de 18 anos no Brasil receberam diagn\u00f3stico de depress\u00e3o, terceira maior causa de afastamento do trabalho.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Nara Lacerda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas defendem vis\u00e3o ampliada do assunto e solu\u00e7\u00f5es que considerem a comunidade como espa\u00e7o de cura Para que os esfor\u00e7os para tratar de sa\u00fade mental funcionem no Brasil, \u00e9 preciso termos uma nova percep\u00e7\u00e3o sobre o tema. 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