{"id":34184,"date":"2023-11-03T16:53:24","date_gmt":"2023-11-03T19:53:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=34184"},"modified":"2023-11-03T16:53:24","modified_gmt":"2023-11-03T19:53:24","slug":"saiba-como-o-mutuario-pode-se-proteger-de-leilao-do-imovel-em-caso-de-inadimplencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/11\/03\/saiba-como-o-mutuario-pode-se-proteger-de-leilao-do-imovel-em-caso-de-inadimplencia\/","title":{"rendered":"Saiba como o mutu\u00e1rio pode se proteger de leil\u00e3o do im\u00f3vel em caso de inadimpl\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Portal da CUT ouviu advogado especialista em Direito Civil sobre o que diz a lei que prev\u00ea a\u00e7\u00e3o extrajudicial em casos de atraso no pagamento do financiamento de im\u00f3veis. \u201cRenegocia\u00e7\u00e3o \u00e9 o melhor caminho\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A recente decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) de confirmar a constitucionalidade da Lei 9.514 de 1997 que prev\u00ea a penhora de im\u00f3veis de mutu\u00e1rios inadimplentes por meio de a\u00e7\u00e3o extrajudicial, ou, seja sem a necessidade de uma a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a, levantou muitas d\u00favidas e temor nos mutu\u00e1rios. A lei prev\u00ea que ap\u00f3s o n\u00e3o pagamento das presta\u00e7\u00f5es por tr\u00eas meses consecutivos, a institui\u00e7\u00e3o financeira pode, por meio de um procedimento em cart\u00f3rio, tomar o im\u00f3vel e coloc\u00e1-lo em leil\u00e3o.<\/p>\n<p>O Portal da CUT ouviu o especialista em Direito Civil, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio LBS advogadas e Advogados Carlos Conick Jr sobre como o mutu\u00e1rio poderia se proteger nesses casos. Ele refor\u00e7ou que a chamada \u2018aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria\u2019, modelo de 99% dos contratos de financiamentos de casa pr\u00f3pria \u00e9 um sistema utilizado pelos bancos desde 1997, ap\u00f3s a san\u00e7\u00e3o da lei e que a decis\u00e3o do STF, e portanto, \u201cn\u00e3o \u00e9 uma novidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA norma existe desde 1997 e permite a aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria e a execu\u00e7\u00e3o extrajudicial. Portanto, os bancos j\u00e1 faziam isso. Quando h\u00e1 o atraso, a inadimpl\u00eancia, as institui\u00e7\u00f5es fazem um procedimento de intima\u00e7\u00e3o do mutu\u00e1rio no cart\u00f3rio para que efetue o pagamento e se n\u00e3o houver o im\u00f3vel ir\u00e1 a leil\u00e3o extrajudicial\u201d diz o advogado, explicando que a decis\u00e3o do STF somente validou a constitucionalidade da lei, que havia sido contestada na Justi\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/stf-deixa-banco-tomar-casa-propria-mas-nao-corrige-o-saldo-do-fgts-critica-cntss-fc8b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Leia Mais: STF deixa banco tomar casa pr\u00f3pria, mas n\u00e3o corrige o saldo do FGTS, critica CNTSS<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O advogado ressalta ainda que \u201co conceito presente na aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria \u00e9 de que o im\u00f3vel \u00e9 de propriedade do banco \u00e9 at\u00e9 que o mutu\u00e1rio quite o contrato\u201d e o modelo \u00e9 diferente de uma d\u00edvida de hipoteca em que o propriet\u00e1rio \u00e9 o mutu\u00e1rio e o banco tem o im\u00f3vel como garantia do financiamento. Na aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria o banco \u00e9 propriet\u00e1rio at\u00e9 a quita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, o que fazer nesses casos? Pode o mutu\u00e1rio recorrer quando for acionado? Carlos Conick Jr. afirma que a lei \u00e9 clara e o mutu\u00e1rio somente conseguir\u00e1 contestar caso haja alguma irregularidade na intima\u00e7\u00e3o. A lei estabelece crit\u00e9rios rigorosos para esse procedimento, entre eles o n\u00e3o recebimento da intima\u00e7\u00e3o ou porque n\u00e3o foi constitu\u00eddo em mora, ou seja, quando o mutu\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 dentro do prazo de inadimpl\u00eancia estabelecido na lei para que possa haver a notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial. Nestes casos o mutu\u00e1rio dever\u00e1 procurar um advogado para orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Portanto, segundo ele, se observado algum tipo de \u2018nulidade\u2019, ou seja, qualquer motivo que invalide a a\u00e7\u00e3o, o mutu\u00e1rio poder\u00e1 recorrer. No entanto, sendo a lei clara, como ele cita, o melhor caminho a ser tomado nesses casos \u00e9 a tentativa de uma renegocia\u00e7\u00e3o ou acordo com o banco para que o caso n\u00e3o chegue \u00e0s vias de fato.<\/p>\n<p>O principal passo \u00e9 tentar uma concilia\u00e7\u00e3o &#8211; um acordo &#8211; com os bancos. Para este caso pode-se inclusive contestar uma eventual cobran\u00e7a de juros abusivos nos contratos por parte das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Judicialmente n\u00e3o h\u00e1 elementos que se possa fazer para barrar a execu\u00e7\u00e3o extrajudicial. H\u00e1 possiblidade da retomada, prevista na lei e \u00e9 importante saber que n\u00e3o haver\u00e1 um processo na Justi\u00e7a para se discutir os direitos<\/p>\n<footer>&#8211; Carlos Conick Jr<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Reorganiza\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que assim como a pr\u00f3pria economia do pa\u00eds, milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras ainda est\u00e3o em processo de \u2018reconstru\u00e7\u00e3o\u2019 ap\u00f3s anos de uma condu\u00e7\u00e3o desastrosa na economia do pa\u00eds que causou desemprego, fome e mis\u00e9ria, al\u00e9m da pr\u00f3pria pandemia e, somado a isso, as altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista que precarizaram as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e permitiram o aumento da informalidade e consequente perda de renda, afetando milhares de mutu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por isso, que uma sa\u00edda \u2018dom\u00e9stica\u2019 para os inadimplentes que tenham contra\u00eddo outras d\u00edvidas \u00e9 reorganizar as finan\u00e7as. A Lei do Superendividamento, de 2021, atualizou o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) e passou a prever um limite no comprometimento da renda de pessoas que fazem empr\u00e9stimos em bancos e financeiras.\u00a0<strong>Mas a lei n\u00e3o se aplica a d\u00edvidas de habita\u00e7\u00e3o<\/strong>. Portanto, \u00e9 ainda mais importante reorganizar as finan\u00e7as para n\u00e3o correr o risco de perder a casa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o estabelece um percentual sobre o quanto pode ser descontado em folha de pagamento, ou diretamente da conta corrente de quem pegou empr\u00e9stimos, e tamb\u00e9m qual a faixa de rendimento ser\u00e1 calculado este \u00edndice. \u00c9 o chamado \u201cm\u00ednimo existencial\u201d para que os endividados tenham condi\u00e7\u00f5es de pagar suas d\u00edvidas.<\/p>\n<p><strong>A decis\u00e3o do STF<\/strong><\/p>\n<p>O caso que levou \u00e0 decis\u00e3o envolveu uma disputa entre um cliente e a Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF). O Tribunal Regional Federal (TRF) da 3\u00aa Regi\u00e3o entendeu que a execu\u00e7\u00e3o extrajudicial de t\u00edtulo com cl\u00e1usula de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria com garantia n\u00e3o viola as normas constitucionais. Ent\u00e3o, deveria ser alvo de aprecia\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio apenas se o devedor considerar necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os devedores argumentaram que a permiss\u00e3o para que o credor execute o patrim\u00f4nio, sem a participa\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio, viola princ\u00edpios como o devido processo legal, a inafastabilidade da jurisdi\u00e7\u00e3o, a ampla defesa e o contradit\u00f3rio, representando uma forma de autotutela \u201crepudiada pelo Estado Democr\u00e1tico de Direito.\u201d<\/p>\n<p>Votou pela validade da norma o relator, ministro Luiz Fux. Outros ministros seguiram Fux na \u00edntegra: Cristiano Zanin, Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Nunes Marques, Gilmar Mendes e Lu\u00eds Roberto Barroso. Contudo, Edson Fachin, seguido pela ministra C\u00e1rmen L\u00facia, abriu diverg\u00eancia. Ele argumentou que a execu\u00e7\u00e3o extrajudicial nos contratos de m\u00fatuo n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a prote\u00e7\u00e3o constitucional do direito fundamental \u00e0 moradia.<\/p>\n<p>Fachin acredita que a decis\u00e3o n\u00e3o avan\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e solid\u00e1ria, nem estimula solu\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas sustent\u00e1veis para o enfrentamento da falta de moradia digna. Ao final de seu voto, Fachin firmou o entendimento de que a legisla\u00e7\u00e3o impugnada afronta o devido processo legal, o acesso \u00e0 justi\u00e7a, o juiz natural e n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a prote\u00e7\u00e3o constitucional do direito fundamental \u00e0 moradia.<\/p>\n<p><strong>Im\u00f3veis alienados<\/strong><\/p>\n<p>O ministro Luiz Fux contextualizou a cria\u00e7\u00e3o da Lei 9.514\/97. Ele argumentou seu prop\u00f3sito de melhorar o sistema de financiamento da casa pr\u00f3pria. Em sua an\u00e1lise, Fux explicou o funcionamento da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria nos contratos de m\u00fatuo e argumentou que a lei resguardou ao fiduciante o direito de recorrer ao Judici\u00e1rio, caso se sinta prejudicado ou veja irregularidade no procedimento.<\/p>\n<p>O relator, ent\u00e3o, ressaltou que o procedimento \u00e9 complexo e regrado, visando equilibrar a previsibilidade das consequ\u00eancias em caso de n\u00e3o cumprimento do contrato, sem violar a autonomia privada. Para o ministro, as regras se coadunam com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal e com as normas do C\u00f3digo de Processo Civil aplic\u00e1veis a tr\u00e2mites judiciais que envolvem direitos reais de im\u00f3veis.<\/p>\n<p><strong>Relev\u00e2ncia social dos im\u00f3veis<\/strong><\/p>\n<p>Em forma de reduzir o impacto nefasto na vida dos inadimplentes, o relator apelou para a relev\u00e2ncia econ\u00f4mica e social do caso. Ele destacou impactos da execu\u00e7\u00e3o extrajudicial nos contratos de m\u00fatuo no mercado de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio. A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria permite, para Fux, avan\u00e7os no mercado imobili\u00e1rio. Isso, a partir do crescimento do volume de cr\u00e9dito e gera\u00e7\u00e3o de empregos no setor da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p><strong>O voto de Fachin<\/strong><\/p>\n<p>Fachin argumentou que a decis\u00e3o do STF traz consigo uma s\u00e9rie de implica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o apenas para os devedores e credores, mas tamb\u00e9m para o mercado imobili\u00e1rio e o debate sobre direitos fundamentais. Ent\u00e3o, ele destaca a complexidade de encontrar um equil\u00edbrio entre a prote\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 moradia e a estabilidade do mercado financeiro. A sociedade e o mercado acompanhar\u00e3o de perto os desdobramentos desta importante decis\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Andr\u00e9 Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portal da CUT ouviu advogado especialista em Direito Civil sobre o que diz a lei que prev\u00ea a\u00e7\u00e3o extrajudicial em casos de atraso no pagamento do financiamento de im\u00f3veis. \u201cRenegocia\u00e7\u00e3o \u00e9 o melhor caminho\u201d A recente decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) de confirmar a constitucionalidade da Lei 9.514 de 1997 que prev\u00ea a penhora [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34185,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[720],"class_list":["post-34184","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-casa-propria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34184","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34184"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34184\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34186,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34184\/revisions\/34186"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}