{"id":34453,"date":"2023-11-17T19:23:40","date_gmt":"2023-11-17T22:23:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=34453"},"modified":"2023-11-17T19:23:40","modified_gmt":"2023-11-17T22:23:40","slug":"media-anual-de-assassinatos-de-quilombolas-entre-2018-e-2022-e-quase-o-dobro-dos-10-anos-anteriores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/11\/17\/media-anual-de-assassinatos-de-quilombolas-entre-2018-e-2022-e-quase-o-dobro-dos-10-anos-anteriores\/","title":{"rendered":"M\u00e9dia anual de assassinatos de quilombolas entre 2018 e 2022 \u00e9 quase o dobro dos 10 anos anteriores"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>No per\u00edodo citado, foram 32 mortes registradas; levantamento comparou dados recentes com os registros entre 2008 e 2017<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00famero de quilombolas assassinados no pa\u00eds quase\u00a0dobrou, na m\u00e9dia anual, no per\u00edodo entre 2018 e 2022, quando comparado com os anos entre 2008 e 2017. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (17), na segunda edi\u00e7\u00e3o da pesquisa\u00a0<em>Racismo e Viol\u00eancia contra Quilombos no Brasil<\/em>, desenvolvida pela Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/05\/12\/coordenacao-nacional-quilombola-completa-25-anos-de-resistencia-e-luta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conaq<\/a>) e pela organiza\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunistas\/terra-de-direitos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terra de Direitos<\/a>.<\/p>\n<p>O mapeamento, que est\u00e1 dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/racismoeviolencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">neste link<\/a>,\u00a0apontou 32 assassinatos de integrantes de comunidades quilombolas no pa\u00eds entre 2018 e 2022, o que representa uma m\u00e9dia de 6,4 casos por ano. Nos dez anos anteriores (2008 a 2017) foram registradas 38 mortes, uma m\u00e9dia de 3,8.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo per\u00edodo, os 32 registros se espalham por 11 estados brasileiros, em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Cerca de 70% dos casos aconteceram em territ\u00f3rios n\u00e3o titulados. Entre as principais causas das mortes violentas est\u00e3o conflitos fundi\u00e1rios e viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>O per\u00edodo de aumento dos casos coincide quase totalmente com os anos de perman\u00eancia de Jair Bolsonaro (PL) na presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Eleito em 2018, ele governou entre 2019 e 2022, e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/10\/entenda-como-o-governo-bolsonaro-age-para-travar-a-titulacoes-de-terras-quilombolas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">atuou para estrangular o processo de titula\u00e7\u00e3o de terras para quilombolas<\/a>.<\/p>\n<p>De acordo com\u00a0Giv\u00e2nia da Silva,\u00a0integrante da coordena\u00e7\u00e3o da Conaq, \u00e9 poss\u00edvel fazer uma correla\u00e7\u00e3o entre a ascens\u00e3o de Bolsonaro e o aumento da viol\u00eancia contra quilombolas. &#8220;A postura de \u00f3dio contra os quilombolas empreendida pelo governo anterior, cumprindo assim a promessa de que n\u00e3o destinaria nem &#8220;um cent\u00edmetro [de terra] demarcado para reserva ind\u00edgena ou para quilombola&#8221;, e o esvaziamento da pol\u00edtica de titula\u00e7\u00e3o \u2013\u00a0com or\u00e7amento quase nulo \u2013 deixaram marcas que ainda perduram&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Para ela, houve tamb\u00e9m decis\u00f5es pr\u00e1ticas do governo de extrema direita para a piora dos \u00edndices. &#8220;Al\u00e9m de manifesta\u00e7\u00f5es pelo ex-presidente que autorizaram a pratica da viol\u00eancia contra comunidades, houve tamb\u00e9m medidas de est\u00edmulo e flexibiliza\u00e7\u00e3o de normas, como a de licenciamento ambiental, para explora\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios tradicionais por grileiros, mineradores, empreendimentos, entre outros.&#8221;<\/p>\n<p>Pelo menos 15 v\u00edtimas das mortes computadas pelo levantamento entre 2018 e 2022 eram lideran\u00e7as de suas comunidades. Eram os casos, por exemplo, de Juscelino Fernandes Diniz e Wanderson de Jesus Rodrigues Fernandes, pai e filho, que denunciavam o conflito agr\u00e1rio com grileiros na regi\u00e3o do Quilombo Cedro, em Arari (MA). Eles foram mortos em 5 de janeiro de 2020.<\/p>\n<p>Outra lideran\u00e7a assassinada foi Edvaldo Pereira da Rocha, do Quilombo do Jacarezinho, em S\u00e3o Jo\u00e3o do Soter (MA). Ele denunciava e exigia a expuls\u00e3o de invasores do territ\u00f3rio, e foi alvo de oito tiros quando estava em um bar. O crime aconteceu em 29 de abril de 2022.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o a alta nos casos de feminic\u00eddios. Das 32 pessoas cujos assassinatos s\u00e3o listados na pesquisa, nove s\u00e3o mulheres, e todas elas podem ter sido v\u00edtimas de seus companheiros ou ex-companheiros (em alguns casos os crimes n\u00e3o t\u00eam o julgamento definitivo).<\/p>\n<p>Entre as quilombolas v\u00edtimas de feminic\u00eddio est\u00e1\u00a0Elit\u00e2nia de Souza da Hora, do Quilombo Tabuleiro da Vit\u00f3ria, em Cachoeira (BA), morta por arma de fogo em 27 de novembro de 2019. O ex-companheiro Jos\u00e9 Alexandre Passos Goes \u00e9 o principal suspeito. Ela tinha uma medida protetiva contra Goes, filho de um juiz do tribunal baiano.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento da pesquisa acontece no marco de tr\u00eas meses da morte de Maria Bernadete Pac\u00edfico,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/18\/lideranca-quilombola-mae-bernadete-foi-assassinada-na-bahia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">assassinada em 17 de agosto deste ano<\/a>. M\u00e3e Bernadete, como era conhecida, era coordenadora da Conaq e lideran\u00e7a do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Sim\u00f5es Filho (BA). A morte dela n\u00e3o est\u00e1 computada no relat\u00f3rio, j\u00e1 que aconteceu em 2023 \u2013 ano em que houve pelo menos sete assassinatos de quilombolas, segundo dados preliminares.<\/p>\n<p>&#8220;O Estado brasileiro precisa tomar medidas imediatas para a prote\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as de todo o Brasil. \u00c9 dever do Estado garantir que haja uma investiga\u00e7\u00e3o c\u00e9lere e eficaz e que os respons\u00e1veis pelos crimes que t\u00eam vitimado as lideran\u00e7as desses quilombos e de tantos outros sejam devidamente responsabilizados. Queremos justi\u00e7a para honrar a mem\u00f3ria das nossas lideran\u00e7as perdidas, mas tamb\u00e9m para que possamos afirmar que, no Brasil, atos de viol\u00eancia contra quilombolas n\u00e3o ser\u00e3o tolerados&#8221;, disse o coordenador executivo da Conaq, Biko Rodrigues.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No per\u00edodo citado, foram 32 mortes registradas; levantamento comparou dados recentes com os registros entre 2008 e 2017 O n\u00famero de quilombolas assassinados no pa\u00eds quase\u00a0dobrou, na m\u00e9dia anual, no per\u00edodo entre 2018 e 2022, quando comparado com os anos entre 2008 e 2017. 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