{"id":34827,"date":"2023-12-11T16:00:40","date_gmt":"2023-12-11T19:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=34827"},"modified":"2023-12-11T16:00:40","modified_gmt":"2023-12-11T19:00:40","slug":"ibge-25-milhoes-de-mulheres-nao-buscam-emprego-para-cuidar-da-familia-e-da-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2023\/12\/11\/ibge-25-milhoes-de-mulheres-nao-buscam-emprego-para-cuidar-da-familia-e-da-casa\/","title":{"rendered":"IBGE: 2,5 milh\u00f5es de mulheres n\u00e3o buscam emprego para cuidar da fam\u00edlia e da casa"},"content":{"rendered":"<p><strong>O n\u00famero de homens que n\u00e3o trabalham por esses motivos, ao contr\u00e1rio das mulheres \u00e9 de apenas 80 mil, ou 4% do total<\/strong><\/p>\n<p>O papel de respons\u00e1vel pelos cuidados da casa e dos familiares, baseado num modelo de sociedade patriarcal, fez 2 milh\u00f5es de mulheres brasileiras desistirem de trabalhar e de construir uma carreira profissional. Outras 553 mil que procuravam emprego tamb\u00e9m mencionaram esses fatores como impeditivos para trabalhar . Ao todo, portanto, mais de 2,5 milh\u00f5es de mulheres n\u00e3o trabalharam em 2022 para cuidar de parentes ou de tarefas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Essas mulheres fazem parte do contingente de quase 7 milh\u00f5es, de idades entre 15 e 29 anos que n\u00e3o estudavam nem estavam ocupadas em 2022. Elas representam nada menos que 63,4% dos mais de 10,8 milh\u00f5es de brasileiros da mesma faixa et\u00e1ria que estavam nesta situa\u00e7\u00e3o no ano passado.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o da S\u00edntese de Indicadores Sociais 2023, estudo do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/novo-portal-destaques.html?destaque=38179\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)<\/a>, diuvlgados na \u00faltima quarta-feira (6), que faz uma an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira em 2023, incluindo mercado de trabalho, indicadores de rendimentos, condi\u00e7\u00f5es de moradia e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este trabalho invis\u00edvel e n\u00e3o remunerado de cuidados que envolve uma s\u00e9rie de atividades como a limpeza da casa, a compra de alimentos e atender as necessidades de crian\u00e7as ou idosos, sejam eles independentes ou n\u00e3o, na grande maioria das vezes exercido por mulheres consumiu domic\u00edlios cerca de 12,5 bilh\u00f5es de horas todos os dias.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo dado \u00e9 de um levantamento da Oxfam \u2013 uma confedera\u00e7\u00e3o de 19 organiza\u00e7\u00f5es e mais de 3000 parceiros, que atua em mais de 90 pa\u00edses na busca de solu\u00e7\u00f5es para o problema da pobreza, desigualdade e da injusti\u00e7a. \u201cO trabalho de presta\u00e7\u00e3o de cuidados \u00e9 o \u2018motor oculto\u2019 que mant\u00e9m em movimento as rodas das nossas economias, empresas e sociedades\u201d, destacou a entidade em seu relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos homens \u00e9 totalmente inversa. O n\u00famero dos que sa\u00edram do mercado de trabalho pela necessidade de cuidar da casa e da fam\u00edlia e, por isso n\u00e3o procuravam emprego foi de 80 mil, o que representa menos de 4% do total de mulheres na mesma situa\u00e7\u00e3o. O principal motivo alegado por eles foram os problemas de sa\u00fade, com 420 mil. Entre aqueles que queriam trabalhar, apenas 17 mil mencionaram quest\u00f5es dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica Nacional de Cuidados (PNC)<\/strong><\/p>\n<p>Esta invisibilidade do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/trabalhos-do-cuidado-e-desafio-para-o-brasil-be45\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalho de cuidados<\/a>\u00a0foi abordada em semin\u00e1rio realizado pelo Minist\u00e9rio da Mulher, de quarta (6) a quinta-feira (7), em Bras\u00edlia, com a presen\u00e7a de cerca de 200 pessoas, entre representantes do governo, movimentos sociais e pessoas da academia.<\/p>\n<p>O objetivo do evento foi trazer propostas para a Pol\u00edtica Nacional de Cuidados, para o qual um grupo de trabalho interministerial, com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias entidades, foi criado, e conta com representantes do movimento sindical banc\u00e1rio\u201d, destacou a secret\u00e1ria da Mulher da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Fernanda Lopes, que representa o movimento sindical banc\u00e1rio no GTI, como suplente de Neiva Ribeiro, a vice-presidenta da Uni Am\u00e9ricas Mulheres e presidenta do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, Osasco e Regi\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"image align-center\"><span class=\"dd-label\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>FERNANDA LOPES<\/span><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/assets.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/semin%C3%A1rio%20mulheres%20Fernanda%20Lopes%20Contraf.jpeg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckseminc3a1rio20mulh-620x465xfit-6e0e8.jpeg\" alt=\"Fernanda Lopes\" width=\"620\" height=\"465\" \/><\/a><figcaption>Semin\u00e1rio realizado em Bras\u00edlia\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cDe certa forma, n\u00f3s estamos falando de uma esp\u00e9cie de \u2018ind\u00fastria\u2019 muito valiosa no mundo, mas esquecida, que \u00e9 o trabalho de cuidado, t\u00e3o fundamental para o bem-estar humano e social. Ent\u00e3o, essa reflex\u00e3o foi aprofundada neste evento que n\u00e3o terminou em si mesmo, mas faz parte de um projeto mais amplo para que o pa\u00eds encontre sa\u00eddas para equalizar essa quest\u00e3o, reduzindo desigualdades\u201d, pontuou Fernanda Lopes.<\/p>\n<p><strong>As pautas do semin\u00e1rio foram divididas em pain\u00e9is de discuss\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Divis\u00e3o sexual do trabalho no Brasil: desafios para uma pol\u00edtica nacional de cuidados;<\/p>\n<p>O trabalho reprodutivo: impactos e significados na vida das mulheres e;<\/p>\n<p>Demandas por cuidado: desafios na elabora\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica nacional<\/p>\n<p><strong>O PNC<\/strong><\/p>\n<p>O governo Lula criou a Secretaria Nacional de Cuidados e Fam\u00edlia do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome (MDS), pasta respons\u00e1vel, ao lado do Minist\u00e9rio das Mulheres, de coordenar a pauta.<\/p>\n<p>Por decreto presidencial, no dia 30 de mar\u00e7o deste ano foi institu\u00eddo um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/participamaisbrasil\/marco-conceitual-da-politica-nacional-de-cuidados-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Grupo de Trabalho Interministerial (GTI),<\/a>\u00a0composto por 17 minist\u00e9rios, al\u00e9m do IBGE, IPEA e Fiocruz.<\/p>\n<p>Seu objetivo fundamental \u00e9 garantir o direito ao cuidado a todas as pessoas que o necessitem e o trabalho decente para as trabalhadoras e os trabalhadores do cuidado, considerando as desigualdades estruturais que caracterizam a sociedade brasileira em termos de g\u00eanero, classe, ra\u00e7a, etnia, territ\u00f3rio e ciclo de vida.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Rosely Rocha e Contraf-CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de homens que n\u00e3o trabalham por esses motivos, ao contr\u00e1rio das mulheres \u00e9 de apenas 80 mil, ou 4% do total O papel de respons\u00e1vel pelos cuidados da casa e dos familiares, baseado num modelo de sociedade patriarcal, fez 2 milh\u00f5es de mulheres brasileiras desistirem de trabalhar e de construir uma carreira profissional. 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