{"id":35457,"date":"2024-02-02T17:56:13","date_gmt":"2024-02-02T20:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=35457"},"modified":"2024-02-02T17:57:08","modified_gmt":"2024-02-02T20:57:08","slug":"brasil-de-fato-mostra-em-documentario-como-vivem-os-trabalhadores-do-cacau-esquecidos-pela-globo-em-renascer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/02\/02\/brasil-de-fato-mostra-em-documentario-como-vivem-os-trabalhadores-do-cacau-esquecidos-pela-globo-em-renascer\/","title":{"rendered":"Brasil de Fato mostra em document\u00e1rio como vivem os trabalhadores do cacau esquecidos pela Globo em Renascer"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>&#8216;Meeiros&#8217; \u00e9 um retrato da precariedade da vida das fam\u00edlias cacaueiras no sul da Bahia sob o dom\u00ednio de multinacionais<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a o \u00e1udio:<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-35457-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/01-02-24-DOCUMENTARIO-MEEIROS-DOUGLAS-MATOS-ajuste-ok.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/01-02-24-DOCUMENTARIO-MEEIROS-DOUGLAS-MATOS-ajuste-ok.mp3\">https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/01-02-24-DOCUMENTARIO-MEEIROS-DOUGLAS-MATOS-ajuste-ok.mp3<\/a><\/audio>\n<p>Por tr\u00e1s das intrigas de coron\u00e9is e as aventuras do amor entre Jos\u00e9 Inoc\u00eancio e Maria Santa em\u00a0<em>Renascer<\/em>, renomada novela da Globo lan\u00e7ada na \u00faltima semana, h\u00e1 um mundo de viola\u00e7\u00f5es trabalhistas n\u00e3o retratado. E o pior: sustentado por multinacionais que lucram bilh\u00f5es com a produ\u00e7\u00e3o do chocolate no Brasil.<\/p>\n<p>Produzido pelo\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>, o document\u00e1rio\u00a0<em>Meeiros<\/em>, dos rep\u00f3rteres Pedro Stropasolas e Vitor Shimomura, lan\u00e7ado nesta quinta-feira (1), \u00e0s 10h, mostra as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias rurais que produzem o cacau para a comercializa\u00e7\u00e3o do produto como commodity agr\u00edcola. E traz luz a uma realidade agravante: a estrutura da cadeia produtiva \u00e9 sustentada mundialmente por uma l\u00f3gica desumana e imoral, onde a escravid\u00e3o contempor\u00e2nea e o trabalho infantil s\u00e3o pr\u00e1ticas comuns nas zonas de cultivo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Meeiros - Um document\u00e1rio Brasil de Fato\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cTikHQfPWH4\" width=\"853\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cA fam\u00edlia produtora de cacau \u00e9 o principal ator nessa cadeia produtiva e, ao mesmo tempo, \u00e9 a principal v\u00edtima de um processo desumano. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave\u201d, conta Vitor Shimomura, um dos diretores.<\/p>\n<p>\u201cPor tr\u00e1s da produ\u00e7\u00e3o do cacau h\u00e1\u00a0enorme rastro de pobreza e desigualdade. \u00c9 isso que o document\u00e1rio Meeiros aborda. A riqueza do cacau e do chocolate n\u00e3o chega \u00e0s fam\u00edlias produtoras. Se paga muito mal pelo cacau e as fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de qualificar sua produ\u00e7\u00e3o a ponto de escapar da rela\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria com as moageiras e atravessadores\u201d, completa Shimomura.<\/p>\n<p><strong>A crise do cacau<\/strong><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o sul da Bahia, o colapso socioecon\u00f4mico provocado pela incid\u00eancia do fungo Vassoura-de-Bruxa nas \u00e1reas de cultivo, a partir de 1989, imp\u00f4s uma nova configura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho na cadeia produtiva. Para manterem as terras, muitos produtores entregaram as fazendas devastadas pela praga para o zelo dos meeiros do cacau, por meio de contratos de parceria agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Quem menos sentiu a crise foram as multinacionais que controlam a cadeia produtiva de cacau e chocolate. Pelo contr\u00e1rio, elas ampliaram seu dom\u00ednio sobre a produ\u00e7\u00e3o mundial no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Da d\u00e9cada de 1980 at\u00e9 os dias atuais, segundo um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/wcmsp5\/groups\/public\/---americas\/---ro-lima\/---ilo-brasilia\/documents\/publication\/wcms_817094.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio de an\u00e1lise situacional produzido pela ONG Papel Social e lan\u00e7ado pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho<\/a>, em 2018, o percentual do valor de uma barra de chocolate que permanece com o trabalhador rural foi reduzido em 62%.<\/p>\n<p>Esse dado mostra o papel do oligop\u00f3lio estrangeiro para agravar a pobreza na Bahia e no Par\u00e1, estados que respondem por 90% da produ\u00e7\u00e3o de cacau brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cMeeiros fala sobre a cadeia do cacau, mas \u00e9 um retrato de como se estrutura a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0dentro do agroneg\u00f3cio brasileiro. Um modelo colonial, e altamente dependente do capital estrangeiro\u201d, analisa Pedro Stropasolas, que tamb\u00e9m assina a dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A cadeia produtiva<\/strong><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/68fd84bcace05e2ba4282c44823561d8.webp\" \/><br \/>\nBarry Callebaut, Cargill e Olam Brasil processam em Ilh\u00e9us (BA) mais de 90% do cacau produzido no pa\u00eds \/ Pedro Stropasolas e Vitor Shimomura<\/p>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas as moageiras estrangeiras que dominam o mercado de processamento da am\u00eandoa do cacau: a belga Barry Callebaut, a cingapuriana Olam Cocoa e a norte-americana Cargill. As tr\u00eas multinacionais processam em Ilh\u00e9us (BA) mais de 90% do cacau produzido no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Das moageiras, \u00e9 produzido a manteiga e o p\u00f3 de cacau, mat\u00e9rias-primas para a confec\u00e7\u00e3o do chocolate pelas grandes marcas do varejo. Tamb\u00e9m estrangeiras, Nestl\u00e9 e Mondelez dominam esse mercado, e s\u00e3o respons\u00e1veis por dois ter\u00e7os do chocolate consumido pela popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O cacau colhido pelos meeiros chega \u00e0s tr\u00eas moageiras por meio de atravessadores. Essa comercializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 monitorada, e as vendas, em boa parte dos casos, ocorrem de modo informal.\u00a0 \u00c9 neste cen\u00e1rio de pouca fiscaliza\u00e7\u00e3o, em \u00e1reas rurais esquecidas da Costa do Cacau, onde as viola\u00e7\u00f5es trabalhistas ocorrem, e onde as grava\u00e7\u00f5es de Meeiros foram feitas.<\/p>\n<p>O enredo do document\u00e1rio tem como eixo central a hist\u00f3ria de tr\u00eas fam\u00edlias de trabalhadores rurais que vivem em Ilh\u00e9us e Uru\u00e7uca. No per\u00edodo de grava\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio de 2018, ano de seca e baixa colheita, as fam\u00edlias de Dermeval, Rob\u00e9rio e Biro n\u00e3o conseguiam alcan\u00e7ar um sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal para o sustento familiar.<\/p>\n<p>\u201cO pre\u00e7o pago pelos intermedi\u00e1rios \u00e9 t\u00e3o baixo que as fam\u00edlias n\u00e3o conseguem pagar as contas no fim do m\u00eas. Na pr\u00e1tica, o que vemos \u00e9 que o contrato de mea\u00e7\u00e3o ou parceria \u00e9 usado para maquiar a rela\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00f5es de direitos\u201d, pontua Vitor Shimomura.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/082df2595416eb7ac7e68a4cad742d76.webp\" \/><br \/>\nRob\u00e9rio e fam\u00edlia: dupla jornada como meeiro no cacau e na seringa n\u00e3o s\u00e3o suficientes\u00a0para uma renda maior que um sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal \/ Pedro Stropasolas e Vitor Shimomura<\/p>\n<p><strong>Lucros e receita em meio ao trabalho escravo e infantil<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 8 mil crian\u00e7as e adolescentes brasileiras trabalham nas zonas de cultivo do cacau.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ao menos 148 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo em fazendas de cacau nos \u00faltimos 15 anos, s<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/08\/chocolate-com-trabalho-escravo-as-violacoes-trabalhistas-na-industria-do-cacau-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">egundo levantamento da Rep\u00f3rter Brasil.\u00a0<\/a>A ampla maioria destes trabalhadores eram meeiros do cacau.<\/p>\n<p>Enquanto isso no mundo dos neg\u00f3cios, a Nestl\u00ea teve um lucro operacional de 7,9 bilh\u00f5es de francos su\u00ed\u00e7os somente no primeiro semestre de 2023. J\u00e1 o lucro l\u00edquido da Cargill em 2022, somente em suas opera\u00e7\u00f5es no Brasil, foi de R$1,2 bilh\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/agronegocios\/noticia\/2023\/04\/27\/com-receita-de-r-126-bi-cargill-bate-recorde.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">segundo an\u00fancio da pr\u00f3pria empresa.\u00a0<\/a><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/197e379ead2c8a08e5ccc6e0b9ca645b.webp\" \/><br \/>\nMeeiro por anos, Biro hoje conseguiu ser fichado, mas vive com a fam\u00edlia em uma antiga fazenda sem energia el\u00e9trica \/ Pedro Stropasolas e Vitor Shimomura<\/p>\n<p>Em 2023, a Cargill,\u00a0 que possui em Ilh\u00e9us (BA) sua maior unidade de moagem do cacau da Am\u00e9rica Latina,\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ba\/bahia\/noticia\/2023\/09\/27\/empresa-e-condenada-em-r-600-mil-por-permitir-trabalho-infantil-e-em-condicoes-de-escravidao-em-producao-de-cacau-na-bahia.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foi condenada por permitir o trabalho infantil e a escraviza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o cacaueira em cidades da Bahia.\u00a0<\/a><\/p>\n<p>\u201cNada \u00e9 feito de concreto para mudar este cen\u00e1rio. A cadeia produtiva do cacau, na forma como est\u00e1 estruturada, \u00e9 confort\u00e1vel para quem est\u00e1 no topo. N\u00e3o h\u00e1 qualquer interesse em monitorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho de quem colhe o cacau usado para produzir o chocolate\u201d, finaliza Pedro Stropasolas, um dos diretores de Meeiros.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Meeiros&#8217; \u00e9 um retrato da precariedade da vida das fam\u00edlias cacaueiras no sul da Bahia sob o dom\u00ednio de multinacionais Ou\u00e7a o \u00e1udio: Por tr\u00e1s das intrigas de coron\u00e9is e as aventuras do amor entre Jos\u00e9 Inoc\u00eancio e Maria Santa em\u00a0Renascer, renomada novela da Globo lan\u00e7ada na \u00faltima semana, h\u00e1 um mundo de viola\u00e7\u00f5es trabalhistas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35458,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[1154],"class_list":["post-35457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-meeiros-do-cacau"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35457"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35457\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35461,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35457\/revisions\/35461"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}