{"id":35501,"date":"2024-02-07T18:13:52","date_gmt":"2024-02-07T21:13:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=35501"},"modified":"2024-02-07T18:13:52","modified_gmt":"2024-02-07T21:13:52","slug":"artigo-queda-da-participacao-dos-salarios-no-pib-brasileiro-desde-2016-foi-o-resultado-do-golpe-do-capital-contra-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/02\/07\/artigo-queda-da-participacao-dos-salarios-no-pib-brasileiro-desde-2016-foi-o-resultado-do-golpe-do-capital-contra-o-trabalho\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Queda da participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB brasileiro desde 2016 foi o resultado do golpe do capital contra o trabalho"},"content":{"rendered":"<p><strong>Aquilo que os economistas caracterizam como distribui\u00e7\u00e3o funcional da renda \u2013 dada pela distribui\u00e7\u00e3o da renda entre trabalho, capital e Estado \u2013 piorou sensivelmente no Brasil ao longo dos \u00faltimos anos, com o aumento da renda apropriado pelos capitalistas, de um lado, e arrocho dos sal\u00e1rios e corte dos gastos p\u00fablicos do outro.<\/strong><\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB (Produto Interno Bruto), despencou 12,9% em cinco anos, o pior resultado em 16 anos. A parte do produto apropriada pela classe trabalhadora vem caindo desde 2016, quando correspondeu a 35,5% do PIB. Em 2021, este percentual foi de apenas 31%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE).<\/p>\n<p><strong>Lucros disparam<\/strong><\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, a participa\u00e7\u00e3o dos lucros auferidos pelos capitalistas no PIB subiu de 32,3% para 37,5%, um crescimento de 16% entre 2016 e 2021.<br \/>\nAo comentar a informa\u00e7\u00e3o, o presidente do IBGE, M\u00e1rcio Pochmann observou que nela transparece a revers\u00e3o da tend\u00eancia de aumento da participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB observada entre 2004 e 2016, ou seja nos governos Lula e Dilma, quando a renda apropriada pela classe trabalhadora cresceu principalmente em fun\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>\u201cA constru\u00e7\u00e3o lenta e dif\u00edcil que por 12 anos levou para mudar positivamente o peso da renda do trabalho no PIB foi r\u00e1pida e abruptamente desmontada nos \u00faltimos anos de regress\u00e3o neoliberal. O que terminou por recolocar novamente o Brasil entre os pa\u00edses de baixos sal\u00e1rios, empregos precarizados e de multid\u00f5es de sobrantes e sem destino\u201d, comentou o economista.<\/p>\n<p>Entre 2004 e 2016, a participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB cresceu 16,3%, saindo de 30,6% para 35,67%. Por outro lado, nesse per\u00edodo, a participa\u00e7\u00e3o dos lucros capitalistas caiu 6,6%, passando de 34,6% para 32,3% do PIB. Este foi um bom motivo para a deposi\u00e7\u00e3o da presidenta Dilma do ponto de vista capitalista.<\/p>\n<p><strong>Golpe do capital contra o trabalho<\/strong><\/p>\n<p>As estat\u00edsticas do IBGE corroboram e, mais que isto, conduzem \u00e0 conclus\u00e3o de que o golpe de Estado travestido de impeachment que levou o usurpador Michel Temer \u00e0 Presid\u00eancia (e abriu caminho para a elei\u00e7\u00e3o do fascista Jair Bolsonaro) foi, em ess\u00eancia, um golpe do capital contra o trabalho, que enfraqueceu os sindicatos e afetou profunda e negativamente a distribui\u00e7\u00e3o funcional da renda e as desigualdades sociais no pa\u00eds, assim como a soberania, a economia e a nova din\u00e2mica do desenvolvimento nacional ensaiada pelos governos petistas.<\/p>\n<p>Como denunciaram os cr\u00edticos \u00e0 \u00e9poca, inclusive in\u00fameras lideran\u00e7as sindicais, a reforma trabalhista aprovada no governo Temer, a terceiriza\u00e7\u00e3o generalizada e o nefasto Teto do Gasto (EC 95) s\u00f3 poderiam produzir arrocho dos sal\u00e1rios, maior precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas e dos servi\u00e7os p\u00fablicos, enfraquecimento do mercado interno, estagna\u00e7\u00e3o e crescimento do desemprego.<\/p>\n<p>N\u00e3o deu outro resultado. N\u00e3o se pode dizer que o objetivo dos golpistas n\u00e3o foi alcan\u00e7ado, embora na ret\u00f3rica eles tenham dourado a p\u00edlula afirmando que as reformas neoliberais modernizariam o mercado de trabalho, gerariam milh\u00f5es de emprego, resolveriam a crise econ\u00f4mica e trariam muitos benef\u00edcios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Escravid\u00e3o contempor\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<p>A extens\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e0s chamadas atividades-fim facilitou a superexplora\u00e7\u00e3o dos assalariados e redundou na multiplica\u00e7\u00e3o dos casos de trabalho an\u00e1logo ao escravo, uma vergonha nacional.<\/p>\n<p>As fortes restri\u00e7\u00f5es \u00e0s despesas p\u00fablicas funcionaram como lenha na fogueira da recess\u00e3o, pressionando para baixo a taxa de investimentos al\u00e9m de reduzirem as verbas destinadas \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, infraestrutura e habita\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio piorou ap\u00f3s a emerg\u00eancia da pandemia, a desocupa\u00e7\u00e3o massiva (que enfraquece o poder de negocia\u00e7\u00e3o dos trabalhadores), a reforma da Previd\u00eancia e outras iniciativas do governo Bolsonaro contra a classe trabalhadora, incluindo reiteradas tentativas de instituir a chamada carteira verde amarelo, \u00e0 margem dos direitos e garantias previstas na CLT.<\/p>\n<p><strong>Na contram\u00e3o do desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>O arrocho dos sal\u00e1rios, embora defendido e perseguido pelos patr\u00f5es, vai na contram\u00e3o dos interesses maiores da sociedade brasileira e da economia, conforme alertou o professor Pedro Paulo Zahuth Bastos, do Instituto de Economia da Universidade Estadual da Campinas (Unicamp), em entrevista \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/economia\/2024\/02\/participacao-dos-salarios-no-pib-brasileiro-caiu-12-em-cinco-anos\/\">Ag\u00eancia Brasil.<\/a><\/p>\n<p>\u201cQuanto maior a renda do PIB gerado que vai para os trabalhadores, maior vai ser o gasto e, consequentemente, maior vai ser o mercado interno do Brasil. E quanto maior for o mercado interno, maior vai ser o incentivo para que aqueles lucros dos capitalistas sejam investidos para aumentar a produ\u00e7\u00e3o\u201d, destacou.<br \/>\nPara Bastos, o aumento do excedente das empresas n\u00e3o ser\u00e1 necessariamente reinvestido nas atividades que geram emprego. \u201cSe eles tiverem mais lucro, mas n\u00e3o tiver mercado, eles v\u00e3o simplesmente comprar ativos financeiros [como t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica]\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>\u201c[A redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB] \u00e9 ruim tanto do ponto de vista da sociedade, da sa\u00fade p\u00fablica, do bem-estar social, da paz social, da criminalidade, da viol\u00eancia, quanto \u00e9 ruim tamb\u00e9m para o crescimento econ\u00f4mico\u201d, finalizou.<br \/>\nOs interesses e a vis\u00e3o dos capitalistas sobre o tema n\u00e3o est\u00e3o em sintonia com a ci\u00eancia e tampouco favorecem o desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p>Em contraposi\u00e7\u00e3o, a classe trabalhadora, que afinal \u00e9 quem produz o PIB, continua e vai continuar lutando diuturnamente por melhores sal\u00e1rios e pelo desenvolvimento nacional soberano e livre das desigualdades.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br\/Adilson Ara\u00fajo, presidente da CTB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aquilo que os economistas caracterizam como distribui\u00e7\u00e3o funcional da renda \u2013 dada pela distribui\u00e7\u00e3o da renda entre trabalho, capital e Estado \u2013 piorou sensivelmente no Brasil ao longo dos \u00faltimos anos, com o aumento da renda apropriado pelos capitalistas, de um lado, e arrocho dos sal\u00e1rios e corte dos gastos p\u00fablicos do outro. 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