{"id":35511,"date":"2024-02-07T18:24:16","date_gmt":"2024-02-07T21:24:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=35511"},"modified":"2024-02-07T18:24:16","modified_gmt":"2024-02-07T21:24:16","slug":"politicas-contrarias-ao-trabalhador-diminuiram-participacao-dos-salarios-no-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/02\/07\/politicas-contrarias-ao-trabalhador-diminuiram-participacao-dos-salarios-no-pib\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas contr\u00e1rias ao trabalhador diminu\u00edram participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pesquisa IBGE mostra que a participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no crescimento da economia do pa\u00eds caiu 12,9% desde 2016. Vice-presidenta da CUT Nacional responsabiliza os governos Temer e Bolsonaro que retiraram direitos<\/strong><\/p>\n<p>O volume da participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios dos trabalhadores no Produto Interno Bruto (PIB), caiu 12,9% em cinco anos. Como o PIB varia ano a ano, em 2016, o valor da massa salarial em compara\u00e7\u00e3o com o PIB representava 35,5%, e em 2021 essa compara\u00e7\u00e3o despencou para 31%. Foi o pior resultado em 16 anos. No mesmo per\u00edodo a participa\u00e7\u00e3o do excedente operacional bruto das empresas, valor de onde as companhias extraem o lucro, aumentou de 32,3% para 37,5%, representando um crescimento de 16% entre 2016 e 2021.<\/p>\n<p>Os dados da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), revelam o que a CUT vem denunciando desde que come\u00e7aram os preparativos do golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2015. Para os dirigentes cutistas, o impeachment, aprovado no ano seguinte, foi orquestrado para retirar direitos dos trabalhadores, achatar sal\u00e1rios e impor uma agenda econ\u00f4mica neoliberal que privilegia os ricos.<\/p>\n<p>A vice-presidenta da CUT Nacional, Juvandia Moreira, cita algumas medidas econ\u00f4micas dos governos de Michel Temer (MDB), e aprofundadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), que impactaram na queda de renda do trabalhador, o que agora come\u00e7a a ser retomada com a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/lula-sanciona-politica-de-valorizacao-do-salario-minimo-e-aumento-da-isencao-do-9f35\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo\u00a0<\/a>promovida pelo presidente Lula (PT).<\/p>\n<p>\u201cDesde 2016 que a gente teve uma s\u00e9rie de medidas tomadas pelos governos anteriores que resultaram no aumento da desigualdade social e em preju\u00edzo para classe trabalhadora. Um deles \u00e9 a reforma trabalhista, que precarizou as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, enfraqueceu a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, criou a possibilidade de terceirizar tudo e pejotizar.\u201d, afirma Juvandia.<\/p>\n<p>Sobre o impacto da massa salarial na participa\u00e7\u00e3o do PIB, a t\u00e9cnica do Departamento Intersindical de Estudos e Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), Adriana Marcolino, concorda que o fim da valoriza\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo, em 2019, que s\u00f3 voltou no ano passado com Lula, ajudou a reduzir os ganhos dos trabalhadores,<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s o t\u00e9rmino da pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que teve o \u00faltimo reajuste em 2019, a massa salarial teve uma queda expressiva\u201d, diz Adriana.<\/p>\n<p>No quadro abaixo \u00e9 poss\u00edvel verificar a massa salarial desde 2014. Os primeiros trimestres s\u00e3o impactados pelo valor de reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/assets.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/massa%20salarial.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckmassa20salarialjpg-693x534xfit-5505f.jpg\" alt=\"\" width=\"693\" height=\"534\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Desemprego<\/strong><\/p>\n<p>A t\u00e9cnica do Dieese lembra que o per\u00edodo foi afetado por outros fatores como a pandemia, o baixo crescimento econ\u00f4mico com a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas de emprego, com a desregulamenta\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. Tamb\u00e9m houve um crescimento da informalidade, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do per\u00edodo da pandemia, por conta de um desajuste no mercado de trabalho no per\u00edodo de isolamento social, quando os informais n\u00e3o podiam &#8220;ir pra rua&#8221; para trabalhar. Al\u00e9m de todos esses fatores, o desemprego influenciou muito na perda da massa salarial<\/p>\n<p>Em 2014 a taxa de desemprego era de 7%, o menor \u00edndice j\u00e1 registrado no pa\u00eds e praticamente dobrou em 2017, ficando em 12,7%, se tornando o maior \u00edndice desde a s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 2012. No ano passado a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/taxa-media-de-desemprego-cai-para-7-8-em-2023-o-menor-patamar-em-nove-anos-4395#:~:text=Taxa%20m%C3%A9dia%20de%20desemprego%20cai,CUT%20%2D%20Central%20%C3%9Anica%20dos%20Trabalhadores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">taxa do desemprego ficou em 7,8%<\/a><\/p>\n<p>\u201cQuando \u2018sobra\u2019 um n\u00famero maior de trabalhadores no mercado, s\u00e3o oferecidas condi\u00e7\u00f5es salariais piores. E todo o processo da recess\u00e3o econ\u00f4mica de 2015, acabou tamb\u00e9m por diminuir os reajustes salariais negociados em conven\u00e7\u00f5es coletivas que, ou ficaram abaixo da infla\u00e7\u00e3o, ou tiveram resultados p\u00edfios\u201d, explica Adriana Marcolino.<\/p>\n<p>Ao comentar o dado, o presidente do IBGE, M\u00e1rcio Pochmann, argumentou que ele mostra a revers\u00e3o da tend\u00eancia de aumento da participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB observada entre 2004 e 2016.<\/p>\n<p>\u201cA constru\u00e7\u00e3o lenta e dif\u00edcil que por 12 anos levou para mudar positivamente o peso da renda do trabalho no PIB foi r\u00e1pida e abruptamente desmontada nos \u00faltimos anos de regress\u00e3o neoliberal. O que terminou por recolocar novamente o Brasil entre os pa\u00edses de baixos sal\u00e1rios, empregos precarizados e de multid\u00f5es de sobrantes e sem destino\u201d, disse em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Entre 2004 e 2016, a participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB cresceu 16,3%, saindo de 30,6% para 35,67%. Por outro lado, nesse per\u00edodo, a participa\u00e7\u00e3o do excedente operacional bruto das empresas caiu 6,6%, passando de 34,6% para 32,3% do PIB.<\/p>\n<p><strong>Juros altos e super-ricos<\/strong><\/p>\n<p>Juvandia, que tamb\u00e9m \u00e9 presidenta da Contraf-CUT, tem acompanhado de perto a quest\u00e3o dos juros altos praticados pelo Banco Central (BC), e acredita que a taxa Selic tamb\u00e9m \u00e9 igualmente respons\u00e1vel pela queda da participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB (a soma de todas as riquezas do pa\u00eds). O BC se tornou independente em 2021 e, portanto, o atual governo n\u00e3o tem como interferir na taxa dos juros praticados no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cAs taxas de juros impostas por Roberto Campos Neto [presidente do BC], impedem, inclusive, os investimentos social e p\u00fablico\u201d, diz Juvandia.<\/p>\n<p>A dirigente lista ainda como causas dessa situa\u00e7\u00e3o, o Teto de Gastos P\u00fablicos, que congelou por 20 anos (at\u00e9 2036), os investimentos p\u00fablicos. Hoje o governo federal criou o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/entenda-o-que-e-para-que-serve-e-o-que-o-arcabouco-fiscal-tem-a-ver-com-sua-vida-d044#:~:text=A%20regra%20do%20arcabou%C3%A7o%20fiscal,seus%20gastos%20em%20n%C3%ADveis%20est%C3%A1veis.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">arcabou\u00e7o fiscal<\/a>\u00a0como uma forma de minimizar os cortes nos investimentos.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Esse discurso de que n\u00e3o pode ter d\u00e9ficit fiscal, n\u00e3o ter investimento p\u00fablico, \u00e9 um discurso que se continuar a ser feito, o Brasil n\u00e3o cresce e o trabalhador n\u00e3o aumenta a sua renda. Por isso, n\u00f3s precisamos rever a reforma Trabalhista, reduzir os juros, ter investimento p\u00fablico, tributar lucros e dividendos e os super-ricos<\/p>\n<footer>&#8211; Juvandia Moreira<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/super-ricos-ficaram-31-mais-ricos-no-governo-bolsonaro-enquanto-pobreza-aumentou-387e\">super-ricos ficaram 31% mais ricos<\/a>\u00a0no governo Bolsonaro, enquanto a pobreza aumentou 22,7%.<\/p>\n<p>\u201cAgora, ela prossegue, o governo est\u00e1 mandando uma proposta de mudan\u00e7a na tabela do imposto de renda e quer tributar os lucros e dividendos, para que o percentual de participa\u00e7\u00e3o dos ricos e super-ricos seja maior na arrecada\u00e7\u00e3o e, para que o trabalhador e o governo possam investir e gerar emprego e renda para esses trabalhadores\u201d, conclui Juvandia.<\/p>\n<p>Os dados do IBGE tamb\u00e9m incluem a vari\u00e1vel \u201cremunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores\u201d que, al\u00e9m dos sal\u00e1rios, incluem as contribui\u00e7\u00f5es sociais pagas pelos empregadores e governo por pessoa empregada. O indicador sal\u00e1rio \u00e9 destacado pelo fato de as contribui\u00e7\u00f5es n\u00e3o serem usufru\u00eddas diretamente pelas fam\u00edlias dos trabalhadores.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa IBGE mostra que a participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no crescimento da economia do pa\u00eds caiu 12,9% desde 2016. Vice-presidenta da CUT Nacional responsabiliza os governos Temer e Bolsonaro que retiraram direitos O volume da participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios dos trabalhadores no Produto Interno Bruto (PIB), caiu 12,9% em cinco anos. 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