{"id":36096,"date":"2024-03-25T16:22:14","date_gmt":"2024-03-25T19:22:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=36096"},"modified":"2024-03-25T16:22:14","modified_gmt":"2024-03-25T19:22:14","slug":"artigo-a-epidemia-de-dengue-e-a-falta-de-medicos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/03\/25\/artigo-a-epidemia-de-dengue-e-a-falta-de-medicos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A epidemia de dengue e a \u2018falta\u2019 de m\u00e9dicos no Brasil"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_36097\" aria-describedby=\"caption-attachment-36097\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36097\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1-6-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1-6-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/1-6.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-36097\" class=\"wp-caption-text\">Marcos Verlaine<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O Brasil n\u00e3o \u00e9 para amadores, diz o ditado popular. E n\u00e3o \u00e9 mesmo. Neste instante, o Pa\u00eds vive epidemia de dengue, em plena d\u00e9cada de 20, do s\u00e9culo 21. Segundo mat\u00e9ria da Ag\u00eancia Brasil, de sexta-feira (22), o \u201cMinist\u00e9rio da Sa\u00fade contabiliza mais de 2 milh\u00f5es de casos de dengue no Brasil em 2024.\u201d<sup>1<\/sup><\/strong><\/p>\n<p>\u201cDo total de 2.010.896 casos prov\u00e1veis, 682 resultaram em morte \u2014 n\u00famero que pode aumentar, uma vez que h\u00e1 ainda 1.042 \u00f3bitos em investiga\u00e7\u00e3o. De acordo com balan\u00e7o divulgado pelo minist\u00e9rio, o coeficiente de incid\u00eancia da doen\u00e7a est\u00e1 em 990,3 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.\u201d<\/p>\n<p>Em mat\u00e9ria publicada no Correio Braziliense, deste s\u00e1bado (23), \u201cFaltam m\u00e9dicos na rede p\u00fablica de sa\u00fade\u201d, no jornal impresso, e \u201cIbaneis Rocha [governador] reconhece que faltam m\u00e9dicos na rede p\u00fablica de sa\u00fade\u201d<sup>2<\/sup>, no on-line do ve\u00edculo, mostra o caos da sa\u00fade p\u00fablica da capital federal, onde a renda per capta \u00e9 a mais alta do Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com a mat\u00e9ria, de janeiro at\u00e9 aqui \u201cos casos cresceram 461%. De janeiro at\u00e9 agora morreram 152 pessoas e outras 162.665 foram infectadas, de acordo com dados do boletim epidemiol\u00f3gico publicado ontem [sexta-feira] pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Segundo especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Senado, a \u201csitua\u00e7\u00e3o \u00e9 alarmante porque o pico da dengue ainda n\u00e3o chegou \u2014 normalmente \u00e9 em abril \u2014 e a doen\u00e7a pode levar \u00e0 morte. \u201cEles apontam que os cidad\u00e3os em geral tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis e que o poder p\u00fablico \u2014 embora isso nem sempre seja t\u00e3o evidente \u2014 tem parcela grande de culpa pela atual epidemia.\u201d<strong><sup>3<\/sup><\/strong><\/p>\n<p><strong>Ibaneis Rocha n\u00e3o sabe como resolver<\/strong><br \/>\nNa mat\u00e9ria do Correio, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB) diz que n\u00e3o sabe como resolver o problema, que afeta a sa\u00fade p\u00fablica como um todo.<\/p>\n<p>\u201cO governador Ibaneis Rocha afirmou ontem [sexta-feira], que o DF vive uma crise em todos os hospitais p\u00fablicos e privados por conta da epidemia de dengue. O governador admitiu a exist\u00eancia de um d\u00e9ficit grande de m\u00e9dicos que o governo local n\u00e3o est\u00e1 conseguindo suprir\u201d, est\u00e1 escrito na mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o encontramos esses profissionais para contratar. Para voc\u00eas terem uma ideia, de uns 60 m\u00e9dicos que n\u00f3s convocamos no m\u00eas passado, somente 8 assumiram na rede p\u00fablica. Ent\u00e3o, \u00e9 um problema muito s\u00e9rio. N\u00f3s precisamos encontrar uma maneira [de resolver]\u201d.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o foi durante a inaugura\u00e7\u00e3o da nova sede do 8\u00ba Grupamento de Bombeiro Militar, em Ceil\u00e2ndia, cidade do DF.<\/p>\n<p><strong>Pa\u00eds \u2018sem m\u00e9dicos\u2019 suficientes<\/strong><br \/>\nEste \u00e9 o problema. E o Estado brasileiro, tudo indica, n\u00e3o se interessa em resolver. Isto, porque, a falta de m\u00e9dicos, sobretudo no interior do Brasil, n\u00e3o afeta a elite econ\u00f4mica, os ricos. Aqui, quem \u00e9 rico n\u00e3o tem problema com nenhuma das mazelas brasileiras: sa\u00fade prec\u00e1ria e desassistida, educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica abandonada, inseguran\u00e7a, viol\u00eancia urbana, desemprego, entre outros.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o do governador do DF \u00e9 a senha para a constata\u00e7\u00e3o de que o Estado n\u00e3o tem interesse em resolver esse e outros graves problemas sociais.<\/p>\n<p>At\u00e9 que o governo da ex-presidente Dilma tentou enfrentar e resolver ou amenizar o problema, ainda que de forma prec\u00e1ria, com a cria\u00e7\u00e3o do Programa Mais M\u00e9dicos, criado em 8 de julho de 2013, cujo objetivo era suprir a car\u00eancia de m\u00e9dicos nos munic\u00edpios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil.<\/p>\n<p>O programa levou 15 mil m\u00e9dicos para as \u00e1reas onde faltavam profissionais. Foi duramente criticado pela m\u00eddia e pelos m\u00e9dicos brasileiros, que comp\u00f5em certa casta de profissionais no Pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Falta m\u00e9dicos no interior do Brasil<\/strong><br \/>\n\u201cO atendimento m\u00e9dico no Brasil vive atualmente infame contradi\u00e7\u00e3o: embora se formem cada vez mais profissionais por ano, a sa\u00fade p\u00fablica ainda carece de atendentes &#8211; principalmente em hospitais p\u00fablicos do interior\u201d<strong><sup>4<\/sup><\/strong>, chama aten\u00e7\u00e3o o portal Soul Medicina.<\/p>\n<p>\u201cEmbora iniciativas como o Mais M\u00e9dicos tenham melhorado a falta de m\u00e9dicos em munic\u00edpios menores, mais da metade dos doutores ainda est\u00e3o concentrados nas capitais brasileiras.<\/p>\n<p>Nacionalmente, a m\u00e9dia \u00e9 de 2,18 m\u00e9dicos para cada mil habitantes, o que cumpre a recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade \u2014 1 atendente por 1 mil habitantes. Contudo, essa raz\u00e3o difere muito entre capital e outros munic\u00edpios do mesmo estado.<\/p>\n<p><strong>Qual a solu\u00e7\u00e3o para \u2018falta\u2019 de m\u00e9dicos<\/strong><br \/>\nO problema tem solu\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 preciso ter coragem para enfrentar essa quest\u00e3o, que \u00e9 estrutural. H\u00e1 exemplos no mundo. E, talvez, o do Reino Unido seja o mais interessante. Como o Estado brit\u00e2nico resolveu esse problema?<\/p>\n<p>No Reino Unido, depois de formado, o m\u00e9dico deve prestar 2 anos de servi\u00e7os no NHS (National Health Service)<strong><sup>5<\/sup><\/strong>\u00a0ou Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade<sup><strong>6<\/strong><\/sup>. Trata-se, do SUS brit\u00e2nico, refer\u00eancia mundial, que orgulha o povo do Reino Unido.<\/p>\n<p>O NHS \u00e9 formado por rede de cl\u00ednicas e hospitais p\u00fablicos. Nesses, os residentes s\u00e3o atendidos gratuitamente.<\/p>\n<p><strong>2 anos de servi\u00e7os no NHS<\/strong><br \/>\nNo Reino Unido, o m\u00e9dico deve realizar 2 anos do Foundation Programme \u2014 programa estruturado de 2 anos de aprendizado no local de trabalho para m\u00e9dicos juniores que forma ponte entre a faculdade de medicina e o treinamento especializado \u2014 para iniciar o treinamento como especialista em qualquer \u00e1rea que tenha interesse.<\/p>\n<p>Ao final do primeiro ano, o FY1, o m\u00e9dico recebe a full licence (licen\u00e7a completa).<\/p>\n<p>Talvez seria como se ap\u00f3s a gradua\u00e7\u00e3o no Brasil, o CFM requeresse 2 anos no SUS de forma supervisionada, para demonstrar capacita\u00e7\u00e3o e prosseguir com qualquer treinamento. A diferen\u00e7a \u00e9 que tanto estes 2 anos quanto os pr\u00f3ximos anos, todos ser\u00e3o baseados no Reino Unido.<\/p>\n<p>www.diap.org.br\/Marcos Verlaine, jornalista, analista pol\u00edtico e assessor parlamentar do Diap<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 para amadores, diz o ditado popular. E n\u00e3o \u00e9 mesmo. Neste instante, o Pa\u00eds vive epidemia de dengue, em plena d\u00e9cada de 20, do s\u00e9culo 21. 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