{"id":36356,"date":"2024-04-22T18:28:34","date_gmt":"2024-04-22T21:28:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=36356"},"modified":"2024-04-22T18:31:32","modified_gmt":"2024-04-22T21:31:32","slug":"futuro-interrompido-como-o-golpe-de-1964-freou-o-avanco-da-reforma-agraria-no-brasil-e-permitiu-a-expansao-do-latifundio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/04\/22\/futuro-interrompido-como-o-golpe-de-1964-freou-o-avanco-da-reforma-agraria-no-brasil-e-permitiu-a-expansao-do-latifundio\/","title":{"rendered":"Futuro interrompido: como o golpe de 1964 freou o avan\u00e7o da reforma agr\u00e1ria no Brasil e permitiu a expans\u00e3o do latif\u00fandio"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Brasil de Fato relembra as principais for\u00e7as pol\u00edticas que lutavam pela distribui\u00e7\u00e3o de terras no pa\u00eds antes da ditadura<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a o \u00e1udio:<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-36356-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/19-04-24-DITADURA-REFORMA-AGRARIA-PEDRO-STROPASSOLAS.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/19-04-24-DITADURA-REFORMA-AGRARIA-PEDRO-STROPASSOLAS.mp3\">https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/19-04-24-DITADURA-REFORMA-AGRARIA-PEDRO-STROPASSOLAS.mp3<\/a><\/audio>\n<p>A luta dos trabalhadores rurais por terra e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho foi brutalmente interrompida pelo golpe militar de 1964.<\/p>\n<p>Do dia em que o ex\u00e9rcito tomou o pa\u00eds \u00e0 for\u00e7a at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, 1.654 camponeses foram mortos ou desapareceram no meio rural brasileiro. O dado \u00e9 de uma\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2024\/03\/60-anos-do-golpe-militar-estudo-aponta-1654-camponeses-mortos-e-desaparecidos-na-ditadura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisa divulgada recentemente<\/a>\u00a0pelo ex-preso pol\u00edtico e pesquisador da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Gilney Viana.<\/p>\n<p>Toda essa estrutura repressiva tentava conter uma ideia que se alastrava pelo pa\u00eds,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/13\/ha-60-anos-jango-fazia-seu-historico-comicio-na-central-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">principalmente entre 1959 e 1964<\/a>, no protagonismo de sindicatos, movimentos populares e setores da igreja cat\u00f3lica: a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nesta reportagem, o\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0relembra como o golpe de 1964 interrompeu o avan\u00e7o da distribui\u00e7\u00e3o de terras no pa\u00eds a partir de tr\u00eas perspectivas: a atua\u00e7\u00e3o das ligas camponesas no Nordeste; o surgimento do sindicalismo rural; e a experi\u00eancia hist\u00f3rica do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master) no sul do Brasil.<\/p>\n<div class=\"ads-googletag article_4\"><\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KOgPaQjrAl4?si=icW1MzAlvfEOSzH_\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"ads-googletag article_5\"><\/div>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria: da col\u00f4nia a ditadura<\/strong><\/p>\n<p>Um dos tra\u00e7os do campo brasileiro, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/09\/como-o-brasil-pode-enfrentar-uma-das-maiores-concentracoes-de-terras-do-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria<\/a>, \u00e9 uma chaga que se acentua no regime militar mas tem ra\u00edzes profundas no per\u00edodo escravista. A distribui\u00e7\u00e3o de terras era uma das bandeiras de parte do movimento abolicionista, no final do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o fim da ditadura Estado Novo, o panorama do meio rural brasileiro mantinha o controle absoluto dos trabalhadores no interior das propriedades rurais, a mando de grandes latifundi\u00e1rios. Com a Constitui\u00e7\u00e3o liberal de 1946, o pa\u00eds vivia uma democracia t\u00edmida, que n\u00e3o comportava, por exemplo, o voto dos analfabetos. Isso impedia muitos camponeses de elegerem seus representantes.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que a defesa da reforma agr\u00e1ria come\u00e7a a surgir com mais for\u00e7a e por influ\u00eancia do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/25\/primeiro-partido-comunista-do-brasil-completa-100-anos-nesta-sexta-25-veja-homenagens\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Partido Comunista Brasileiro<\/a>. Em 1954, a partir do PCB, \u00e9 criada a Uni\u00e3o dos Lavradores e Trabalhadores Agr\u00edcolas do Brasil (Ultab), que ganhou protagonismo produzindo jornais e promovendo greves, cursos de forma\u00e7\u00e3o, e denunciando abusos de latifundi\u00e1rios contra os camponeses.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, os interesses estadunidenses na Am\u00e9rica Latina prosperavam por meio de uma rela\u00e7\u00e3o com alguns ditadores, como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/especiais\/revolucao-cubana-completa-60-anos-de-construcao-de-um-processo-revolucionario\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fulgencio Batista, em Cuba<\/a>; Alfredo Stroessner, no Paraguai; e o General Anast\u00e1cio Somoza Garcia, na Nicar\u00e1gua. No Brasil, os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/04\/01\/entenda-como-foi-a-participacao-dos-eua-no-golpe-de-64-e-o-que-ainda-pode-ser-revelado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estados Unidos prestavam mais aten\u00e7\u00e3o no Nordeste<\/a>, onde as Ligas Camponesas mobilizaram multid\u00f5es de camponeses em resposta \u00e0 extrema desigualdade.<\/p>\n<p>Em 4 de maio de 1955, sob a lideran\u00e7a do advogado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/04\/03\/a-alianca-entre-nordeste-e-china-apavorava-o-imperialismo-antes-do-golpe-de-1964\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Francisco Juli\u00e3o<\/a>, a entidade promoveu a Marcha da Fome, reunindo centenas de trabalhadores rurais para denunciar ao governo de Pernambuco a situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria e viol\u00eancia a que eram submetidos. No mesmo ano, tamb\u00e9m foi realizado o 1\u00ba Congresso de Lavradores, Trabalhadores Agr\u00edcolas e Pescadores, com a presen\u00e7a de seis mil camponeses.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/e377a0d2c1c63a0576c3c73298c15d9e.webp\" \/><br \/>\nFrancisco Juli\u00e3o, o premi\u00ea Tancredo Neves, e o presidente Jo\u00e3o Goulart no 1\u00ba Congresso de Lavradores e Trabalhadores Agr\u00edcolas, em 1961 \/ Memorial da Ditadura<\/p>\n<p>Em 1957, um levantamento feito pela Organiza\u00e7\u00e3o para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura das Na\u00e7\u00f5es Unidas (FA0) concluiu que o consumo m\u00e9dio di\u00e1rio de alimento no Nordeste era do montante de apenas 1990 calorias, consideravelmente abaixo das m\u00ednimas recomendadas, de 2500. No setor sul da zona de a\u00e7\u00facar de Pernambuco, havia camponeses consumindo somente 1.299 calorias di\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8220;Os americanos achavam que o germe do comunismo era a pobreza. Ent\u00e3o se essas pessoas come\u00e7assem a se organizar, come\u00e7aria a ficar complicado&#8221;, explica o escritor e jornalista Vandeck Santiago, autor da principal biografia de Francisco Juli\u00e3o.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Juli\u00e3o na Assembleia Legislativa de Pernambuco com a desapropria\u00e7\u00e3o do Engenho Galil\u00e9ia, em Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o, e a conquista da terra por parte de 140 fam\u00edlias foi o terreno f\u00e9rtil para a expans\u00e3o da entidade para outros estados. No final dos anos 1950, as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/08\/13\/o-que-foram-as-ligas-camponesas-homenageadas-pela-marcha-do-mst\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ligas Camponesas j\u00e1 aglutinaram 70 mil associados<\/a>\u00a0em todo o Nordeste.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, as ligas atuavam prioritariamente no \u00e2mbito jur\u00eddico. Mas a partir de 1959, sob influ\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o cubana e da visita de Juli\u00e3o \u00e0 Cuba, entra em vigor a defesa de um modelo de Reforma Agr\u00e1ria mais radical. O lema dos camponeses era a posse da terra &#8220;na lei ou na marra&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cCuba \u00e9 um pa\u00eds com uma predomin\u00e2ncia rural. E de repente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/07\/29\/festa-solidaria-em-sao-paulo-celebra-os-70-anos-do-inicio-da-revolucao-cubana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em tr\u00eas anos fizeram uma revolu\u00e7\u00e3o<\/a>. Ent\u00e3o, aqui tamb\u00e9m poderia eclodir algo desse tipo. E isso come\u00e7aria com as pessoas mais pobres, com o pessoal do campo, para ir se organizando e reivindicando\u201d, relembra Santiago.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/70b153774a42fb6230a47b0b86fb0428.jpeg\" \/><br \/>\nEngenho Galileia fica em em Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o e \u00e9 considerada a primeira experi\u00eancia de reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds \/ Memorial da Democracia<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>A experi\u00eancia do Master<\/strong><\/p>\n<p>Simultaneamente no Rio Grande Sul, com a elei\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/01\/22\/feliz-aniversario-brizola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonel Brizola<\/a>, em 1958, eram estreitados os la\u00e7os do estado com as demandas camponesas. O governo do petebista cria o Instituto Ga\u00facho da Reforma Agr\u00e1ria (Igra) e passa a dar suporte aos acampamentos liderados pelo Movimento de Agricultores Sem Terra (Master), criado em 1960.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios munic\u00edpios ga\u00fachos, o Master passou a mobilizar associa\u00e7\u00f5es de trabalhadores rurais e utilizar uma estrat\u00e9gia ent\u00e3o praticamente in\u00e9dita na luta pela terra: os acampamentos.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica consistia na cria\u00e7\u00e3o de acampamentos nas margens de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/11\/01\/stf-vai-julgar-lei-que-permite-a-tarcisio-entregar-terras-devolutas-a-latifundiarios\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">terras consideradas devolutas ou improdutivas<\/a>. E com base nos artigos 173 e 174 da Constitui\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul, desapropriar essas \u00e1reas por vias legais.<\/p>\n<p>Em 1962, 20 mil hectares foram desapropriados e distribu\u00eddos entre 10 mil agricultores da regi\u00e3o de Sarandi, noroeste do Rio Grande do Sul. Na \u00e9poca, por influ\u00eancia do Master, os pr\u00f3prios produtores mecanizados de arroz e trigo no estado passaram a acreditar que a reforma agr\u00e1ria pudesse modernizar a agricultura local.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/7ca96194d01102cf530aa0e9ebc83b6d.webp\" \/><br \/>\nLeonel Brizola entre os agricultores vinculados ao Master, em 1962; Governador desapropriou terras e apoiou acampamentos do movimento \/ Memorial da Democracia<\/p>\n<p>O movimento antecipou, no Rio Grande do Sul, as propostas e estrat\u00e9gias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na luta pela reforma agr\u00e1ria,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/22\/mst-completa-40-anos-e-se-torna-o-movimento-popular-campones-mais-longevo-da-historia-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que seria criado em 1984<\/a>\u00a0ap\u00f3s a retomada das lutas sociais no campo no fim da d\u00e9cada de 1970. Tanto os acampamentos do Master, como as ocupa\u00e7\u00f5es de engenhos promovidas pelas Ligas Camponesas s\u00e3o formas t\u00e1ticas de luta ainda hoje usadas pelo MST.<\/p>\n<p>&#8220;O MST continuou fazendo ocupa\u00e7\u00f5es de terra. N\u00e3o por achar bonito. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil viver embaixo de lonas, embora haja beleza nas lutas, mas \u00e9 a forma mais eficiente para mostrarmos para a sociedade e o governo: um, que existem fam\u00edlias querendo terra para plantar e para viver; dois, que existem latif\u00fandios improdutivos de grandes devedores, de violadores das legisla\u00e7\u00f5es ambiental e trabalhista, trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o, que existem terras p\u00fablicas que n\u00e3o cumprem com a fun\u00e7\u00e3o social; e tr\u00eas, que a conquista dessas \u00e1reas \u00e9 fruto do povo organizado&#8221;, explica Gilmar Mauro, da Dire\u00e7\u00e3o Nacional do MST.<\/p>\n<p><strong>Jango no poder<\/strong><\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart, grande aliado de Brizola, colocou ainda mais a reforma agr\u00e1ria no centro do embate pol\u00edtico que antecedeu o golpe militar. Jango, assim como a ala mais combativa do PTB, divergia das Ligas Camponesas e de Juli\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a implanta\u00e7\u00e3o de uma reforma agr\u00e1ria mais radical, a partir de desapropria\u00e7\u00f5es. A distribui\u00e7\u00e3o de terras para o presidente deveria ser colocada\u00a0<a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2014\/03\/24\/1964-pouco-antes-do-golpe-reforma-agraria-esteve-no-centro-dos-debates-no-senado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com a mudan\u00e7a da constitui\u00e7\u00e3o de 1946<\/a>.<\/p>\n<p>Legalmente, o governo federal n\u00e3o tinha como desapropriar terras sem pagar ao dono uma indeniza\u00e7\u00e3o em dinheiro. O que na pr\u00e1tica, pelo alto custo, inviabilizaria o processo. A proposta de Jango permitiria a desapropria\u00e7\u00e3o de terras com pagamento a longo prazo, na forma de t\u00edtulos da d\u00edvida agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>O presidente, em 1963, sancionou o Estatuto do Trabalhador Rural (ETR). O documento deu acesso \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o, aposentadoria e f\u00e9rias para os trabalhadores rurais, direitos antes limitados somente a quem vivia no meio urbano.<\/p>\n<p>No mesmo ano, surgia a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a primeira entidade sindical do campo de car\u00e1ter nacional e que aglutinava &#8211; e ainda aglutina &#8211; as principais federa\u00e7\u00f5es de trabalhadores rurais no pa\u00eds. As pautas centrais da entidade eram a aplica\u00e7\u00e3o do ETR, sobretudo da carteira profissional e direito \u00e0 previd\u00eancia; e a distribui\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<div class=\"ads-googletag article_middle\"><\/div>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/a9746534440b7d9dd6e93f9363978dd6.webp\" \/><br \/>\nDurante a ditadura, a Contag sofreu interven\u00e7\u00e3o e o primeiro presidente da entidade, Lyndolpho Silva, foi preso e exilado \/ Centro de Mem\u00f3ria Sindical<\/p>\n<p>Em entrevista para o jornal Terra Livre em janeiro de 1964, logo ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o que o tornou o primeiro presidente da entidade, Lindholfo Silva exp\u00f4s como a reforma agr\u00e1ria seria um dos pilares da confedera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cAqui nessa entrevista do Lindolfo Silva, a gente j\u00e1 percebe uma perspectiva de a\u00e7\u00f5es mais processuais para a realiza\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria. A modifica\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos definitivos para posseiros, a regulamenta\u00e7\u00e3o de contratos de arrendamento e parceria, ou seja, a quest\u00e3o agr\u00e1ria, a quest\u00e3o fundi\u00e1ria, estava sendo debatida. Era imposs\u00edvel n\u00e3o se debater sobre isso naquele momento\u201d, explica o pesquisador da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, Marco Ant\u00f4nio Teixeira, que tamb\u00e9m \u00e9 o autor do livro\u00a0<em><a href=\"https:\/\/morula.com.br\/produto\/contag\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Contag 1963-2023: a\u00e7\u00f5es de reprodu\u00e7\u00e3o social e formas de a\u00e7\u00f5es coletivas<\/a><\/em>.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Apoio ruralista ao golpe<\/strong><\/p>\n<p>O contexto do campo j\u00e1 era violento. O Master vinha sendo perseguido pelas for\u00e7as militares de Ildo Meneghetti, que sucedeu Brizola no governo do Rio Grande do Sul em 1963. Jo\u00e3o Pedro Teixeira,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/04\/02\/cabra-marcado-para-morrer-morte-do-lider-campones-joao-pedro-teixeira-completa-60-anos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">principal l\u00edder das ligas camponesas na Para\u00edba<\/a>, havia sido brutalmente assassinado em 1962 a mando do Grupo da V\u00e1rzea &#8211; fazendeiros que detinham poder pol\u00edtico e grandes extens\u00f5es de terras na Para\u00edba.<\/p>\n<p>Para latifundi\u00e1rios e pol\u00edticos opositores de Jango articulados na Sociedade Rural Brasileira, que tinha uma forte articula\u00e7\u00e3o entre os cafeicultores paulistas e paranaenses; na Confedera\u00e7\u00e3o Rural Brasileira, que juntava as organiza\u00e7\u00f5es patronais, e na Sociedade Nacional da Agricultura; falar de reforma agr\u00e1ria era evocar o fantasma de uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/06\/21\/sob-bolsonaro-conspiracionismo-guia-politicas-publicas-afirma-pesquisadora\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conspira\u00e7\u00e3o Comunista Internacional<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;Era um conjunto de propriet\u00e1rios tecnologicamente atrasados mas muito ativos politicamente. Essas entidades eram extremamente ativas com representa\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional e atuando em entidades da sociedade civil que foram absolutamente chaves para explicar o golpe, como o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica (IBAD), que agrupava empres\u00e1rios rurais e urbanos\u201d, explica Leonilde de Medeiros, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e integrante da Comiss\u00e3o Camponesa da Verdade.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente olha o p\u00f3s golpe e as pol\u00edticas, a gente vai ver que esse programa das entidades patronais foi praticamente abra\u00e7ado pelos militares. N\u00e3o s\u00e3o os militares que inventam a pol\u00edtica, eles\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/28\/60-anos-do-golpe-brasil-nao-fez-acerto-de-contas-com-o-passado-e-vive-com-legados-da-ditadura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">abra\u00e7am um programa que j\u00e1 estava articulado<\/a>\u201d, completa Medeiros.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>O \u00faltimo ato de Jango<\/strong><\/p>\n<p>O descontentamento dos setores conservadores e militares chegou ao limite com o com\u00edcio do presidente na Central do Brasil. No mesmo palanque de madeira em que Get\u00falio Vargas discursava ao povo carioca, Jango anunciou para um p\u00fablico de 200 mil pessoas os decretos das reformas de base, entre elas a reforma agr\u00e1ria. Entre as medidas, estava a desapropria\u00e7\u00e3o de diversas terras \u00e0 beira de estradas e ferrovias federais num prazo de dois meses.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente fala em rodovias nos anos 1960 o que pesa \u00e9 a Bel\u00e9m Bras\u00edlia, que \u00e9 uma rodovia que corta o interior do pa\u00eds. E em torno da Bel\u00e9m em Bras\u00edlia obviamente as terras eram extremamente valorizadas, por conta da estrada. Ent\u00e3o quando ele fala em utilizar as terras \u00e0 beira das rodovias pra realiza\u00e7\u00e3o de reforma agr\u00e1ria isso obviamente cria uma enorme pol\u00eamica a oposi\u00e7\u00e3o que vai resultar na na queda de Jo\u00e3o Goulart\u201d, relembra Leonilde.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/c3d7c6a794c96394b6981204d113e5a6.webp\" \/><br \/>\nPara a elite conservadora e os militares, o Com\u00edcio das Reformas, na Central do Brasil, foi o estopim para o golpe civil militar de 1964 \/ Acervo Lemad\/USP<\/p>\n<p>Dezoito dias depois do Com\u00edcio das Reformas, Jango seguiu para o ex\u00edlio ap\u00f3s a deflagra\u00e7\u00e3o do golpe, que iniciou um longo per\u00edodo de persegui\u00e7\u00f5es aos movimentos do campo e entidades sindicais. O golpe fortaleceu as oligarquias rurais em todo o pa\u00eds. Em pouco tempo, as Ligas Camponesas e o Master seriam desarticulados pelas m\u00e3os da Ditadura Civil-Militar.<\/p>\n<p>Em abril de 1964, o governo militar interveio na Contag, prendendo diversos integrantes da primeira diretoria eleita, e afastando o presidente Lyndolpho Silva, que foi obrigado a se exilar fora do pa\u00eds. Em seu lugar, foi nomeado como interventor o ent\u00e3o presidente da Federa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Rotta.<\/p>\n<p>&#8220;Teve um movimento com muita for\u00e7a surgindo naquele momento, criando sindicatos e federa\u00e7\u00f5es, e isso \u00e9 absolutamente interrompido. As interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o um baque muito forte na organiza\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria bandeira da reforma agr\u00e1ria, ficou dif\u00edcil debater, porque era uma pauta muito associada ao comunismo&#8221;, relembra\u00a0Marco Antonio Teixeira.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Isso diz respeito a n\u00f3s como na\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora Maria Cristina Vanucchi Leme foi uma das autoras do relat\u00f3rio produzido pelo MST em 1986, intitulado\u00a0<a href=\"https:\/\/mst.org.br\/download\/dossie-assassinatos-no-campo-crime-e-impunidade-1964-1985\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assassinatos no Campo: crime e impunidade (1964-1985)<\/a>. Esse foi um dos primeiros documentos a sintetizar a viol\u00eancia sofrida pelos camponeses durante a ditadura, e ajudou a subsidiar trabalhos posteriores sobre o tema, como o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Camponesa da Verdade, criada em 2012, e o de Gilney Viana, lan\u00e7ado no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Vanucchi, que \u00e9 irm\u00e3 do estudante Alexandre Vannucchi &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/artsandculture.google.com\/story\/5gVx4gPApZ4QyQ?hl=pt-BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">assassinado por agentes do DOI-Codi paulista durante a ditadura militar<\/a>\u00a0&#8211; relata logo na introdu\u00e7\u00e3o a dificuldade em buscar informa\u00e7\u00f5es sobre as mortes no campo em meio ao silencio dos jornais, sobretudo nos per\u00edodo entre 1964 e 1976. Para chegar a informa\u00e7\u00f5es precisas, precisou enviar cartas a 2640 sindicatos rurais e 260 dioceses brasileiras, e \u00e0s 19 regionais da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, onde trabalhou.<\/p>\n<p>&#8220;Ela [a ditadura] \u00e9 uma realidade t\u00e3o dura, t\u00e3o cruel, que persiste at\u00e9 hoje. Os 21 anos de ditadura, seja na cidade, ou no campo, n\u00e3o d\u00e1 pra gente imaginar essa utopia de n\u00e3o existiu. Na verdade, os trabalhadores organizados n\u00e3o tinham nem utopia, eles tinham um ideal mesmo, de reforma agr\u00e1ria, de partilha de terra&#8221;, pontua Vanucchi.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/90d55106158749ed80591eb7d8438d79.webp\" \/><br \/>\nLigas Camponesas foram perseguidas e tiveram seus principais l\u00edderes mortos pela Ditadura Civil Militar \/ Memorial das Ligas Camponesas<\/p>\n<p>Somente em 7 de setembro de 1964, a pesquisa, que tamb\u00e9m \u00e9 assinada por Wania Mara de Ara\u00fajo, revela o assassinato de 3 lideran\u00e7as das Ligas Camponesas na Para\u00edba e em Pernambuco, e o desaparecimento de 6 presidentes de sindicatos rurais em munic\u00edpios do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que a gente tem que tentar de todas as maneiras interferir na indiferen\u00e7a da sociedade com essa realidade. E naquela \u00e9poca eu considerava de maneira geral que a sociedade era indiferente a essa viol\u00eancia. Infelizmente, eu continuo achando que boa parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 indiferente a essa viol\u00eancia. \u00c9 como se acontecesse l\u00e1 longe, l\u00e1 no campo. N\u00e3o consegue observar que o que acontece no campo impacta na vida de todo o povo brasileiro&#8221;, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;Isso diz respeito a n\u00f3s como na\u00e7\u00e3o. Repudiar essa viol\u00eancia, denunciar esses crimes, esse desrespeito. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pelos familiares de quem foi assassinado. Essa viol\u00eancia tem que ser sentida e cobrada por todos n\u00f3s como brasileiros. O estado brasileiro deve essa satisfa\u00e7\u00e3o para o povo brasileiro&#8221;, completa Vannucchi.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>O estatuto da terra e o avan\u00e7o do latif\u00fandio<\/strong><\/p>\n<p>Em novembro de 1964, uma das primeiras medidas do ditador Castelo Branco foi criar o Estatuto da Terra, que instituiu a\u00a0<a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2019\/06\/06\/flavio-bolsonaro-propoe-emenda-contra-a-funcao-social-da-terra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fun\u00e7\u00e3o social da propriedade<\/a>. Apesar de modernizar a quest\u00e3o fundi\u00e1ria e inspirar o\u00a0Artigo 186 da constitui\u00e7\u00e3o de 1988, a face pr\u00e1tica do Estatuto da Terra foi o desenvolvimento agr\u00edcola e a expans\u00e3o do latif\u00fandio, com incentivos fiscais e outras formas de prote\u00e7\u00e3o governamental.<\/p>\n<p>\u201cSem d\u00favida, o per\u00edodo da ditadura \u00e9 um per\u00edodo que vai estimular por v\u00e1rios mecanismos a moderniza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas antigas, principalmente via mecanismo de cr\u00e9dito, assist\u00eancia t\u00e9cnica, cooperativas, os instrumentos do Estatuto da Terra. Mas tamb\u00e9m vai estimular a ocupa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas novas. A\u00ed n\u00f3s estamos falando da chamada fronteira agr\u00edcola, Goi\u00e1s, Mato Grosso, Par\u00e1, Tocantins, regi\u00f5es que praticamente n\u00e3o tinham visibilidade&#8221;, pontua Leonilde de Medeiros.<\/p>\n<p>&#8220;Especialmente em 1966 e 1967, a virada do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/27\/de-suposto-heroi-na-feb-a-ditador-a-trajetoria-de-castelo-branco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Castelo Branco<\/a>\u00a0para o Costa e Silva, vai assumir esse projeto das entidades empresariais. Nisso, se enquadra o Sistema Nacional de Cr\u00e9dito Rural e o sistema de extens\u00e3o rural e assist\u00eancia t\u00e9cnica que \u00e9 voltado neste momento principalmente para as grandes unidades produtivas. Mas o grande destaque \u00e9 a Embrapa, que vai ser o centro de pesquisa que permite a ocupa\u00e7\u00e3o do Cerrado pela soja. Nos anos 1950 e 1960 soja no cerrado era algo que n\u00e3o existia\u201d, completa a professora.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/832883aa7c02885be32cc1a13263bede.jpeg\" \/><br \/>\nCampos intermin\u00e1veis de soja no Cerrado e na Amaz\u00f4nia era uma realidade inexistente antes da ditadura \/ Christian Braga\/ClimaInfo\/Agosto de 2022<\/p>\n<p>Os efeitos foram sentidos entre 1960 e 1980: 120 milh\u00f5es de hectares foram incorporados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria no Brasil e milh\u00f5es de trabalhadores do meio rural passaram a se aglomerar nas cidades.<\/p>\n<p>\u201cDitadura n\u00e3o \u00e9 alguma coisa que ficou pra tr\u00e1s. Eu acho que a conforma\u00e7\u00e3o da nossa sociedade, n\u00e3o s\u00f3 no campo, mas urbana tamb\u00e9m, ela tem seus fundamentos, o seu desenho central com ra\u00edzes na ditadura.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/30\/grandes-obras-da-ditadura-sao-exemplo-da-modernizacao-autoritaria-analisam-curadoras-de-exposicao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Essa urbaniza\u00e7\u00e3o desenfreada n\u00e3o caiu do c\u00e9u<\/a>. Esse inchamento das cidades \u00e9 gente do campo que foi expulsa&#8221;, explica Leonilde.<\/p>\n<p>&#8220;Essas comunidades perif\u00e9ricas sem infra estrutura d\u00e3o um pouco o panorama das cidades m\u00e9dias e grandes hoje do Brasil. N\u00e3o d\u00e1 pra tentar a quest\u00e3o agr\u00e1ria sem a quest\u00e3o urbana. S\u00e3o faces da mesma expans\u00e3o desenfreada do capital, seja produtivo, seja especulativo, seja financeiro, seja tudo isso misturado\u201d, finaliza a professora.<\/p>\n<p>Gilmar Mauro completa trazendo o aspecto atual do modelo agr\u00edcola agroexportador que encontrou na ditadura um campo f\u00e9rtil para sua hegemoniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Atualmente no pa\u00eds, dos 850 milh\u00f5es de hectares de terra apenas 80 milh\u00f5es s\u00e3o usados para\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/30\/apoio-a-agricultura-familiar-garante-populacao-no-campo-e-alimentos-na-cidade-diz-secretaria-do-mda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a agricultura familiar<\/a>. Destes, 21 milh\u00f5es de hectares com milho, 45 milh\u00f5es de hectares com soja, restando apenas 14 milh\u00f5es de hectares de terra para todos os demais cultivos, como feij\u00e3o, arroz, batata e mandioca. Somente em pastagens, s\u00e3o 150 milh\u00f5es de hectares&#8221;, explica o dirigente do MST.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 mais que uma Reforma Agr\u00e1ria, \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o na agricultura brasileira e mundial, n\u00e3o s\u00f3 pela necessidade da categoria Sem Terra, pela necessidade da sobreviv\u00eancia humana no nosso planeta&#8221;, finaliza Gilmar Mauro.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Pedro Stropasolas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil de Fato relembra as principais for\u00e7as pol\u00edticas que lutavam pela distribui\u00e7\u00e3o de terras no pa\u00eds antes da ditadura Ou\u00e7a o \u00e1udio: A luta dos trabalhadores rurais por terra e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho foi brutalmente interrompida pelo golpe militar de 1964. 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