{"id":36529,"date":"2024-05-06T18:58:47","date_gmt":"2024-05-06T21:58:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=36529"},"modified":"2024-05-06T18:58:47","modified_gmt":"2024-05-06T21:58:47","slug":"combate-ao-racismo-nas-escolas-deve-envolver-familias-afirma-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/05\/06\/combate-ao-racismo-nas-escolas-deve-envolver-familias-afirma-especialista\/","title":{"rendered":"Combate ao racismo nas escolas deve envolver fam\u00edlias, afirma especialista"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Institui\u00e7\u00f5es de ensino do pa\u00eds n\u00e3o cumprem lei que obriga ensino da hist\u00f3ria afro-brasileira<\/strong><\/p>\n<p>Pelo menos tr\u00eas casos de racismo entre estudantes de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/17\/educacao-antirracista-20-anos-da-implementacao-da-lei-10-639-nas-escolas-do-df\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escolas p\u00fablicas e particulares do Distrito Federal<\/a>\u00a0foram denunciados na imprensa durante o m\u00eas de abril. Os epis\u00f3dios reacenderam o debate a respeito do combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial no ambiente escolar.<\/p>\n<p>Em um dos incidentes, uma supervisora de um col\u00e9gio particular de Taguatinga, que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e de uma aluna, foi acusada de ter proferido xingamentos racistas contra uma adolescente de 16 anos.<\/p>\n<p>Para Aline Costa, mestra em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais e militante do Movimento Negro Unificado (MNU), embora a discuss\u00e3o sobre racismo tenha aumentado e os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/10\/25\/caso-de-racismo-em-escola-publica-no-df-aponta-para-necessidade-de-acoes-antirracistas-observam-especialistas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">casos de discrimina\u00e7\u00e3o tenham ganhado mais visibilidade<\/a>, o problema permanece.<\/p>\n<p>&#8220;Um dos resultados positivos diretos das a\u00e7\u00f5es afirmativas foi descortinar o debate sobre desigualdade racial no Brasil. Com o avan\u00e7o da internet, um debate que era mais acad\u00eamico disseminou para toda sociedade. Por\u00e9m, isso s\u00f3 tem evidenciado a estrutura racista da sociedade brasileira e n\u00e3o necessariamente combatido ou transformado. O que temos visto, sempre ocorreu, mas agora \u00e9 considerado um problema social&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/3a9be96475937f89a85b117b26dd10bf.webp\" \/><br \/>\nCasos de racismo envolvendo escolas do DF reascendem debate sobre combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial \/ Renato Ara\u00fajo\/Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/p>\n<p>O espa\u00e7o escolar \u00e9 apontado como o local em que as pessoas mais relatam ter sofrido racismo. \u00c9 o que indica a pesquisa\u00a0<em>Percep\u00e7\u00f5es sobre o racismo<\/em>, encomendada pelo Instituto de Refer\u00eancia Negra Peregum e pelo Projeto Seta (Sistema de Educa\u00e7\u00e3o por uma Transforma\u00e7\u00e3o Antirracista). Segundo o estudo, 38% das pessoas entrevistadas declararam que j\u00e1 sofreram racismo na escola, faculdade ou universidade. O \u00edndice foi maior do que os casos relatados em ambiente de trabalho (29%) e em espa\u00e7os p\u00fablicos (28%).<\/p>\n<p>&#8220;Estudantes negros t\u00eam se sentindo mais empoderados, mas as escolas n\u00e3o t\u00eam assumido pra si o dever de formar para o respeito e a diversidade. Tem sido comum, nos \u00faltimos tempos, com a ascens\u00e3o da extrema direita, pais e mestres refor\u00e7arem o discurso de que racismo \u00e9 &#8216;mimimi&#8217; e vitimismo e assim, deixar estudantes a vontade para discriminar racialmente [outras pessoas]&#8221;, avalia Aline Costa.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Escolas n\u00e3o cumprem lei de ensino da hist\u00f3ria afro-brasileira<\/p>\n<p>Segundo a mestra em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais, o primeiro passo para combater o racismo nas escolas \u00e9 cumprir a lei que<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/17\/educacao-antirracista-20-anos-da-implementacao-da-lei-10-639-nas-escolas-do-df\">\u00a0obriga o ensino da hist\u00f3ria afro-brasileira<\/a>.<\/p>\n<p>Sancionada em 2003, a norma estabelece que dever\u00e3o ser inclu\u00eddos nos conte\u00fados program\u00e1ticos das escolas p\u00fablicas e particulares, do ensino fundamental ao m\u00e9dio, os estudos da hist\u00f3ria da \u00c1frica e dos africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra brasileira e do negro na forma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>A lei representa uma tentativa de resgatar a contribui\u00e7\u00e3o do povo negro brasileiro nas \u00e1reas social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica durante a hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/380e44d61f89721ec4a7feb7656520b8.webp\" \/><br \/>\nTrabalhos que valorizam a hist\u00f3ria afro-brasileira produzidos no projeto Taguatinga Plural \/ Sinpro-DF<\/p>\n<p>Apesar de ser considerada um avan\u00e7o, a lei ainda n\u00e3o \u00e9 efetivamente implementada nas escolas. De acordo com pesquisa realizada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/04\/03\/geledes-30-anos-de-amor-e-luta-pelos-direitos-das-mulheres-negras\">Geled\u00e9s Instituto da Mulher Negra<\/a>\u00a0e pelo Instituto Alana,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasildefatorj.com.br\/2023\/04\/18\/mais-de-70-dos-municipios-nao-aplicam-lei-que-determina-ensino-de-historia-afro-brasileira\">71% das redes municipais de ensino do pa\u00eds n\u00e3o praticam o que determina a lei 10.639<\/a>.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado ao longo de 2022, com dados obtidos em 1.187 secretarias municipais de ensino, o equivalente a 21% do total de munic\u00edpios do pa\u00eds. Mais da metade (53%) realizam a\u00e7\u00f5es pontuais e pouco estruturadas, geralmente em datas comemorativas, como o Dia da Consci\u00eancia Negra. J\u00e1 18% reconhecem que n\u00e3o realizam qualquer a\u00e7\u00e3o para cumprimento da lei.<\/p>\n<p>Outro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.itausocial.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/avaliacao-qualidade-educacao-infantil-material.pdf\">estudo<\/a>, desta vez realizado em turmas de creche e pr\u00e9-escola de 12 munic\u00edpios brasileiros mostrou que 90% delas ignoram o ensino de quest\u00f5es \u00e9tnico-raciais. Todas as regi\u00f5es do pa\u00eds foram inclu\u00eddas no mapeamento, que considerou 3.467 turmas, sendo 1.683 creches e 1.784 pr\u00e9-escola.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Puni\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um dos casos reportados na m\u00eddia ocorreu no dia 3 de abril, quando alunos da Escola Franciscana Nossa Senhora de F\u00e1tima foram hostilizados com xingamentos racistas por\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2024-04\/escola-do-DF-desliga-alunos-ap%C3%B3s-caso-de-racismo-em-jogo-de-futsal\">alunos do Col\u00e9gio Galois<\/a>, durante uma partida de futsal v\u00e1lida pelo torneio Liga das Escolas. &#8220;Macaco&#8221;, &#8220;filho de empregada&#8221; e &#8220;pobrinho&#8221; foram alguns dos termos utilizados pelos estudantes.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o da escola particular fez uma apura\u00e7\u00e3o do caso e dez alunos envolvidos foram identificados. Destes, seis deixaram a escola, e outros cumpriram medidas &#8220;\u00e9ticas e pedag\u00f3gicas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ademais, todas as fam\u00edlias envolvidas foram comunicadas do resultado e est\u00e3o cientes das penalidades. Essa decis\u00e3o est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o ECA [Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente], que visa proteger qualquer a\u00e7\u00e3o que possa constranger menores&#8221;, diz comunicado da equipe jur\u00eddica enviado pela assessoria do col\u00e9gio \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Para Aline Costa, a puni\u00e7\u00e3o do alunos \u00e9 acertada mas deve ir al\u00e9m. &#8220;Assim como qualquer ato infracional cometido por adolescentes, deve haver medidas disciplinares. Por\u00e9m as pedag\u00f3gicas n\u00e3o devem se restringir aos ofensores, mas a todas as escolas. Para que n\u00e3o se repita&#8221;, justificou.<\/p>\n<p>A militante do MNU defende que as fam\u00edlias dos jovens tamb\u00e9m devem ser responsabilizadas. &#8220;Em sua maioria, esse tipo de ideologia e comportamento \u00e9 adquirido ou refor\u00e7ado pelos respons\u00e1veis. Penso que o mal feito a essa v\u00edtima tem de ser reparado por vias legais&#8221;, concluiu. O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal e Territ\u00f3rios (MPDFT) acompanha o caso.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>O que diz a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Procurada pelo\u00a0<strong>Brasil de Fato DF<\/strong>, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal (SEDF) disse que est\u00e1 acompanhando &#8220;ativamente&#8221; os &#8220;recentes incidentes que foram reportados na m\u00eddia como casos de racismo, demonstrando dilig\u00eancia ao conduzir averigua\u00e7\u00f5es nas escolas afetadas&#8221;. &#8220;Cada caso est\u00e1 sendo minuciosamente examinado, e a Secretaria est\u00e1 verificando, por meio de sua equipe t\u00e9cnica e especializada, as particularidades de cada situa\u00e7\u00e3o&#8221;, completou.<\/p>\n<p>A pasta informou que fez contato telef\u00f4nico e pessoalmente com as unidades escolares, para compreender o ocorrido e monitorar as medidas adotadas, al\u00e9m de disponibilizar suporte t\u00e9cnico-pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p>&#8220;A SEEDF orienta a todas \u00e0s unidades escolares do Sistema de Ensino do Distrito Federal que abordem, de maneira transversal e ao longo de todo o ano letivo, conte\u00fados relativos aos direitos humanos e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de todas as formas de viol\u00eancia contra a crian\u00e7a, o adolescente e a mulher, conforme preconizado na Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (Lei n\u00ba 9394\/96)&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A Secretaria disse ainda que est\u00e1 &#8220;comprometida em trabalhar de forma ativa&#8221; com as escolas privadas &#8220;o enfrentamento n\u00e3o apenas dessas situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, mas de todas as outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a que possam surgir no ambiente escolar&#8221;.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>MEC anuncia protocolos de preven\u00e7\u00e3o e resposta ao racismo\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) anunciou, nesta quinta-feira (2), que vai apresentar, nos pr\u00f3ximos meses, protocolos de preven\u00e7\u00e3o e resposta ao racismo nas escolas. A medida faz parte do desenho da Pol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais, que deve ser anunciada no pr\u00f3ximo dia 14.<\/p>\n<p>Ao todo, a pol\u00edtica possui sete eixos, sendo um deles o diagn\u00f3stico de monitoramento da implementa\u00e7\u00e3o da Lei 10.639\/2003, que determinou a inclus\u00e3o obrigat\u00f3ria do ensino de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira em todas as etapas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Bianca Feifel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00f5es de ensino do pa\u00eds n\u00e3o cumprem lei que obriga ensino da hist\u00f3ria afro-brasileira Pelo menos tr\u00eas casos de racismo entre estudantes de\u00a0escolas p\u00fablicas e particulares do Distrito Federal\u00a0foram denunciados na imprensa durante o m\u00eas de abril. 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