{"id":36795,"date":"2024-05-27T20:12:29","date_gmt":"2024-05-27T23:12:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=36795"},"modified":"2024-05-27T20:12:29","modified_gmt":"2024-05-27T23:12:29","slug":"e-preciso-uma-operacao-de-guerra-para-qualificar-a-informacao-alerta-pesquisador-das-fake-news","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/05\/27\/e-preciso-uma-operacao-de-guerra-para-qualificar-a-informacao-alerta-pesquisador-das-fake-news\/","title":{"rendered":"\u2018\u00c9 preciso uma opera\u00e7\u00e3o de guerra para qualificar a informa\u00e7\u00e3o\u2019, alerta pesquisador das fake news"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Especialista em redes, L\u00facio Uberdan avisa que s\u00f3 Judici\u00e1rio e pol\u00edcia n\u00e3o bastam para travar a dissemina\u00e7\u00e3o de mentiras<\/strong><\/p>\n<p>O consultor L\u00facio Uberdan\u00a0lida com tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o h\u00e1 17 anos. Comp\u00f4s, em 2011, a equipe de redes sociais da secretaria de comunica\u00e7\u00e3o do governo Tarso Genro. Antes, participou da campanha digital da ent\u00e3o candidata \u00e0 presid\u00eancia, Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Atualmente faz consultoria no campo do marketing pol\u00edtico, setor de sua forma\u00e7\u00e3o. Trabalhou durante muitos anos com monitoramento digital e, hoje, o foco de sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 o marketing digital.<\/p>\n<p>Nesta conversa com Brasil de Fato RS, ele analisa a enxurrada de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/05\/11\/justica-gaucha-promete-penalizar-fake-news-com-multa-de-r-100-mil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fake news\u00a0<\/a>em diferentes momentos da hist\u00f3ria recente do Brasil, especialmente agora no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rio Grande do Sul abalado pelas cheias<\/a>, solo f\u00e9rtil para os produtores e os propagadores de mentiras. Entre suas advert\u00eancias, uma deve ser ressaltada: n\u00e3o se combate desinforma\u00e7\u00e3o somente com Judici\u00e1rio e pol\u00edcia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acompanhe:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato RS &#8211; Junto com a enxurrada que maltrata o Rio Grande veio outra, a enxurrada de not\u00edcias falsas que agrava ainda mais uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 tremendamente cr\u00edtica. Como algu\u00e9m que lida, estuda e monitora as redes sociais, o que viu que mais o espantou nas \u00faltimas semanas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00facio Uberdan &#8211;\u00a0<\/strong>Vivemos uma enxurrada de desinforma\u00e7\u00e3o mas que n\u00e3o se restringe s\u00f3 a um evento em especial. Vamos ver tra\u00e7os de fake news, seja por perspectiva pol\u00edtica ou econ\u00f4mica, em todos os grandes debates que envolvem a sociedade. Por qu\u00ea? Porque ela \u00e9, de certa forma, um produto dessa sociedade hiperconectada, com excesso de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, cada pessoa tem um celular que destrava dezenas, talvez uma centena de vezes por dia, em busca de conex\u00e3o. Destrava para ir na rede social, tentar falar com algu\u00e9m, olhar um grupo. Acaba sendo um produto deturpado desse excesso de comunica\u00e7\u00e3o que a gente tem e que, por orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou econ\u00f4micas, vai tentar aproveitar todos os eventos que puder. No Rio Grande do Sul, o que me chamou a aten\u00e7\u00e3o, entre v\u00e1rias fake news, duas foram bem impactantes.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>O Ex\u00e9rcito foi elencado como principal alvo dessas baterias de fake news<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Uma, de um ponto de vista mais dram\u00e1tico, com todas as mentiras sobre corpos boiando. Foi muito impactante porque pega no emocional das pessoas. \u201cQuando a \u00e1gua baixar, voc\u00eas ver\u00e3o dezenas, centenas de corpos\u201d, coisas do g\u00eanero.<\/p>\n<p>Outra tem uma conota\u00e7\u00e3o mais pol\u00edtica, que \u00e9 a de desconstru\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, at\u00e9 ent\u00e3o um parceiro pol\u00edtico de um setor que se aproveita muito dessa t\u00e1tica. O Ex\u00e9rcito foi elencado como principal alvo dessas baterias de fake news.<\/p>\n<p><strong>BdF RS &#8211; Em termos de plataformas usadas para semear mentiras como est\u00e1 o seu ranking no que se refere \u00e0s cheias no Sul? Onde mais a mentira prosperou? Quem est\u00e1 gastando mais com o impulsionamento? Quem est\u00e1 ganhando mais dinheiro com a desinforma\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea tem n\u00fameros da visualiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00facio Uberdan &#8211;\u00a0<\/strong>Todas as plataformas digitais acabam sendo instrumentalizadas por processos de desinforma\u00e7\u00e3o. Algumas, por serem vis\u00edveis, abertas para as pessoas verem o que \u00e9 publicado, como o Instagram, o Facebook, e tamb\u00e9m por seus interesses comerciais por terem escrit\u00f3rio no pa\u00eds, v\u00eam avan\u00e7ando no di\u00e1logo com os \u00f3rg\u00e3os de controle e assinando termos de conduta, de parceria, de apoio no combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>O WhatsApp at\u00e9 pode dizer que vai te ajudar por\u00e9m n\u00e3o vai derrubar uma mensagem dentro de um grupo privado<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Seguem, sem d\u00favida alguma, sendo instrumentalizadas pelas redes de desinforma\u00e7\u00e3o mas, a cada dia, torna-se mais dif\u00edcil para essas redes operarem nelas. Por outro lado, os mensageiros e os sites, em especial, tamb\u00e9m, s\u00e3o duas \u00e1reas de conte\u00fado dentro da internet que ainda seguem em zonas cinzentas muito grandes.<\/p>\n<p>O WhatsApp at\u00e9 pode dizer que vai te ajudar no combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o por\u00e9m n\u00e3o vai derrubar uma mensagem dentro de um grupo privado. E por qu\u00ea? Porque n\u00e3o quer tornar p\u00fablico, que ele (a plataforma) pode estar lendo aquela mensagem. No caso dos sites, muitas vezes eles est\u00e3o dentro de um servidor pr\u00f3prio, de um CNPJ pr\u00f3prio, e a\u00ed, para derrubar essa desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso uma ordem judicial. O que envolve um tr\u00e2mite muito maior.<\/p>\n<p>Todas as plataformas s\u00e3o instrumentalizadas. Algumas caminham num processo de maior contribui\u00e7\u00e3o, de maior parceria com os \u00f3rg\u00e3os de controle. Outras se tornam ainda mais dif\u00edceis pela sua pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>A revista Oeste investiu R$ 410 mil em impulsionamento em 30 dias<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Agora, quem dessas plataformas e desses atores est\u00e1 lucrando, ou est\u00e1 investindo, ou est\u00e1 ganhando dinheiro com essa desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 um pouco mais dif\u00edcil de dizer. Mas posso, por exemplo, citar, sem medo de errar que, entre esses atores, a revista Oeste, o Brasil Paralelo e a Gazeta do Povo, sem d\u00favida alguma, est\u00e3o entre os primeiros.<\/p>\n<p>Um exemplo: a revista Oeste investiu R$ 410 mil em impulsionamento nos \u00faltimos 30 dias dentro do grupo Meta, Facebook e Instagram. Quase meio milh\u00e3o de reais em impulsionamento. O Brasil Paralelo, mais de R$ 260 mil. A Gazeta do Povo eu n\u00e3o sei quanto investiu, por exemplo, no Twitter (X) mas todo dia tem an\u00fancio no Twitter. Muitos deles, an\u00fancios de opini\u00e3o, de est\u00edmulo a discurso de \u00f3dio, contra governo, muitas vezes com informa\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter bem duvidoso. Esses tr\u00eas, pelo volume de informa\u00e7\u00e3o e de investimento que t\u00eam v\u00e3o estar na linha de frente.<\/p>\n<p><strong>BdF RS &#8211; O que percebeu de diferente, agora, na enchente de 2024, em compara\u00e7\u00e3o com outros dois grandes surtos de desinforma\u00e7\u00e3o ocorridos nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018 e 2022? Embora o caso seja mais parecido com a mar\u00e9 de desinforma\u00e7\u00e3o surgida na pandemia, quando contou com Bolsonaro como o grande propagador, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00facio Uberdan &#8211;\u00a0<\/strong>Existem t\u00e9cnicas de conte\u00fado, de abordagem, de t\u00e1ticas de viraliza\u00e7\u00e3o muito similares. Mas muito mais complexas do que a gente tinha. Em 2018, por exemplo, o foco era muito em torno do WhatsApp. Ap\u00f3s 2018, muito em torno dos influencers, mas atualmente muito em torno do impulsionamento, como a revista Oeste, com quase meio milh\u00e3o de reais em 30 dias.<\/p>\n<p>Acho que a grande diferen\u00e7a que temos agora \u00e9 menos do jeito que \u00e9 produzido, das t\u00e1ticas de viraliza\u00e7\u00e3o que se tem, e muito mais da prioriza\u00e7\u00e3o, da mobiliza\u00e7\u00e3o, da proatividade que se tem hoje das institui\u00e7\u00f5es em combater as fake news.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>Depois do que aconteceu em janeiro de 2023, o combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o ganhou urg\u00eancia nas institui\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Em 2018, quase n\u00e3o tinha oposi\u00e7\u00e3o (\u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o). Em 2022, o Judici\u00e1rio j\u00e1 acorda, a \u00e1rea pol\u00edtica j\u00e1 acorda, a imprensa, de certa forma, j\u00e1 estava acordada mas executava pouco, mas j\u00e1 estava um pouquinho presente.<\/p>\n<p>Agora, em 2024, principalmente depois do que aconteceu em janeiro de 2023 (a invas\u00e3o dos poderes e tentativa de golpe), esse tema ganha urg\u00eancia dentro dessas institui\u00e7\u00f5es. Aqui no Rio Grande do Sul, com 23 dias de crise, o tema de fake news j\u00e1 foi uma prioridade. Foi a principal quest\u00e3o durante a crise e, em dois ou tr\u00eas dias j\u00e1 mobilizou o governo, o Judici\u00e1rio, as plataformas.<\/p>\n<p>Acho que a grande mudan\u00e7a que se tem, na compara\u00e7\u00e3o entre 2018\/2022 e agora, \u00e9 a prioridade que est\u00e1 se dando a combater e entender a gravidade que \u00e9 a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>Um dos objetivos das not\u00edcias falsas \u00e9 se aproveitar da raiva da sociedade e promover um caos informativo<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>BdF RS &#8211; Seria correto dizer que o objetivo da onda de not\u00edcias falsas \u00e9 gerar inseguran\u00e7a e raiva na popula\u00e7\u00e3o como forma de criar um caos informativo e, assim, atingir o poder p\u00fablico envolvido no resgate e no acolhimento das v\u00edtimas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00facio Uberdan &#8211;<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida, um dos principais objetivos dessa onda de not\u00edcias falsas \u00e9 se aproveitar da raiva da sociedade e promover um caos informativo, dificultando as a\u00e7\u00f5es de campo. \u00c9 a\u00ed que reside o crime das fake news. Porque fake news por fake news em si n\u00e3o \u00e9 crime, mas num contexto como esse que vivemos, uma onda de desinforma\u00e7\u00e3o que prejudica um salvamento ou gera p\u00e2nico na sociedade, tem problemas para a vida das pessoas. Sem d\u00favida alguma, \u00e9 criminoso.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, tem outras camadas tamb\u00e9m que s\u00e3o importantes para pontuarmos. As fake news tamb\u00e9m t\u00eam por objetivo a desconstru\u00e7\u00e3o do seu oponente pol\u00edtico, principalmente para aquelas que s\u00e3o criadas por atores pol\u00edticos.Tamb\u00e9m t\u00eam o objetivo de consolidar determinadas narrativas. Ou seja, eu produzo not\u00edcia falsa para destruir meu oponente pol\u00edtico, produzo not\u00edcia falsa para tamb\u00e9m consolidar uma determinada mensagem. E tamb\u00e9m, em alguns casos, principalmente para aqueles atores que t\u00eam o objetivo da monetiza\u00e7\u00e3o, as fake news s\u00e3o uma forma de extrair valor com a audi\u00eancia e tamb\u00e9m desinformar.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>Se ficares dizendo que, quando baixarem as \u00e1guas, vai haver 300 corpos boiando vais gerar uma audi\u00eancia muito maior<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Um bom exemplo disso \u00e9 a desconstru\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito. \u00c9 sabido tamb\u00e9m que a monetiza\u00e7\u00e3o das plataformas, a venda de publicidade online, alimenta-se da audi\u00eancia e a audi\u00eancia se alimenta com uma constante desinforma\u00e7\u00e3o. A desinforma\u00e7\u00e3o gera audi\u00eancia. Se ficares dizendo que, quando baixarem as \u00e1guas, vai haver 300 corpos boiando e fizeres (postares) umas fotos quaisquer, isso tudo vai gerar uma audi\u00eancia muito maior do que explicar o passo-a-passo para as pessoas acessarem determinada pol\u00edtica p\u00fablica. Ent\u00e3o, tem um interesse econ\u00f4mico tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>BdF RS &#8211; \u00c9 interessante notar que, embora a origem e o impulsionamento venham da extrema direita, e tenham como alvo o governo federal, tamb\u00e9m outras inst\u00e2ncias de governo s\u00e3o atingidas. Dois exemplos: a) em Canoas, a prefeitura teve que gravar boletins desmentindo que todas as doa\u00e7\u00f5es dirigidas ao munic\u00edpio seriam confiscadas pelo poder municipal; b) em Pelotas, a prefeita fez o mesmo para desmentir que uma onda gigante com sete metros de altura vinha pelas lagoa dos Patos e afogaria a cidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00facio Uberdan &#8211;<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida, o governo federal \u00e9 um dos alvos principais, o mais vis\u00edvel de toda essa campanha de desinforma\u00e7\u00e3o. Mas, como a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais ampla do que apenas combater um inimigo pol\u00edtico, acaba tendo zonas cinzentas muito grandes. E se agrava mais porque estamos em ano eleitoral. Cada cidade tem algum interesse diferente para aquele grupo mais \u00e0 direita daquele munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Dificilmente a gente vai ver algum ataque coordenado contra a prefeitura de Porto Alegre ou algumas prefeituras da Serra. Mas, tirando elas, quase todos as restantes s\u00e3o alvos, inclusive empresas, inclusive outros \u00f3rg\u00e3os que, em tese, s\u00e3o apartid\u00e1rios, como o Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>A gente atraca o maior navio de guerra do pa\u00eds para salvar as pessoas, mas a nossa comunica\u00e7\u00e3o ainda segue de estilingue<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>BdF RS &#8211; H\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o entre os influenciadores pol\u00edticos propriamente ditos e os n\u00e3o pol\u00edticos, grupo do qual fazem parte as celebridades. Como est\u00e1 acompanhando o comportamento de um e outro grupo na cat\u00e1strofe de agora?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00facio Uberdan &#8211;\u00a0<\/strong>Vejo, no caso das celebridades &#8211; acompanho um pouco pela m\u00eddia &#8211; tal pessoa do BBB chegou agora no abrigo. Quero ver se esse tipo de celebridade tenta aproveitar o momento. \u00c9 algo pontual em busca de uma visibilidade, fazendo algo muito b\u00e1sico. J\u00e1 os influencers pol\u00edticos s\u00e3o aqueles que se pautaram menos pela discuss\u00e3o pol\u00edtica do que pelo apoio direto \u00e0s pessoas atingidas pela enchente, como o caso do Felipe Neto, que ganhou uma exposi\u00e7\u00e3o muito grande, principalmente porque viabilizou in\u00fameras coisas (ajudas) e menos pelo debate pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>BdF RS &#8211; Os governos, especialmente o federal, atrav\u00e9s do ministro Paulo Pimenta, t\u00eam usado a internet para rebater not\u00edcias falsas. Voc\u00ea acompanhou essas falas? Este modo de rebater funciona?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00facio Uberdan &#8211;\u00a0<\/strong>Todos os esfor\u00e7os da Secom e do ministro s\u00e3o de grande import\u00e2ncia e j\u00e1 apresentam resultados concretos. Inclusive do ponto de vista de rebater a desinforma\u00e7\u00e3o de forma direta, ainda que, nesse caso espec\u00edfico, acho que houve um resultado menor.<\/p>\n<p>Os grandes resultados que temos no combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o ocorrem menos pela capacidade da nossa informa\u00e7\u00e3o se sobrepor a cesse movimento e muito mais por conta das articula\u00e7\u00f5es com outras institui\u00e7\u00f5es, como o Judici\u00e1rio e pol\u00edcia. Existe uma certa cren\u00e7a &#8211; e a\u00ed estou apenas chutando &#8211; de que se a gente conseguir tirar as pessoas que desinformam, derrubar os conte\u00fados e enquadrar as plataformas, vamos resolver o problema da desinforma\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 uma grande ilus\u00e3o. A desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 resolvida apenas assim. Isso vai cumprir um papel importante mas se a comunica\u00e7\u00e3o institucional segue com um v\u00e1cuo de comunica\u00e7\u00e3o, se segue burocr\u00e1tica, se segue lenta ser\u00e1 sempre uma presa para a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dou um bom exemplo com o que estamos vivenciando no Rio Grande do Sul. Foi montada uma estrat\u00e9gia de guerra para salvar os ga\u00fachos que est\u00e3o em \u00e1reas alagadas. Est\u00e1 se formando uma estrat\u00e9gia de guerra para financiar a economia. Durante esse processo, est\u00e1 se dizendo que as fake news s\u00e3o muito importantes. S\u00f3 que a gente n\u00e3o montou igualmente uma estrat\u00e9gia de guerra de informa\u00e7\u00e3o junto \u00e0s pessoas do estado sobre o que, de fato, est\u00e1 acontecendo. Ent\u00e3o o que acontece? A gente atraca o maior navio de guerra do pa\u00eds para salvar as pessoas, mas a nossa comunica\u00e7\u00e3o ainda segue de estilingue.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>S\u00f3 silenciar quem desinforma &#8211; e tem que silenciar mesmo &#8211; e manter as plataformas em r\u00e9dea curta n\u00e3o vai resolver o problema\u201d<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Temos um problema grave que torna dif\u00edcil acharmos que, em um horizonte pr\u00f3ximo, vamos conseguir vencer a batalha. Principalmente se seguirmos apenas na l\u00f3gica de que se eu silenciar todos os que desinformam &#8211; e tem que silenciar mesmo &#8211; e manter as plataformas numa r\u00e9dea curta, vou resolver o problema. N\u00e3o vou.<\/p>\n<p>Preciso tamb\u00e9m resolver um v\u00e1cuo da informa\u00e7\u00e3o institucional e preciso em momentos como esse tamb\u00e9m montar uma estrat\u00e9gia de guerra para a comunica\u00e7\u00e3o. Sen\u00e3o eu posso atracar o maior navio de guerra aqui e, daqui a pouco, ser uma p\u00e9ssima not\u00edcia. Virar uma p\u00e9ssima marca. Ser o exemplo de uma narrativa negativa. Por qu\u00ea? Porque eu n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de projetar aquela informa\u00e7\u00e3o com a pot\u00eancia, a velocidade, as caracter\u00edsticas que se pedem na sociedade contempor\u00e2nea e hiperconectada.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>\u00c9 preciso ter capacidade de informar com rapidez e de forma segmentada, com conte\u00fados e plataformas na velocidade que a crise pede<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>BdF RS &#8211; Teremos um longo per\u00edodo de reconstru\u00e7\u00e3o do estado e das cidades atingidas, o que ir\u00e1 se misturar, logo adiante, com as campanhas eleitorais. Certamente, as fake news aumentar\u00e3o juntando os dois eventos. Qual a melhor maneira de combater as mentiras que vir\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00facio Uberdan &#8211;<\/strong>\u00a0O que vimos de fake news agora, durante esses dias da cat\u00e1strofe que abateu o estado, provavelmente vai ser muito pouco perto do que \u00a0veremos durante todo o processo. E, se nesse per\u00edodo curto, achamos que foi muito negativo, precisamos entender que devemos ir al\u00e9m de jogar boa parte das fichas, ou talvez quase todas, num processo de achar que se resolve a desinforma\u00e7\u00e3o anulando os seus agentes, localizando quem \u00e9 o promotor e tirando-o da rede, derrubando o conte\u00fado.<\/p>\n<p>Esta linha de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante, n\u00e3o pode parar e tem que ser aprofundada junto \u00e0s plataformas, ao judici\u00e1rio, \u00e0 pol\u00edcia. Mas essa linha sempre vai correr atr\u00e1s e sempre vai chegar em uma s\u00f3 parte. Nunca vai conseguir resolver o problema. Para um processo longo como esse e para in\u00fameros outros, inclusive para o governo como um todo, \u00e9 preciso resolver esse v\u00e1cuo da comunica\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter capacidade de informar com rapidez e de forma segmentada, com conte\u00fados e plataformas na velocidade e na intensidade que a crise pede. S\u00f3 como exemplo inicial. Repito: n\u00e3o adianta a atracar o maior navio de guerra do pa\u00eds. Vai salvar in\u00fameras vidas e quem foi salvo vai entender. Mas quem n\u00e3o for salvo precisa ser comunicado. Quem n\u00e3o teve contato com esse navio precisa ser comunicado sobre isso de uma forma potente.<\/p>\n<p>\u00c9 o grande desafio e passa por essa combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, seja de maior controle das plataformas, de identifica\u00e7\u00e3o das redes de desinforma\u00e7\u00e3o, de derrubada de conte\u00fados, mas tamb\u00e9m de uma opera\u00e7\u00e3o de guerra de qualifica\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. Sen\u00e3o, enquanto a gente depender s\u00f3 da parte jur\u00eddica e policial, nunca vamos dar conta de toda a desinforma\u00e7\u00e3o que se tem. Precisamos resolver esse v\u00e1cuo informacional. Enquanto n\u00e3o resolvermos vamos estar sempre perdendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Fonte: BdF Rio Grande do Sul<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista em redes, L\u00facio Uberdan avisa que s\u00f3 Judici\u00e1rio e pol\u00edcia n\u00e3o bastam para travar a dissemina\u00e7\u00e3o de mentiras O consultor L\u00facio Uberdan\u00a0lida com tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o h\u00e1 17 anos. Comp\u00f4s, em 2011, a equipe de redes sociais da secretaria de comunica\u00e7\u00e3o do governo Tarso Genro. 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