{"id":37091,"date":"2024-06-19T16:20:04","date_gmt":"2024-06-19T19:20:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=37091"},"modified":"2024-06-19T16:20:04","modified_gmt":"2024-06-19T19:20:04","slug":"em-11-anos-73-dos-homicidios-no-brasil-foram-contra-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/06\/19\/em-11-anos-73-dos-homicidios-no-brasil-foram-contra-negros\/","title":{"rendered":"Em 11 anos, 73% dos homic\u00eddios no Brasil foram contra negros"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Atlas da Viol\u00eancia mostra que a chance de morte violenta entre pretos e pardos \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior<\/strong><\/p>\n<p>De 2012 a 2022, em m\u00e9dia, 111<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/04\/pesquisa-mostra-dificuldade-de-entender-como-o-racismo-se-manifesta-no-cotidiano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0pessoas negras foram assassinadas<\/a>\u00a0por dia no Brasil. Esse n\u00famero \u00e9 2,7 vezes maior do em compara\u00e7\u00e3o com pessoas n\u00e3o negras, segundo dados do mais recente Atlas da Viol\u00eancia, divulgado nessa ter\u00e7a-feira (18\/06).<\/p>\n<p>Foram 609.697 homic\u00eddios registrados no per\u00edodo, de acordo com o documento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP). Desse total, 445.442 eram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/genoc%C3%ADdio-negro-%C3%A9-um-projeto-que-est%C3%A1-em-curso\/a-65066208\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow,noreferrer noopener\">pretos ou pardos<\/a>, o que corresponde a 73% dos homic\u00eddios contabilizados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estado de Alagoas foi o que apresentou, em 2022, o maior risco relativo de uma pessoa negra ser v\u00edtima de viol\u00eancia letal \u2013 a chance \u00e9 23,7 vezes maior do que em rela\u00e7\u00e3o a pessoas com outros tons de pele.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Viol\u00eancia contra crian\u00e7as e jovens<\/strong><\/p>\n<p>Mais da metade das v\u00edtimas de homic\u00eddios no Brasil no per\u00edodo analisado (2012-2022) tinha entre 15 e 29 anos. O relat\u00f3rio mostra que 321.466 jovens dessa faixa et\u00e1ria morreram de forma violenta, uma m\u00e9dia de 80 por dia.<\/p>\n<p>Isso significa que 15.220.914 anos potenciais de vida de crian\u00e7as e jovens foram perdidos no Brasil para a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>As taxas de homic\u00eddios de jovens ca\u00edram entre 2017 e 2021, no entanto, o decr\u00e9scimo foi mais intenso entre jovens brancos do que entre jovens negros, o que ampliou a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/10\/04\/pretos-e-pardos-na-camara-dos-deputados-negros-ocuparao-apenas-das-26-cadeiras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desigualdade\u00a0<\/a>em termos de vulnerabilidade \u00e0 viol\u00eancia letal, destaca o documento.<\/p>\n<p>Sobre viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes, o Atlas destaca que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/pl-antiaborto-deve-afetar-meninas-v%C3%ADtimas-de-estupro\/a-69347482\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow,noreferrer noopener\">meninas de 10 a 14 anos<\/a>\u00a0s\u00e3o as maiores v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual no Brasil. Elas sofrem, proporcionalmente, mais ataques sexuais do que mulheres adultas.<\/p>\n<p>Em 2022, 49,6% das meninas nessa faixa et\u00e1ria atendidas pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) devido a casos de viol\u00eancia foram violentadas sexualmente. Entra nessa categoria de viol\u00eancia situa\u00e7\u00f5es em que uma pessoa se vale de uma posi\u00e7\u00e3o de poder e usa da for\u00e7a ou influ\u00eancia psicol\u00f3gica para for\u00e7ar uma intera\u00e7\u00e3o sexual, incluindo casos de estupro.<\/p>\n<p>&#8220;Se tiv\u00e9ssemos que descrever o que \u00e9 ser uma mulher no Brasil, poder\u00edamos dizer que na primeira inf\u00e2ncia \u00e9 a neglig\u00eancia a forma mais frequente de viol\u00eancia, cujos principais autores s\u00e3o pais e m\u00e3es, na mesma propor\u00e7\u00e3o. A partir dos 10 at\u00e9 os 14 anos, essas meninas s\u00e3o vitimadas principalmente por formas de viol\u00eancia sexual, com homens que ocupam as fun\u00e7\u00f5es de pai e padrasto como principais algozes. Dos 15 at\u00e9 os 69 anos, \u00e9 a viol\u00eancia f\u00edsica provocada por pais, padrastos, namorados ou maridos a forma de viol\u00eancia prevalente entre as mulheres&#8221;, explicam os autores do documento.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Mortes ocultas<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o Atlas, os n\u00fameros de homic\u00eddios s\u00e3o subnotificados no pa\u00eds. No per\u00edodo analisado, 131.562 pessoas morreram de morte violenta sem que o Estado conseguisse identificar a causa b\u00e1sica do \u00f3bito, se decorrente de acidentes, suic\u00eddios ou homic\u00eddios.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio calcula que nesses 11 anos tenha havido 51.726 assassinatos n\u00e3o contabilizados, o que faria com o que o n\u00famero de homic\u00eddios subisse para 661.423.<\/p>\n<p>&#8220;Para que se possa entender a magnitude do problema, o n\u00famero de homic\u00eddios ocultos entre 2012 e 2022 foi maior do que todos os homic\u00eddios ocorridos no \u00faltimo ano analisado&#8221;, diz o documento.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Deutsche Welle<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atlas da Viol\u00eancia mostra que a chance de morte violenta entre pretos e pardos \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior De 2012 a 2022, em m\u00e9dia, 111\u00a0pessoas negras foram assassinadas\u00a0por dia no Brasil. 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