{"id":37641,"date":"2024-08-05T19:13:28","date_gmt":"2024-08-05T22:13:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=37641"},"modified":"2024-08-05T19:15:10","modified_gmt":"2024-08-05T22:15:10","slug":"professor-da-ufma-explica-o-que-e-e-os-principais-cuidados-contra-a-febre-do-oropouche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/08\/05\/professor-da-ufma-explica-o-que-e-e-os-principais-cuidados-contra-a-febre-do-oropouche\/","title":{"rendered":"Professor da UFMA explica o que \u00e9 e os principais cuidados contra a febre do oropouche"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Febre do Oropouche (FO) tem ganhado destaque como uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente em v\u00e1rias regi\u00f5es da Am\u00e9rica Central e do Sul. De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a FO \u00e9 uma doen\u00e7a provocada por um arbov\u00edrus (v\u00edrus transmitido por artr\u00f3podes) do g\u00eanero Orthobunyavirus, pertencente \u00e0 fam\u00edlia Peribunyaviridae.<\/strong><\/p>\n<p>O v\u00edrus Oropouche (OROV) foi identificado pela primeira vez no Brasil, em 1960, em uma amostra de sangue de uma pregui\u00e7a (Bradypus tridactylus) capturada durante a constru\u00e7\u00e3o da rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia. Desde ent\u00e3o, casos isolados e surtos foram registrados no Brasil, especialmente nos estados da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Al\u00e9m disso, surgiram relatos de casos e surtos em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e do Sul, como Panam\u00e1, Argentina, Bol\u00edvia, Equador, Peru e Venezuela.<\/p>\n<p>A febre do oropouche se manifesta com sintomas como febre alta, dores de cabe\u00e7a intensas, dores musculares e articulares, al\u00e9m de sintomas gastrointestinais. A doen\u00e7a pode causar grande desconforto e incapacidade tempor\u00e1ria, impactando significativamente a qualidade de vida dos afetados.<\/p>\n<p>Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em 2024, foram registrados 7.236 casos de febre do oropouche em vinte estados brasileiros. A maior parte dos casos foi registrada no Amazonas e Rond\u00f4nia. No Estado do Maranh\u00e3o, a Secretaria de Estado da Sa\u00fade (SES) confirmou dezoito casos de FO, sendo um em A\u00e7ail\u00e2ndia, um em Pinheiro, um em Santa Rita, dois em S\u00e3o Lu\u00eds, quatro em Bacabeira e nove em Cidel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>A Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) tem se destacado na luta contra a febre do oropouche, informando a comunidade sobre os riscos e as medidas necess\u00e1rias para evitar a contamina\u00e7\u00e3o. Para uma compreens\u00e3o abrangente dos cuidados necess\u00e1rios e das formas de transmiss\u00e3o, o mestre em Entomologia e doutor em Zoologia, professor da UFMA Jos\u00e9 Manuel Mac\u00e1rio Reb\u00ealo, responde a algumas perguntas.<\/p>\n<div>\n<p><b>Confira a entrevista concedida \u00e0 Diretoria de Comunica\u00e7\u00e3o da UFMA abaixo:<\/b><\/p>\n<p><strong>Diretoria de Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; Como se contrai a febre do oropouche?<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Manuel Mac\u00e1rio Reb\u00ealo &#8211; O meio de transmiss\u00e3o natural \u00e9 pela picada de f\u00eameas de maruins da esp\u00e9cie Culicoides paraensis (insetos da ordem dos d\u00edpteros e da fam\u00edlia Ceratopogonidae). Esses insetos s\u00e3o muito pequenos, quando pousam em nossa pele para infligir a picada, parece um gr\u00e3o de p\u00f3lvora, por isso, comumente s\u00e3o chamados de mosquito-p\u00f3lvora. Como s\u00e3o muito frequentes nos manguezais, s\u00e3o conhecidos tamb\u00e9m pelo des\u00edgnio mosquito-do-mangue.<\/p>\n<p><strong>Existe transmiss\u00e3o alternativa da febre do oropouche?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade h\u00e1 a suspeita de que o v\u00edrus seja passado da gestante para o feto, por isso, \u00e9 preciso manter a vigil\u00e2ncia para a possibilidade de transmiss\u00e3o vertical do v\u00edrus Oropouche. Tamb\u00e9m h\u00e1 possibilidade de o v\u00edrus ser transmitido por outros maruins, al\u00e9m de Culicoides paraensis, e por outros insetos, como os mosquitos e pernilongos, mas isso s\u00f3 vai ser confirmado em pesquisas futuras.<\/p>\n<p><strong>DCom &#8211; Quais s\u00e3o os principais sintomas da doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>JR &#8211; Os sintomas s\u00e3o parecidos com os de outras doen\u00e7as transmitidas por mosquitos como zika virus e febre chikungunya ou seja: febre de in\u00edcio repentino, dor de cabe\u00e7a, dores musculares e nas articula\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de tontura, dor na parte posterior dos olhos, calafrios, n\u00e1useas e v\u00f4mitos. Na maioria dos casos, manifesta\u00e7\u00f5es, como febre e dor de cabe\u00e7a persistem por duas semanas. Pode ocorrer sintomas mais pr\u00f3prios e, eventualmente, pode ocorrer a evolu\u00e7\u00e3o de problemas mais graves como meningites ou meningocefalites.<\/p>\n<p><strong>DCom &#8211; H\u00e1 exames que detectam a doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>JR &#8211; O diagn\u00f3stico da febre do oropouche \u00e9 cl\u00ednico, epidemiol\u00f3gico e laboratorial. Na fase inicial da doen\u00e7a, o exame PCR (m\u00e9todo de biologia molecular) \u00e9 o mais indicado. Todo caso com diagn\u00f3stico de infec\u00e7\u00e3o pelo OROV deve ser notificado.<\/p>\n<p><strong>DCom &#8211; Qual o tratamento da febre do oropouche?<\/strong><\/p>\n<p>JR &#8211; Como outras arboviroses, n\u00e3o h\u00e1 tratamento para a doen\u00e7a. A preven\u00e7\u00e3o \u00e9 feita mediante a prote\u00e7\u00e3o contra o vetor (os maruins).<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9 o reservat\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p>No ciclo silvestre, animais como bichos-pregui\u00e7a e macacos infectados funcionam com fonte da infec\u00e7\u00e3o para o vetor, enquanto, no ciclo urbano, os seres humanos s\u00e3o os mais infectados.<\/p>\n<p><strong>Curiosidade!<\/strong><\/p>\n<p>Essa arbovirose ou doen\u00e7a transmitida por vetores, foi descoberta na d\u00e9cada de 60, mas ainda \u00e9 pouco estudada no Brasil. A notifica\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica dessa doen\u00e7a \u00e9 muito dif\u00edcil de ser demonstrada, pois a falta de diagn\u00f3stico preciso em hospitais fazem com que os casos sejam subnotificados, por isso foi negligenciada por anos. Agora est\u00e1 requerendo uma aten\u00e7\u00e3o especial, devido aos surtos isolados peri\u00f3dicos em popula\u00e7\u00f5es humanas, principalmente, na regi\u00e3o Norte (Par\u00e1, Amazonas, Tocantins, Acre, Amap\u00e1, entre outros) e Mato Grosso. Recentemente, apareceram casos espalhados pelo Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>DCom &#8211; Quais s\u00e3o os principais m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o que a popula\u00e7\u00e3o pode adotar para evitar a propaga\u00e7\u00e3o dessa doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>JR &#8211; Como a doen\u00e7a \u00e9 transmitida por maruins, o ideal \u00e9 manter-se longe deles. Evitar o contato com \u00e1reas de grandes infesta\u00e7\u00f5es (brejos, alagadi\u00e7os, manguezal etc) e minimizar a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s picadas. Como medidas paliativas individuais, as pessoas podem usar repelentes, os mesmos indicados para os mosquitos e pernilongos, e seguir as recomenda\u00e7\u00f5es do fabricante. Contudo \u00e9 indicada a limpeza de terrenos e de locais de cria\u00e7\u00e3o de animais dom\u00e9sticos, como est\u00e1bulos e currais, nos arredores das casas, recolhimento de folhas e frutos que caem no solo e fezes de animais. Os maruins podem procriar nesses ambientes \u00famidos e ricos em mat\u00e9ria org\u00e2nica, al\u00e9m de corpos d\u2019\u00e1gua pr\u00f3ximos (brejos, alagadi\u00e7os, manguezal).<\/p>\n<p><strong>DCom &#8211; Qual \u00e9 a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e da conscientiza\u00e7\u00e3o para prevenir a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>JR &#8211; O controle de maruins \u00e9 um grande desafio, e diversos m\u00e9todos s\u00e3o empregados. Os inseticidas nem sempre s\u00e3o eficazes para controlar maruins. Aqueles que s\u00e3o altamente t\u00f3xicos n\u00e3o s\u00e3o mais recomendados. A aplica\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias com baixa toxicidade (menos prejudiciais ao meio ambiente), incluindo os piretr\u00f3ides, derivados de produtos vegetais, mesmo que funcionem para mosquitos e pernilongos, parecem que n\u00e3o reduzem a abund\u00e2ncia de maruins.<\/p>\n<p>O manejo ambiental integrado parece que \u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o. Pode ser adotado em \u00e1reas com infesta\u00e7\u00f5es de maruins. Conforme o estudo executado por pesquisadores do LEV-UFMA, o processo de manejo envolve limpeza, retirada da folhagem do solo, poda de \u00e1rvores para aumentar a penetra\u00e7\u00e3o da luz, retirada de lixo e redu\u00e7\u00e3o do aporte de mat\u00e9ria org\u00e2nica pr\u00f3ximo \u00e0s casas. Este m\u00e9todo serve para reduzir ou eliminar potenciais \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o, diminuindo o ass\u00e9dio de insetos aos moradores. A gest\u00e3o ambiental \u00e9 um processo barato e eficaz que pode e deve ser conduzido pelos habitantes locais das \u00e1reas focais. Essa estrat\u00e9gia de controle vetorial \u00e9 incentivada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas em conjunto com a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e o controle entomol\u00f3gico (vetorial). No entanto todas as medidas de controle devem ser implementadas com cautela e requerem a integra\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os por parte de v\u00e1rios setores governamentais (por exemplo, Secretaria do Meio Ambiente, Agricultura, Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade), universidades e membros da popula\u00e7\u00e3o afetada. A pesquisa da doutora Bandeira (LEV-UFMA) sobre a influ\u00eancia do manejo ambiental nos Len\u00e7\u00f3is Maranhenses demonstrou que \u00e9 poss\u00edvel reduzir a popula\u00e7\u00e3o de maruins e outros insetos vetores que se criam nos arredores das casas, adotando a limpeza como uma medida de controle vetorial. Abrigos ativos de animais dom\u00e9sticos, como chiqueiro, galinheiro, est\u00e1bulo e curral s\u00e3o fortes atrativos para os maruins. A presen\u00e7a de animais dom\u00e9sticos e abrigos de animais, e a falta de gest\u00e3o ambiental (limpeza) podem contribuir para uma maior infesta\u00e7\u00e3o desses insetos indesejados. Ent\u00e3o \u00e9 preciso ficar vigilante quanto a esses aspectos. Atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental e de sa\u00fade s\u00e3o muito \u00fateis para ajudar as pessoas a se livrarem dos maruins e outros insetos.<\/p>\n<p><strong>Maruins no Maranh\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>As nossas pesquisas entomol\u00f3gicas realizadas no Estado do Maranh\u00e3o resultaram no encontro de mais de quareta esp\u00e9cies de maruins, inclusive o Culicoides paraensis (o principal vetor da febre do oroupoche). Por\u00e9m, nem em todos os lugares onde ocorreram casos de febre do oropouche, essa esp\u00e9cie est\u00e1 presente. As vezes devido \u00e0 mobilidade das pessoas, um paciente pode adquirir o v\u00edrus num lugar e adoecer em outro. Essa \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o muito importante para a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica. \u00c9 preciso procurar o vetor onde o paciente mora, se n\u00e3o encontrar, faz-se a busca por onde ele andou. Por outro lado, as pesquisas n\u00e3o devem ser direcionadas apenas para o Culicoides paraensis, \u00e9 preciso procurar outras esp\u00e9cies de maruins e tamb\u00e9m os mosquitos culic\u00eddeos, pois Culicoides paraensis n\u00e3o \u00e9 um maruim comum, n\u00e3o est\u00e1 em todos os locais de foco da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Aten\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p>A febre de oropouche \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, e deve ser mais estudada para que n\u00e3o seja confundida com outros tipos de doen\u00e7as virais. Precisamos implantar urgentemente laborat\u00f3rios com infraestrutura adequada e recursos humanos especializados.<\/p>\n<p>www.blogmardenramalho.blogspot.com\/Sarah Dantas<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Febre do Oropouche (FO) tem ganhado destaque como uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente em v\u00e1rias regi\u00f5es da Am\u00e9rica Central e do Sul. De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a FO \u00e9 uma doen\u00e7a provocada por um arbov\u00edrus (v\u00edrus transmitido por artr\u00f3podes) do g\u00eanero Orthobunyavirus, pertencente \u00e0 fam\u00edlia Peribunyaviridae. 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