{"id":38479,"date":"2024-09-26T19:00:32","date_gmt":"2024-09-26T22:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=38479"},"modified":"2024-09-26T19:00:32","modified_gmt":"2024-09-26T22:00:32","slug":"dieese-reforma-trabalhista-e-precarizacao-dificultam-acesso-de-jovens-ao-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2024\/09\/26\/dieese-reforma-trabalhista-e-precarizacao-dificultam-acesso-de-jovens-ao-trabalho\/","title":{"rendered":"Dieese: reforma trabalhista e precariza\u00e7\u00e3o dificultam acesso de jovens ao trabalho"},"content":{"rendered":"<p><strong>A atribui\u00e7\u00e3o da responsabilidade pela situa\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221; (nem estuda, nem trabalha) aos pr\u00f3prios jovens \u00e9 equivocada, demonstra pesquisa do Dieese<\/strong><\/p>\n<p>No segundo trimestre de 2024, cerca de 9,8 milh\u00f5es de jovens entre 15 e 29 anos, aproximadamente 20% desse grupo et\u00e1rio, est\u00e3o sem trabalho e fora da escola, sendo classificados como gera\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221;. No entanto, a designa\u00e7\u00e3o simplista desses jovens como &#8220;nem estudam, nem trabalham&#8221; n\u00e3o reflete a realidade da maioria que se encontra em situa\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o ou enfrentando barreiras estruturais para ingressar no mercado de trabalho ou continuar os estudos.<\/p>\n<p>A atribui\u00e7\u00e3o da responsabilidade pela situa\u00e7\u00e3o dos &#8220;nem-nem&#8221; aos pr\u00f3prios jovens \u00e9 equivocada, demonstra uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese).<\/p>\n<p>Os dados comprovam que a maioria desses jovens est\u00e1 longe de estar ociosa, enfrentando, na verdade, um mercado de trabalho com alta rotatividade, postos de trabalho prec\u00e1rios e poucas oportunidades de qualifica\u00e7\u00e3o. Muitos n\u00e3o conseguem continuar estudando ou buscar emprego de forma ativa devido \u00e0 falta de recursos financeiros. Assim, solu\u00e7\u00f5es como a amplia\u00e7\u00e3o de cursos profissionalizantes ou a flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, como o contrato intermitente, t\u00eam se mostrado insuficientes para resolver o problema.<\/p>\n<p><strong>Dados da pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; \u00a07% dos jovens considerados &#8220;nem-nem&#8221; n\u00e3o estavam envolvidos em atividades como procurar emprego, realizar afazeres dom\u00e9sticos ou participar de cursos n\u00e3o regulares;<\/p>\n<p>&#8211; \u00a0Apenas 1,4% afirmaram n\u00e3o ter interesse em trabalhar;<\/p>\n<p>&#8211; \u00a0\u00a023% estavam ativamente procurando emprego;<\/p>\n<p>&#8211; 12% das mulheres n\u00e3o podiam trabalhar devido \u00e0 responsabilidade com afazeres dom\u00e9sticos, embora esse trabalho n\u00e3o seja contabilizado como parte da for\u00e7a de trabalho;<\/p>\n<p>&#8211; Outros 8% estavam envolvidos em cursos ou estudavam por conta pr\u00f3pria, o que revela uma tentativa de qualifica\u00e7\u00e3o fora dos meios formais de ensino.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos jovens nesse grupo \u00e9 majoritariamente tempor\u00e1ria. Cerca de 27% dos considerados &#8220;nem-nem&#8221;, no primeiro trimestre de 2024, j\u00e1 haviam deixado essa condi\u00e7\u00e3o no trimestre seguinte, muitos ap\u00f3s encontrarem trabalho.<\/p>\n<p>Em uma an\u00e1lise de longo prazo, 39% dos que estavam sem trabalho e fora da escola no segundo trimestre de 2023 mudaram de situa\u00e7\u00e3o no ano seguinte, evidenciando que grande parte desses jovens est\u00e1 em busca de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho ou retomando os estudos.<\/p>\n<p>Para o economista do Dieese, Gustavo Monteiro, esses dados demonstram que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que os jovens n\u00e3o queiram trabalhar, estudar ou se comprometer, mas que faltam oportunidades.<\/p>\n<p>\u201cO problema est\u00e1 nas oportunidades que eles t\u00eam, que s\u00e3o mais limitadas. Por isso, em vez de gera\u00e7\u00e3o \u2018nem-nem\u2019, preferimos chamar esses jovens de \u2018sem-sem\u2019, sem trabalho e sem estudo, afirma Monteiro.<\/p>\n<p>O comportamento da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o dos jovens segue o padr\u00e3o geral do mercado de trabalho, por\u00e9m com \u00edndices significativamente mais altos, o que refor\u00e7a a falta de oportunidades adequadas para esse segmento. A resposta para essa quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na culpabiliza\u00e7\u00e3o da juventude, mas na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas focadas no crescimento econ\u00f4mico, na valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e na promo\u00e7\u00e3o de empregos formais e est\u00e1veis. Estados e muncipios t\u00eam a maior parte dessas responsabilidades, j\u00e1 que, por exemplo, a educa\u00e7\u00e3o de base \u00e9 municipal e estadual. Sem isso, a transi\u00e7\u00e3o da escola para o mercado de trabalho continuar\u00e1 sendo um desafio para milh\u00f5es de jovens brasileiros.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade socioecon\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p>O desafio da transi\u00e7\u00e3o entre a escola e o trabalho \u00e9 agravado pela desigualdade socioecon\u00f4mica. Entre os jovens que conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio em 2023, aqueles oriundos de lares mais ricos tinham maior chance de continuar estudando ou se qualificando no in\u00edcio de 2024.<\/p>\n<p>Cerca de 18% desses jovens ingressaram no ensino superior, enquanto apenas 7% dos jovens de fam\u00edlias mais pobres seguiram esse caminho. Ainda, 9% dos jovens mais ricos estavam envolvidos em algum tipo de curso, enquanto essa propor\u00e7\u00e3o ca\u00eda para 6% entre os jovens de lares mais pobres.<\/p>\n<p>A busca por emprego tamb\u00e9m reflete essa disparidade. Cerca de 40% dos jovens de fam\u00edlias mais pobres que estavam no terceiro ano do ensino m\u00e9dio em 2023 j\u00e1 participavam do mercado de trabalho no in\u00edcio de 2024, com 30% empregados e 10% procurando ativamente uma vaga. Para os jovens de fam\u00edlias com menos recursos, a necessidade de entrar no mercado de trabalho \u00e9 urgente, mas eles encontram grandes dificuldades para se manterem empregados ou conseguirem estabilidade.<\/p>\n<p>Entre os jovens de lares mais ricos, esses percentuais eram consideravelmente mais baixos: 26% e 4%, respectivamente.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br\/Luiz R Cabral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atribui\u00e7\u00e3o da responsabilidade pela situa\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221; (nem estuda, nem trabalha) aos pr\u00f3prios jovens \u00e9 equivocada, demonstra pesquisa do Dieese No segundo trimestre de 2024, cerca de 9,8 milh\u00f5es de jovens entre 15 e 29 anos, aproximadamente 20% desse grupo et\u00e1rio, est\u00e3o sem trabalho e fora da escola, sendo classificados como gera\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221;. 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