{"id":3868,"date":"2018-12-17T17:23:22","date_gmt":"2018-12-17T19:23:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=3868"},"modified":"2018-12-17T17:23:22","modified_gmt":"2018-12-17T19:23:22","slug":"para-fazendeiros-sao-condenados-a-pagar-r-200-mil-por-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2018\/12\/17\/para-fazendeiros-sao-condenados-a-pagar-r-200-mil-por-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Par\u00e1: Fazendeiros s\u00e3o condenados a pagar R$ 200 mil por trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-3870\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/download-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"352\" height=\"234\" \/>Eles mantinham 80 trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o degradante, an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o, alojados em barracos cobertos com palha e lona pl\u00e1stica no meio da mata<\/strong><\/p>\n<p><strong>Escrito por: Marize Muniz<\/strong><\/p>\n<p>Os propriet\u00e1rios de duas fazendas localizadas na Rodovia Transamaz\u00f4nica, no interior do Estado do Par\u00e1, foram condenados a pagar R$ 200 mil por dano moral coletivo a 80 trabalhadores submetidos a situa\u00e7\u00e3o degradante, an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a den\u00fancia feita pelos trabalhadores, as necessidades fisiol\u00f3gicas eram realizadas a c\u00e9u aberto, sem qualquer privacidade, e a \u00e1gua para consumo era de m\u00e1 qualidade, retirada de c\u00f3rrego nas proximidades do alojamento. Al\u00e9m disso, eles ficavam alojados em barracos cobertos de palha e lona pl\u00e1stica no meio da mata.<\/p>\n<p>Apesar de ter destacado o descumprimento de normas trabalhistas de sa\u00fade e higiene, os desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 8\u00aa Regi\u00e3o (TRT), de Bel\u00e9m (PA), negaram a condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo que havia sido imposta pela 1\u00aa Vara do Trabalho de Tucuru\u00ed (PA).\u00a0Para o TRT, o descumprimento de regras m\u00ednimas de sa\u00fade e higiene, por si s\u00f3, n\u00e3o caracteriza \u201cescravid\u00e3o moderna\u201d, tampouco as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho possibilitam o reconhecimento de dano moral. O Minist\u00e9rio P\u00fablico recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).<\/p>\n<p>Os ministros da S\u00e9tima Turma decidiram, por unanimidade, pela condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo argumentando que a jurisprud\u00eancia do TST \u00e9 no sentido de obrigar o empregador a assegurar \u201ccondi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sa\u00fade, higiene e seguran\u00e7a aos empregados aonde quer que eles sejam levados para executar seu trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Para os ministros, os propriet\u00e1rios das fazendas submeteram, sim, os empregados a condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Autos de infra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Grupo M\u00f3vel de Fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho<\/strong>\u00a0lavrou 13 autos de infra\u00e7\u00e3o por falta de registro de trabalhadores, de pagamento de sal\u00e1rios e de equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual\u00a0 (EPI), al\u00e9m de instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias prec\u00e1rias, condi\u00e7\u00f5es de conforto e higiene (refeit\u00f3rios), fornecimento de alojamento e \u00e1gua pot\u00e1vel inadequados. Os trabalhadores eram respons\u00e1veis pela derrubada de \u00e1rvores e retirada de ra\u00edzes para a forma\u00e7\u00e3o de pastagens<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o registrou ainda a reincid\u00eancia dos propriet\u00e1rios que mantinham em outra fazenda 142 trabalhadores submetidos a trabalho escravo. Naquela ocasi\u00e3o, os fazendeiros deixaram de quitar d\u00edvidas de verbas rescis\u00f3rias calculadas em R$ 250 mil.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3871 alignright\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/TRAALHO-ESCRAVO-550x550-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/TRAALHO-ESCRAVO-550x550-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/TRAALHO-ESCRAVO-550x550-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/TRAALHO-ESCRAVO-550x550-540x540.jpg 540w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/TRAALHO-ESCRAVO-550x550.jpg 550w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Benfeitorias<\/strong><\/p>\n<p>Em sua defesa, os propriet\u00e1rios afirmaram que as propriedades possuem alojamento, \u00e1gua encanada e benfeitorias, n\u00e3o ocorrendo qualquer ato que reduza os empregados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0s de escravos. Por fim, argumentam que os empregados n\u00e3o t\u00eam limita\u00e7\u00e3o de locomo\u00e7\u00e3o, inclusive saem para fazer compras e telefonar para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Par\u00e1 \u00e9 campe\u00e3o do trabalho escravo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2007\/02\/municipios-mais-violentos-coincidem-com-os-campeoes-em-trabalho-escravo\/\">Relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-Americanos (OEI)<\/a>, divulgado no ano passado, revelou que a viol\u00eancia que tem se espalhado pelo interior do pa\u00eds se concentra especialmente nos munic\u00edpios localizados sob o arco do desflorestamento amaz\u00f4nico e em \u00e1reas de expans\u00e3o agr\u00edcola, no Norte do Mato Grosso e no Sul e Sudeste do Par\u00e1 \u2013 justamente as \u00e1reas campe\u00e3s em casos de trabalho escravo.<\/p>\n<p>E o campe\u00e3o de m\u00e3o-de-obra an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o, segundo a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) que analisou dados de 1995 a 2006, foi o Par\u00e1, com 8.177 pessoas libertadas.<\/p>\n<p>www.cut.org.br, com apoio da Secom TST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles mantinham 80 trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o degradante, an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o, alojados em barracos cobertos com palha e lona pl\u00e1stica no meio da mata Escrito por: Marize Muniz Os propriet\u00e1rios de duas fazendas localizadas na Rodovia Transamaz\u00f4nica, no interior do Estado do Par\u00e1, foram condenados a pagar R$ 200 mil por dano moral coletivo a 80 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3869,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[77],"class_list":["post-3868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-trabalho-escravo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3868"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3872,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3868\/revisions\/3872"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}