{"id":4335,"date":"2019-01-21T21:33:55","date_gmt":"2019-01-21T23:33:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=4335"},"modified":"2019-01-21T22:11:13","modified_gmt":"2019-01-22T00:11:13","slug":"ferimentos-com-armas-de-fogo-custam-r-190-milhoes-ao-sus-em-4-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/01\/21\/ferimentos-com-armas-de-fogo-custam-r-190-milhoes-ao-sus-em-4-anos\/","title":{"rendered":"Ferimentos com armas de fogo custam R$ 190 milh\u00f5es ao SUS em 4 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<header id=\"entry-header\" class=\"entry__header yr-entry-header\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-header&quot;:&quot;entry-header&quot;}\">\n<div class=\"headline\">\n<p>Foto destaque: Miguel Schincariol Via Getty Images\/ Decreto prev\u00ea que a \u201cefetiva necessidade\u201d para posse de armas inclui moradores de unidades federativas com \u00edndices anuais de mais de 10 homic\u00eddios por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p class=\"headline__subtitle\"><strong>Decreto que flexibiliza uso de armas de fogo pode aumentar custos para sistema de sa\u00fade p\u00fablica, alertam especialistas.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry__content js-entry-content\">\n<div class=\"entry__body\" data-part=\"contents\">\n<div id=\"entry-text\" class=\"post-contents yr-entry-text entry-embed\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\">\n<figure class=\"content-list-component image\"><span class=\"share-bar-image-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"image__src\" src=\"https:\/\/img.huffingtonpost.com\/asset\/5c425f592400001b0148690a.jpeg?ops=scalefit_960_noupscale\" aria-label=\"Nos &amp;uacute;ltimos 4 anos, com normas mais r&amp;iacute;gidas para o acesso a armamentos, o SUS gastou R$ 191,33 milh&amp;otilde;es com atendimentos de pessoas baleadas.\" \/><\/span><\/p>\n<div class=\"image__meta-wrapper\">\n<div class=\"image__meta-wrapper\"><span class=\"image__credit\">ASCOM \/ HPEG<\/span><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"image__caption\">Nos \u00faltimos 4 anos, com normas mais r\u00edgidas para o acesso a armamentos, o SUS gastou R$ 191,33 milh\u00f5es com atendimentos de pessoas baleadas.<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Al\u00e9m do risco de causar\u00a0<a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/entry\/estudos-armas-mortes-moro_br_5c40f7d7e4b0a8dbe16f1faf?utm_hp_ref=br-homepage\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"2\" data-v9y=\"1\">mais mortes<\/a>, a flexibiliza\u00e7\u00e3o do uso de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/news\/arma-de-fogo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"3\" data-v9y=\"1\"><strong>armas de fogo<\/strong><\/a>\u00a0decretada pelo governo de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/news\/jair-bolsonaro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"4\" data-v9y=\"1\"><strong>Jair Bolsonaro<\/strong><\/a>\u00a0pode sobrecarregar a sa\u00fade p\u00fablica. Nos \u00faltimos 4 anos, com normas mais r\u00edgidas para o acesso a armamentos em vigor, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/news\/sus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"5\" data-v9y=\"1\"><strong>SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade)<\/strong><\/a>\u00a0gastou R$ 191,33 milh\u00f5es com atendimentos de pessoas baleadas, segundo levantamento feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a pedido do HuffPost Brasil.<\/p>\n<p>Os custos incluem R$190,59 milh\u00f5es com 92.668 interna\u00e7\u00f5es entre 2015 e 2018 e R$ 742,32 mil com 16.325 atendimentos ambulatoriais no mesmo per\u00edodo. Uma mesma pessoa pode ter sido atendida mais de uma vez.<\/p>\n<p>O montante \u00e9 similar ao valor liberado pelo governo federal em mar\u00e7o para\u00a0a\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia emergencial e acolhimento humanit\u00e1rio de pessoas vindas da Venezuela, na crise migrat\u00f3ria que atinge principalmente o estado de Roraima.<\/p>\n<p><strong>Conhe\u00e7a o gr\u00e1fico clicando no link abaixo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/infogram.com\/gastos-internacoes-armas-de-fogo-sus-1ho16vvy1nd86nq\">https:\/\/infogram.com\/gastos-internacoes-armas-de-fogo-sus-1ho16vvy1nd86nq<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-list-component embed-asset\">\n<div>A amplitude de brasileiros baleados, contudo, \u00e9 ainda maior. Os n\u00fameros dos SUS n\u00e3o incluem pessoas atendidas pela rede particular ou que nem chegaram a ter atendimento m\u00e9dico. Em 2014, das 45.068 pessoas mortas por disparos, 25,1% chegaram a ser atendidas em um estabelecimento de sa\u00fade, mas n\u00e3o resistiram aos ferimentos,\u00a0de acordo com estudo da Fiocruz publicado em 2017 com base em dados do SUS de 24 capitais.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Apesar de a libera\u00e7\u00e3o de armas ter reflexos na sa\u00fade p\u00fablica, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o participou das discuss\u00f5es sobre a elabora\u00e7\u00e3o do decreto publicado na \u00faltima ter\u00e7a-feira (15). A pasta n\u00e3o respondeu questionamento da reportagem sobre sua posi\u00e7\u00e3o no debate do desarmamento nem se avaliou poss\u00edveis impactos do decreto no SUS.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-list-component embed-asset\">\n<div id=\"ig-a3e4e145-f502-f8ec-6b9e-40ec1f8fc263\" class=\"infogram-embed\" data-id=\"23fdbe04-e02c-425b-84ab-2ead17ddc2d4\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Gastos interna\u00e7\u00f5es armas de fogo SUS\" data-processed=\"1\">A amplitude de brasileiros baleados, contudo, \u00e9 ainda maior. Os n\u00fameros dos SUS n\u00e3o incluem pessoas atendidas pela rede particular ou que nem chegaram a ter atendimento m\u00e9dico. Em 2014, das 45.068 pessoas mortas por disparos, 25,1% chegaram a ser atendidas em um estabelecimento de sa\u00fade, mas n\u00e3o resistiram aos ferimentos,\u00a0de acordo com estudo da Fiocruz publicado em 2017 com base em dados do SUS de 24 capitais.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Apesar de a libera\u00e7\u00e3o de armas ter reflexos na sa\u00fade p\u00fablica, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o participou das discuss\u00f5es sobre a elabora\u00e7\u00e3o do decreto publicado na \u00faltima ter\u00e7a-feira (15). A pasta n\u00e3o respondeu questionamento da reportagem sobre sua posi\u00e7\u00e3o no debate do desarmamento nem se avaliou poss\u00edveis impactos do decreto no SUS.<\/p>\n<div class=\"desktop-only follow-us yr-follow-us\" data-rapid-subsec=\"mod-follow\">\n<section class=\"follow-us__body\">\n<div class=\"email\">\n<div class=\"follow-us__description\">\n<p>O documento prev\u00ea que a \u201cefetiva necessidade\u201d para posse de arma vai abranger propriet\u00e1rios rurais e de estabelecimentos comerciais, agentes de seguran\u00e7a e moradores de unidades federativas que tenham \u00edndices anuais de mais de 10 homic\u00eddios por 100 mil habitantes, conforme os dados de 2016 do Atlas da Viol\u00eancia 2018. Todos os estados e o Distrito Federal se encaixam nesse crit\u00e9rio. O texto n\u00e3o muda regras para porte de arma.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<p>As exig\u00eancias para conseguir o registro do armamento s\u00e3o: ter ao menos 25 anos, concluir curso t\u00e9cnico de manejo de arma de fogo, ter ocupa\u00e7\u00e3o l\u00edcita, n\u00e3o ter antecedentes criminais nem estar respondendo a inqu\u00e9rito policial ou processo criminal.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<h3>Gastos da sa\u00fade com viol\u00eancia<\/h3>\n<p>Os gastos dos SUS com v\u00edtimas de armas de fogo s\u00e3o uma parcela do impacto total da viol\u00eancia para os cofres p\u00fablicos. De acordo com o estudo \u201cValor Econ\u00f4mico da Paz\u201d, do Instituto para Economia e Paz, refer\u00eancia no tema, o Brasil desperdi\u00e7a cerca de 13,5% do seu PIB com o problema. \u00c9 o equivalente a R$ 5.140, para cada cidad\u00e3o, ao ano.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo inclui de gastos diretos com or\u00e7amento militar, policial, judicial e em sa\u00fade p\u00fablica, at\u00e9 perdas indiretas, como o preju\u00edzo com queda de produtividade.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, o decreto que amplia o acesso \u00e0s armas ir\u00e1 sobrecarregar o sistema p\u00fablico de sa\u00fade. \u201cOs casos v\u00e3o crescer. Vai impactar diretamente os custos do SUS desde o atendimento pr\u00e9-hospitalar \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental do paciente\u201d, afirmou, ao HuffPost Brasil, Ferdinando Ramos, coordenador do grupo tem\u00e1tico Viol\u00eancia e Sa\u00fade da Abrasco (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva).<\/p>\n<p>O pesquisador destaca que o atendimento nesses casos inclui profissionais de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, pediatria, agentes comunit\u00e1rios, a rede de assist\u00eancia psicossocial e agentes de sa\u00fade que atendem nas ruas. \u201d\u00c9 uma quest\u00e3o financeira, necessariamente, mas \u00e9 tamb\u00e9m de ter recursos humanos n\u00e3o s\u00f3 em quantidade, mas em condi\u00e7\u00e3o de atender um p\u00fablico cada vez mais espec\u00edfico\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ser poss\u00edvel dimensionar qual pode ser a sobrecarga, algumas an\u00e1lises podem ajudar a tra\u00e7ar um cen\u00e1rio. Um estudo do Ipea ( Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) publicado em 2013, quando o Estatuto do Desarmamento completou 10 anos, concluiu que a taxa de homic\u00eddio no Brasil seria 12% superior \u00e0s atuais, caso a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse sido aprovada.<\/p>\n<p>De acordo com o Atlas da Viol\u00eancia de 2018, produzido pelo Ipea e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), foram cometidos 62.517 assassinatos em 2016, um patamar 30 vezes maior do que o da Europa. Do total de homic\u00eddios, 71,1% foram com armas. De 1980 at\u00e9 2016, 910 mil pessoas perderam a vida por perfura\u00e7\u00e3o causada por disparos.<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"content-list-component image\"><span class=\"share-bar-image-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"image__src\" src=\"https:\/\/img.huffingtonpost.com\/asset\/5c426164230000f8001f9f2f.jpeg?ops=scalefit_960_noupscale\" aria-label=\"De acordo com o estudo &quot;Valor Econ&amp;ocirc;mico da Paz&quot;, o Brasil desperdi&amp;ccedil;a cerca de 13,5% do seu PIB com viol&amp;ecirc;ncia.\" \/><\/span><\/p>\n<div class=\"image__meta-wrapper\">\n<div class=\"image__meta-wrapper\"><span class=\"image__credit\">ASSOCIATED PRESS<\/span><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"image__caption\">De acordo com o estudo &#8220;Valor Econ\u00f4mico da Paz&#8221;, o Brasil desperdi\u00e7a cerca de 13,5% do seu PIB com viol\u00eancia.<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<h3>Baleada antes dos 2 anos<\/h3>\n<p>Hoje com 18 anos, Caroline Vieira tinha menos de 2 anos quando foi baleada no ombro em um showm\u00edcio em Riacho Fundo, cidade do Distrito Federal a 17 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia. \u201cCome\u00e7ou um tiroteio. Meu pai me pegou no colo e a gente foi se esconder, mas a bala veio\u201d, contou ao HuffPost.<\/p>\n<p>A m\u00e3e, Marcia \u00c1lvares, de 53 anos, recorda que a fam\u00edlia lanchava em uma barraquinha de cachorro-quente quando come\u00e7ou uma briga de gangue e um dos envolvidos correu para o local onde eles estavam. A mesma bala que atingiu Caroline acertou o pai, que sofreu um ferimento mais leve.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o tiro, a crian\u00e7a foi levada pelo Corpo de Bombeiros at\u00e9 o Hospital de Base, no centro da capital. \u201cA press\u00e3o dela estava quase zero. O sangue indo todo embora\u201d, lembra Marcia. No hospital, Caroline ficou 20 dias internada e teve de passar por uma s\u00e9rie de procedimentos. \u201cN\u00e3o sabiam o que fazer com ela por ser muito nova\u201d, conta a m\u00e3e, que n\u00e3o esquece o epis\u00f3dio. \u201cEu fico sonhando com essa pistola at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n<p>Foi outra cena de viol\u00eancia no Riacho Fundo que levou a fam\u00edlia a se mudar para um condom\u00ednio\u00a0no Jardim Bot\u00e2nico, \u00e1rea mais pr\u00f3xima ao centro de Bras\u00edlia,\u00a0em 2003, ano seguinte ao tiroteio. \u201cDa varanda de casa eu vi um cara botar a arma na cabe\u00e7a de uma crian\u00e7a junto com o pai\u201d, lembra Marcia. A pensionista \u00e9 contra a flexibiliza\u00e7\u00e3o do armamento. \u201cAcho que [o decreto] vai aumentar a viol\u00eancia. V\u00e3o roubar as armas. Isso n\u00e3o vai resolver\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Caroline n\u00e3o teve sequelas f\u00edsicas da bala, mas sofreu com terror noturno por alguns anos, agravado pela perda do pai, v\u00edtima de c\u00e2ncer. \u201cNa \u00e9poca da morte do meu pai, eu tinha 5 anos e qualquer barulho, como fogos de artif\u00edcio no Ano Novo, eu ficava chorando muito, desesperada, pensando que era arma\u201d, conta a jovem, que passou por acompanhamento psicol\u00f3gico ap\u00f3s os epis\u00f3dios.<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"content-list-component image\"><span class=\"share-bar-image-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"image__src\" src=\"https:\/\/img.huffingtonpost.com\/asset\/5c426212250000be00c590c8.jpeg?ops=scalefit_960_noupscale\" aria-label=\"Conflitos com agentes de seguran&amp;ccedil;a representam&amp;nbsp;65% dos atendimentos no SUS de ferimentos com balas.\" \/><\/span><\/p>\n<div class=\"image__meta-wrapper\">\n<div class=\"image__meta-wrapper\"><span class=\"image__credit\">CARL DE SOUZA VIA GETTY IMAGES<\/span><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"image__caption\">Conflitos com agentes de seguran\u00e7a representam\u00a065% dos atendimentos no SUS de ferimentos com balas.<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<h3>V\u00edtimas de armas de fogo<\/h3>\n<p>Enfermeira da rede p\u00fablica no Hospital Risoleta Tolentino Neves, em Belo Horizonte (MG), Bianca Santana Dutra ressalta o impacto dos tiroteios no sistema de sa\u00fade. \u201cDentro dos casos de viol\u00eancia, o mais prevalente s\u00e3o as v\u00edtimas de arma de fogo\u201d, afirma a mestra em promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).<\/p>\n<p>A especialista acredita que uma legaliza\u00e7\u00e3o indiscriminada pode aumentar as estat\u00edsticas. \u201cUm aumento de atendimentos geraria um custo enorme porque viol\u00eancia \u00e9 um problema de seguran\u00e7a p\u00fablica, mas o impacto \u00e9 na sa\u00fade. Uma hospitaliza\u00e7\u00e3o por perfura\u00e7\u00e3o de arma de fogo \u00e9 de cunho cir\u00fargico e terapia intensiva. \u00c9 alta complexidade. O custo \u00e9 muito alto em compara\u00e7\u00e3o a outras patologias e por uma coisa que \u00e9 totalmente evit\u00e1vel\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do atendimento de urg\u00eancia, \u00e9 necess\u00e1rio centro cir\u00fargico e uma equipe preparada t\u00e9cnica e psicologicamente para atender a v\u00edtima e aos familiares, inclusive em casos envolvendo conflitos criminais. \u201cLidar com o contexto de viol\u00eancia \u00e9 muito complexo\u201d, destaca Dutra. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es, por exemplo, em que a ambul\u00e2ncia n\u00e3o consegue chegar ao local do tiroteio por ser uma \u00e1rea de alta criminalidade.<\/p>\n<p>Levantamento feito pela pesquisadora mostra que 87,8% dos atendimentos por armas na rede p\u00fablica de Sete Lagoas (MG), entre 2010 e 2013, eram de homens com faixa et\u00e1ria de at\u00e9 27 anos. Apesar de n\u00e3o ser maioria, outro grupo que chamou aten\u00e7\u00e3o foi de mulheres agredidas de madrugada, possivelmente v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Especialistas alertam para o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/entry\/decreto-armas-violencia-mulheres-feminicidio_br_5c3dc5bae4b0e0baf541092b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"20\" data-v9y=\"0\">risco de aumento de feminic\u00eddios<\/a>\u00a0ap\u00f3s o decreto.<\/p>\n<p>O perfil encontrado por Dutra \u00e9 similar ao da maior parte dos brasileiros que morrem pelos disparos: homens, jovens, pardos ou negros e com baixa escolaridade. Esse padr\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 no estudo da Fiocruz. Segundo o levantamento, mulheres t\u00eam 66% menos chance de sofrer uma les\u00e3o por arma do que homens. O percentual para maiores de 30 anos \u00e9 de 52%, em compara\u00e7\u00e3o aos mais jovens. J\u00e1 para aqueles com 9 ou mais anos de estudo, a chance de serem v\u00edtimas \u00e9 44% menor em rela\u00e7\u00e3o aos com escolaridade mais baixa.<\/p>\n<p>Do total de 875 atendimentos analisados na rede p\u00fablica de sa\u00fade das capitais em 2014, predominaram as v\u00edtimas de interven\u00e7\u00e3o legal (65,1%), seguidas por agress\u00e3o (15,9%), les\u00e3o autoprovocada (1,5%) e outros acidentes (0,7%). As interven\u00e7\u00f5es legais s\u00e3o conflitos entre agentes de seguran\u00e7as e outras pessoas em situa\u00e7\u00f5es como opera\u00e7\u00f5es policiais em comunidades, por exemplo.<\/p>\n<p>Os ferimentos por bala foram respons\u00e1veis por 29% das 61.268 interna\u00e7\u00f5es hospitalares por agress\u00f5es e tentativas de suic\u00eddio ocorridas no Brasil, naquele ano. A dimens\u00e3o da viol\u00eancia, contudo, \u00e9 ainda maior. \u201cPossivelmente, grande parte das pessoas feridas por este meio n\u00e3o chega a ser atendida em um servi\u00e7o de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, devido \u00e0 sua alta letalidade. Isso pode ser observado na mortalidade por essas mesmas causas em 2014, em que 36,2% dos \u00f3bitos foram perpetrados com uma arma de fogo\u201d, conclui o estudo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>www.huffpostbrasil.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto destaque: Miguel Schincariol Via Getty Images\/ Decreto prev\u00ea que a \u201cefetiva necessidade\u201d para posse de armas inclui moradores de unidades federativas com \u00edndices anuais de mais de 10 homic\u00eddios por 100 mil habitantes. Decreto que flexibiliza uso de armas de fogo pode aumentar custos para sistema de sa\u00fade p\u00fablica, alertam especialistas. 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