{"id":4574,"date":"2019-02-06T16:06:03","date_gmt":"2019-02-06T18:06:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=4574"},"modified":"2019-02-06T16:06:03","modified_gmt":"2019-02-06T18:06:03","slug":"previdencia-de-bolsonaro-vai-jogar-na-miseria-idosos-e-pessoas-com-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/02\/06\/previdencia-de-bolsonaro-vai-jogar-na-miseria-idosos-e-pessoas-com-deficiencia\/","title":{"rendered":"Previd\u00eancia de Bolsonaro vai jogar na mis\u00e9ria idosos e pessoas com defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Desvincular do sal\u00e1rio m\u00ednimo os benef\u00edcios pagos a idosos e pessoas com defici\u00eancia pode criar uma categoria de \u201csubcidad\u00e3os\u201d diz ex-ministra Tereza Campello. Idosos voltar\u00e3o para a linha abaixo da pobreza<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rosely Rocha<\/strong><\/p>\n<p>A proposta de reforma da Previd\u00eancia do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL\/RJ) cria novas regras que acabam com o v\u00ednculo entre o sal\u00e1rio m\u00ednimo e os valores dos benef\u00edcios assistenciais &#8211;\u00a0<strong>Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada, BPC<\/strong>\u00a0&#8211; pagos a 2 milh\u00f5es de idosos e 2,5 milh\u00f5es de \u00a0pessoas com defici\u00eancia pobres, que comprovem renda mensal per capita familiar inferior a um quarto do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>A primeira armadilha, de acordo com an\u00e1lise da ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome,\u00a0<strong>Tereza Campello<\/strong>, \u00e9 a proposta de aumento no valor do benef\u00edcio pago a pessoas com defici\u00eancia. Ela alerta que a previs\u00e3o de aumentar para R$ 1.000,00 o valor dos benef\u00edcios pagos a\u00a0<strong>pessoas com defici\u00eancia<\/strong>\u00a0que t\u00eam direito ao BPC, como consta na proposta da equipe do governo, tamb\u00e9m significa a desvincula\u00e7\u00e3o com o sal\u00e1rio m\u00ednimo. E que depois deste aumento de R$ 2,00 \u2013 o sal\u00e1rio m\u00ednimo atual \u00e9 de R$ 998,00 -, o valor pode nunca mais ser reajustado.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea d\u00e1 dois reais a mais do valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo pode ser uma forma de desvincular o benef\u00edcio do m\u00ednimo. Voc\u00ea perde o poder de reajuste. O governo pode simplesmente nunca mais aumentar o valor do benef\u00edcio e daqui a dez anos o deficiente continuar recebendo os mesmos mil reais e estar passando fome\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O segundo alerta da ex-ministra \u00e9 que se a proposta de acabar com o v\u00ednculo entre os valores dos benef\u00edcios e o sal\u00e1rio m\u00ednimo for aprovada pelo Congresso Nacional, um<strong>\u00a0idoso de baixa renda<\/strong>, poder\u00e1 ter acesso ao benef\u00edcio a partir dos 55 anos de idade, mas receber\u00e1 apenas R$ 500,00 por m\u00eas, quase metade do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>J\u00e1 quem tem acima de 65, que hoje tem direito a um sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas, receberia R$ 750,00. O valor subiria mais R$ 150,00 somente a partir dos 70 anos, mas apenas se o idoso tiver contribu\u00eddo \u00e0 Previd\u00eancia por pelo menos 10 anos. Ou seja, em nenhuma das condi\u00e7\u00f5es o benef\u00edcio seria de um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Para Tereza Campello, al\u00e9m de inconstitucional porque o sal\u00e1rio m\u00ednimo est\u00e1 previsto no artigo 203 da Constitui\u00e7\u00e3o, a proposta \u00e9 prejudicial para a economia brasileira. Por isso, diz, toda a popula\u00e7\u00e3o deve defender a manuten\u00e7\u00e3o do\u00a0\u00a0 valor atual do BPC. N\u00e3o s\u00f3 por solidariedade e justi\u00e7a, mas porque interessa \u00e0 economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome, a proposta de Bolsonaro cria uma esp\u00e9cie de \u201csubcidad\u00e3o\u201d que recebe menos do que o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo e, \u201cse passar, vai ter muita briga no Supremo, uma guerra jur\u00eddica violenta. Um idoso n\u00e3o pode ser diferenciado de outro idoso aposentado\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, diz, o benef\u00edcio integral do sal\u00e1rio m\u00ednimo ajuda a aquecer a economia porque \u00e9 um dinheiro que volta para o mercado. \u201cAo contr\u00e1rio dos milion\u00e1rios que sonegam, t\u00eam d\u00edvidas perdoadas e gastam dinheiro em divers\u00e3o no exterior, o pobre gasta aqui, comprando arroz, feij\u00e3o, carne, sapato e roupa. Faz a economia girar\u201d, afirma Tereza Campello.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um efeito multiplicador. Para cada R$ 1,00 investido no Bolsa Fam\u00edlia\u201d, exemplifica, \u201cvoc\u00ea tem retorno de R$ 1,78. O mesmo deve ser com o investimento nos benef\u00edcios para idosos e deficientes. Cada vez que o governo corta sal\u00e1rio de pobre, gera menos emprego, essa \u00e9 a verdade\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Vamos viver no Brasil em pouqu\u00edssimo tempo, a mesma situa\u00e7\u00e3o que os idosos mexicanos que est\u00e3o abandonados nas ruas, \u00e0 pr\u00f3pria sorte. L\u00e1 apenas 20% deles t\u00eam cobertura da Previd\u00eancia. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o desesperadora<\/p>\n<footer>&#8211; Tereza Campello<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Ieda Castro<\/strong>, ex-secret\u00e1ria nacional de Assist\u00eancia Social do governo Dilma Rousseff, diz que a diminui\u00e7\u00e3o no valor do BPC vai na contram\u00e3o do motivo pelo qual ele foi institu\u00eddo na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e regulamentado em 1993 pela Lei Org\u00e2nica da Assist\u00eancia Social (LOAS).<\/p>\n<p>\u201cO BPC foi feito para os idosos mais pobres como seguridade social, como prote\u00e7\u00e3o social e n\u00e3o como regime contributivo. Tanto que hoje os idosos n\u00e3o est\u00e3o mais abaixo da linha de pobreza nas estat\u00edsticas, porque est\u00e3o protegidos gra\u00e7as ao benef\u00edcio do sal\u00e1rio m\u00ednimo que recebem\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Se passar essa reforma, os idosos voltar\u00e3o para as estat\u00edsticas abaixo da linha da pobreza\u00a0<\/p>\n<footer>&#8211; Ieda Castro<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Idosos trabalharam, mas n\u00e3o contribu\u00edram para o INSS porque foram explorados<\/strong><\/p>\n<p>Uma das alega\u00e7\u00f5es do governo para a diminui\u00e7\u00e3o do valor do BPC dos idosos carentes \u00e9 a de que n\u00e3o se pode atrelar o sal\u00e1rio m\u00ednimo, que estabelece a remunera\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do trabalhador, \u00e0 assist\u00eancia, cujo pagamento n\u00e3o requer nenhuma contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Tereza Campello, a tese de contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 contest\u00e1vel, j\u00e1 que, exceto a maioria dos deficientes, os idosos trabalharam muito e contribu\u00edram com o pa\u00eds, mas foram t\u00e3o explorados que n\u00e3o conseguiram pagar a Previd\u00eancia porque n\u00e3o sabiam que era preciso.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o trabalhadores e trabalhadoras que passaram por trabalhos an\u00e1logos \u00e0 escravid\u00e3o em olarias, minas, sem carteira assinada, sujeitos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e que agora est\u00e3o idosos\u201d, diz Campello.<\/p>\n<p>Segundo ela, a maioria nem sabia que estava sendo roubada pelo empregador.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o pessoas que n\u00e3o tiveram for\u00e7a de organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o teve sindicatos pra defend\u00ea-los, nem teve e n\u00e3o tem bancada parlamentar. Eles n\u00e3o t\u00eam como provar que trabalharam\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>A prova que o idoso pobre trabalhou \u00e9 sua a m\u00e3o calejada, \u00e9 a sua cara curtida de sol, \u00e9 o olhar triste de sua desgra\u00e7a<\/p>\n<footer>&#8211; Tereza Campello<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>A ex-ministra lamenta a decis\u00e3o do governo Bolsonaro que n\u00e3o leva em conta as les\u00f5es f\u00edsicas que esses trabalhadores tiveram ao longo de suas vidas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o idosos com les\u00f5es muito superiores aos demais trabalhadores. S\u00e3o cortadores de cana de a\u00e7\u00facar que carregaram toneladas nas costas ao longo dos anos, que agora t\u00eam sa\u00fade prec\u00e1ria\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Estudo do IPEA confirma distribui\u00e7\u00e3o de renda via Previd\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O estudo\u00a0<a href=\"http:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/bitstream\/11058\/5458\/1\/BRU_n2_previdencia_social.pdf\">\u201cPrevid\u00eancia Social e Redistribui\u00e7\u00e3o de Renda Intermunicipal<\/a>, do \u00a0\u00a0Instituto\u00a0<em>de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), de\u00a0<\/em>Edvaldo Duarte Barbosa e Rogerio Nagamine Costanzi,\u00a0<em>apontou que a<\/em>\u00a0Previd\u00eancia Social tem se consolidado como a maior distribuidora de renda do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios \u2013 PNAD (2007), ano do estudo do IPEA, os benef\u00edcios pagos retiraram cerca de 22,2 milh\u00f5es de pessoas da linha de pobreza e t\u00eam uma forte presen\u00e7a nas \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>Esse volume de recursos mensais injetado na economia dos munic\u00edpios representa, principalmente para aqueles menores e mais pobres, a garantia da movimenta\u00e7\u00e3o dos setores de servi\u00e7o, com\u00e9rcio e transporte.<\/p>\n<p>www.cut.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desvincular do sal\u00e1rio m\u00ednimo os benef\u00edcios pagos a idosos e pessoas com defici\u00eancia pode criar uma categoria de \u201csubcidad\u00e3os\u201d diz ex-ministra Tereza Campello. 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