{"id":4829,"date":"2019-02-22T22:11:28","date_gmt":"2019-02-23T01:11:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=4829"},"modified":"2019-02-22T22:11:28","modified_gmt":"2019-02-23T01:11:28","slug":"o-que-faz-do-brasil-um-dos-paises-mais-desiguais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/02\/22\/o-que-faz-do-brasil-um-dos-paises-mais-desiguais\/","title":{"rendered":"O que faz do Brasil um dos pa\u00edses mais desiguais?"},"content":{"rendered":"<div class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid eltdf-section eltdf-content-aligment-left\">\n<div class=\"clearfix eltdf-full-section-inner\">\n<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<h3>Pa\u00eds figura entre os dez piores do mundo. Problema tem ra\u00edzes hist\u00f3ricas que remontam \u00e0 escravid\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"vc_empty_space\">Preocupada com o crescimento da pobreza, exclus\u00e3o social e desemprego no mundo, a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas elegeu 20 de fevereiro como o Dia Mundial da Justi\u00e7a Social, uma data para promover esfor\u00e7os para diminuir as desigualdades.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cFavorecemos a justi\u00e7a social quando eliminamos as barreiras que as pessoas enfrentam por motivos de g\u00eanero ou relacionados \u00e0 idade, ra\u00e7a, origem \u00e9tnica, religi\u00e3o, cultura ou defici\u00eancia\u201d, explicou, em 2009, Ban Ki-moon, ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da ONU.<\/p>\n<div class=\"leia-tbm-custom\">\n<p>Aos dez anos da cria\u00e7\u00e3o da data, o Brasil n\u00e3o tem o que comemorar, j\u00e1 que a concentra\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds \u00e9 uma das mais desiguais do mundo.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cNossos ricos s\u00e3o mais ricos que os de outros lugares, inclusive em compara\u00e7\u00e3o com pa\u00edses desenvolvidos\u201d, afirma Rafael Georges, coordenador de campanhas da Oxfam Brasil, organiza\u00e7\u00e3o internacional que atua no combate \u00e0s desigualdades e injusti\u00e7as.<\/p>\n<div class=\"leia-tbm-custom\">\n<p>Segundo dados da Oxfam, o Brasil \u00e9 um dos dez pa\u00edses mais desiguais do mundo. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda, por exemplo, os 5% mais ricos do pa\u00eds recebem por m\u00eas o mesmo que os demais 95% da popula\u00e7\u00e3o juntos.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cTivemos avan\u00e7os nas \u00faltimas d\u00e9cadas no Brasil, mas continuamos com uma massa de popula\u00e7\u00e3o empobrecida, e n\u00e3o houve uma mobilidade social de fato\u201d, explica Georges.<\/p>\n<h3><strong>Desigualdades hist\u00f3ricas<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo a Oxfam, se a tend\u00eancia das desigualdades registrada nos \u00faltimos 20 anos se mantiver no Brasil, a igualdade salarial entre homens e mulheres s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ada\u00a0em 2047. Os\u00a0negros, por sua vez,\u00a0levar\u00e3o 70 anos para ter\u00a0os mesmos sal\u00e1rios que os brancos. Esses n\u00fameros exemplificam como as desigualdades brasileiras t\u00eam ra\u00edzes profundas na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO longo per\u00edodo de escravid\u00e3o no Brasil, cuja supera\u00e7\u00e3o aparente dependeu mais da importa\u00e7\u00e3o massiva de m\u00e3o de obra europeia do que da inclus\u00e3o do negro na sociedade, marca todos os fatores que fazem o pa\u00eds ser um dos mais desiguais\u201d, afirma Gilson Schwartz, professor de economia da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), lembrando que o Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds ocidental a abolir a escravid\u00e3o, em 1888.<\/p>\n<p>Para Schwartz, desde o fim da escravid\u00e3o, o Brasil avan\u00e7ou pouco no social, principalmente no combate ao racismo. \u201cCidades como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro consagraram o design imobili\u00e1rio em que o apartamento tem sempre um \u2018quarto de empregada\u2019. Ou seja, a senzala foi modernizada\u201d, afirma o professor.<\/p>\n<h3><strong>Lacuna de g\u00eanero e ra\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cH\u00e1 muitos grupos marginalizados no Brasil, mas \u00e9 importante dar centralidade \u00e0s negras: a maior parte delas vive nas periferias, tem trabalhos de baixa remunera\u00e7\u00e3o e muitas vezes de grande esfor\u00e7o f\u00edsico, com dupla jornada, sem possibilidade de se moverem\u00a0socialmente\u201d, diz\u00a0Georges, lembrando que ainda s\u00e3o as mulheres as principais cuidadoras e respons\u00e1veis pelo bem-estar da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cNessa l\u00f3gica, se as brasileiras \u2013 principalmente as negras, aqui inclu\u00eddas as pardas e ind\u00edgenas \u2013 elevarem seu padr\u00e3o de vida, o Brasil inteiro melhora\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Internacional de Pesquisa em Pecu\u00e1ria mostram que, no mundo, mulheres gastam at\u00e9 90% de sua renda com a fam\u00edlia, enquanto os homens n\u00e3o gastam mais que 40%.<\/p>\n<p>Apesar disso, no Brasil, as mulheres ganham\u00a0em m\u00e9dia\u00a025% menos que os homens e gastam mais tempo cuidando da fam\u00edlia, segundo n\u00fameros do IBGE. Enquanto os homens dedicam 10,5 horas semanais a cuidados de familiares ou afazeres dom\u00e9sticos, as mulheres dedicam 18,1 horas. Se consideradas apenas as mulheres negras, esse dado salta para 18,6 horas.<\/p>\n<h3><strong>Baixa tributa\u00e7\u00e3o aos ricos<\/strong><\/h3>\n<p>A lacuna entre ricos e pobres \u00e9 outra quest\u00e3o alarmante. Apenas cinco bilion\u00e1rios brasileiros possuem, juntos, o mesmo patrim\u00f4nio que a\u00a0metade da popula\u00e7\u00e3o mais pobre do pa\u00eds. Um trabalhador que recebe um sal\u00e1rio m\u00ednimo precisa trabalhar 19 anos para ganhar o mesmo que um desses bilion\u00e1rios recebem em apenas um m\u00eas.<\/p>\n<p>Alguns fatores ajudam a explicar a concentra\u00e7\u00e3o de renda, mas o principal, para Georges, \u00e9 o sistema tribut\u00e1rio brasileiro, que favorece tanto os mais ricos como seus herdeiros.<\/p>\n<p>\u201cA baix\u00edssima tributa\u00e7\u00e3o de heran\u00e7as no pa\u00eds, junto com a baixa tributa\u00e7\u00e3o de rendas altas, favorece a concentra\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o dessa concentra\u00e7\u00e3o por gera\u00e7\u00f5es\u201d, afirma o coordenador da Oxfam, explicando que esse tipo de renda concentrada e passada de pai para filho \u00e9 um movimento que ocorre n\u00e3o somente no Brasil, mas em outros pa\u00edses que tributam pouco os ricos.<\/p>\n<p>Georges destaca\u00a0ainda\u00a0a concentra\u00e7\u00e3o de terras. \u201cO Brasil necessita de uma reforma agr\u00e1ria, pois esta poderia quebrar com estruturas de poder econ\u00f4mico no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Dados do relat\u00f3rio\u00a0Terra, Poder e Desigualdade na Am\u00e9rica Latina, da Oxfam, mostram que 45% de toda a \u00e1rea rural do pa\u00eds est\u00e1 nas m\u00e3os de menos de 1% da popula\u00e7\u00e3o. Apesar disso, mesmo sem acesso a recursos e a cr\u00e9ditos no campo \u2013 que mais uma vez ficam nas m\u00e3os desse 1% \u2013 os pequenos produtores s\u00e3o respons\u00e1veis por produzir mais de 70% dos alimentos de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>www.cartacapital.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds figura entre os dez piores do mundo. 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