{"id":5390,"date":"2019-04-10T15:59:01","date_gmt":"2019-04-10T18:59:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=5390"},"modified":"2019-04-10T15:59:01","modified_gmt":"2019-04-10T18:59:01","slug":"opiniao-100-dias-de-crise-e-bolsonaro-quer-que-o-povo-pague-a-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/04\/10\/opiniao-100-dias-de-crise-e-bolsonaro-quer-que-o-povo-pague-a-conta\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o &#8211; 100 dias de crise e Bolsonaro quer que o povo pague a conta"},"content":{"rendered":"<p>Nesta quarta-feira (10) completam-se 100 dias de governo sem que houvesse nenhuma sinaliza\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o para a grave crise econ\u00f4mica e a instabilidade pol\u00edtica que assola o pa\u00eds. Bolsonaro e Paulo Guedes seguem perseguindo a fa\u00e7anha de querer economizar cerca de R$ 1,1 trilh\u00e3o com a reforma da Previd\u00eancia.<br \/>\nAo que tudo indica, a meta a ser realizada faz parte da conta do golpe que os financiadores est\u00e3o cobrando e n\u00e3o abrem m\u00e3o. A privatiza\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia \u00e9 uma exig\u00eancia do mercado. Os rentistas, categoria \u00e0 qual pertence o senhor Paulo Guedes, est\u00e3o de prontid\u00e3o na antessala do Pal\u00e1cio do Planalto. Aguardam e cobram a aprova\u00e7\u00e3o da reforma, ansiosos para abocanhar os recursos do maior programa de distribui\u00e7\u00e3o de renda do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Capitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara os bancos desconstitucionalizar a previd\u00eancia e implantar o modelo de capitaliza\u00e7\u00e3o (previd\u00eancia privada no molde chileno) \u00e9 o objetivo principal. Se fosse bom daria at\u00e9 para copiar. Entretanto, o modelo, implantado no Chile, resultou num colossal desastre social e vem sendo revisado. Para se ter ideia de seus efeitos perversos, 80% dos aposentados do novo sistema, imposto em 1983 pelo general Augusto Pinochet, recebem menos da metade de um sal\u00e1rio m\u00ednimo de benef\u00edcio e quase metade desses idosos (44%) encontra-se abaixo da linha da pobreza.<br \/>\nNa proposta de Nova Previd\u00eancia a maior fatia da conta caber\u00e1 aos trabalhadores atendidos pelo INSS, cuja maioria recebe o sal\u00e1rio m\u00ednimo. A meta \u00e9 economizar R$ 687 bilh\u00f5es subtraindo o valor desses trabalhadores e trabalhadoras. J\u00e1 para os servidores p\u00fablicos tem previs\u00e3o de aumento de al\u00edquota e a expectativa de economia \u00e9 de R$ 202 bilh\u00f5es.<br \/>\nMas, o governo n\u00e3o para por a\u00ed. Sem poupar os mais vulner\u00e1veis, seu projeto \u00e9 alterar as regras do Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC, atribu\u00eddo a idosos em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza e pessoas com defici\u00eancia), e com isso economizar R$ 182 bilh\u00f5es. Quanta maldade!<\/p>\n<p>J\u00e1 o abono salarial (renda extra garantida a trabalhadores e trabalhadoras que ganham at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos), a Reforma de Bolsonaro promove um corte dr\u00e1stico, de modo que somente receber\u00e3o o abono (PIS\/PASEP) quem recebe at\u00e9 1 sal\u00e1rio m\u00ednimo. Hoje, t\u00eam direito ao benef\u00edcio quem ganha o equivalente a at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. Isto significa a exclus\u00e3o de milh\u00f5es de assalariados se a reforma vingar.<\/p>\n<p><strong>Governo tira com uma m\u00e3o e d\u00e1 com a outra<\/strong><br \/>\nNo caso dos militares a mudan\u00e7a est\u00e1 atrelada ao aumento de sal\u00e1rio. Ao mesmo tempo que o governo calculou as mudan\u00e7as nas aposentadorias dos militares com a previs\u00e3o de economia de R$ 97,3 bilh\u00f5es, a reforma sugere uma reestrutura\u00e7\u00e3o da carreira que representa um aumento de gastos de R$ 86,65 bilh\u00f5es.<br \/>\nEm ess\u00eancia, um faz de conta, pouco ou quase nada se mexe, com a diferen\u00e7a de que neste jogo os fardados ganham, pois o reajuste dos sal\u00e1rios deve anteceder o corte dos benef\u00edcios. \u00c9 mais uma prova de que, ao contr\u00e1rio do que alardeia a propaganda mentirosa do governo, a reforma mant\u00e9m privil\u00e9gios e castiga sobretudo os estratos mais pobres e vulner\u00e1veis da nossa classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Mas a aprova\u00e7\u00e3o da reforma n\u00e3o s\u00e3o favas contadas, muito pelo contr\u00e1rio. \u00c9 crescente a oposi\u00e7\u00e3o popular ao retrocesso e o sentimento dominante na opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o deixar\u00e1 de ter reflexos no Congresso Nacional, onde o clima hoje n\u00e3o parece muito favor\u00e1vel ao governo. Apesar da forte press\u00e3o das classes dominantes, que s\u00f3 t\u00eam a ganhar com as mudan\u00e7as propostas por Paulo Guedes, a reforma pode ser derrotada pelo povo. Para tanto, \u00e9 indispens\u00e1vel ampla unidade e mobiliza\u00e7\u00e3o popular. As centrais, os movimentos sociais e os partidos e for\u00e7as progressistas est\u00e3o empenhadas neste sentido e o caminho da greve geral j\u00e1 est\u00e1 sendo pavimentado.<\/p>\n<p><strong>Adilson Ara\u00fajo &#8211; Presidente Nacional da CTB<\/strong><\/p>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quarta-feira (10) completam-se 100 dias de governo sem que houvesse nenhuma sinaliza\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o para a grave crise econ\u00f4mica e a instabilidade pol\u00edtica que assola o pa\u00eds. Bolsonaro e Paulo Guedes seguem perseguindo a fa\u00e7anha de querer economizar cerca de R$ 1,1 trilh\u00e3o com a reforma da Previd\u00eancia. 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