{"id":6473,"date":"2019-06-03T23:44:20","date_gmt":"2019-06-04T02:44:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=6473"},"modified":"2019-06-03T23:45:40","modified_gmt":"2019-06-04T02:45:40","slug":"reforma-para-implantar-capitalizacao-bolsonaro-vai-gastar-quase-r-1-trilhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/06\/03\/reforma-para-implantar-capitalizacao-bolsonaro-vai-gastar-quase-r-1-trilhao\/","title":{"rendered":"Reforma: para implantar capitaliza\u00e7\u00e3o, Bolsonaro vai gastar quase R$ 1 trilh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"dd-m-display dd-m-display--small dd-m-background-energized-light\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-10 col-md-10 col-lg-offset-1 col-md-offset-1\">\n<p class=\"dd-m-text dd-m-text--big font-MerriWeather\"><strong>Custo da transi\u00e7\u00e3o do atual sistema de aposentadoria para o regime de \u00a0capitaliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de cerca de R$ 954 bilh\u00f5es, diz t\u00e9cnico do governo. Mercado estima que \u201ceconomia\u201d com a reforma seja de R$ 600 bilh\u00f5es<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dd-m-share\">Escrito por: Rosely Rocha<\/div>\n<div class=\"dd-m-display dd-m-display--top-30 dd-m-background-stable\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"dd-l-content dd-l-content--medium\">\n<p>A migra\u00e7\u00e3o do sistema de aposentadoria atual, de reparti\u00e7\u00e3o, mantida com \u00a0contribui\u00e7\u00f5es mensais dos trabalhadores e dos empres\u00e1rios, al\u00e9m de recursos da Uni\u00e3o, para o de capitaliza\u00e7\u00e3o, sistema onde s\u00f3 o trabalhador contribui, vai custar ao Brasil R$ 954 bilh\u00f5es em 20 anos.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o foi divulgada tr\u00eas meses depois da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) n\u00ba 006\/2019 da reforma da Previd\u00eancia chegar ao Congresso Nacional, pelo secret\u00e1rio de Previd\u00eancia do Minist\u00e9rio da Economia, Leonardo Rolim, em uma audi\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados. Na mesma audi\u00eancia, o secret\u00e1rio especial de Previd\u00eancia e trabalho, Rog\u00e9rio Marinho, que n\u00e3o gostou de ver os n\u00fameros divulgados, foi flagrado pela imprensa dando um pux\u00e3o de orelhas em Rolim.<\/p>\n<p>O motivo \u00e9 simples. O dado derruba a tese do governo de Jair Bolsonaro (PSL) de que a reforma, que acaba com o direito de aposentadoria de milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras, gera uma economia de quase R$ 1 trilh\u00e3o. O mercado j\u00e1 havia jogado um balde de \u00e1gua fria nesta previs\u00e3o. Alguns analistas de mercado, segundo a imprensa, acreditam que a reforma vai economizar ao governo metade do previsto, R$ 600 bilh\u00f5es. Portanto, menos do que o governo vai gastar para implementar a capitaliza\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 entregue aos bancos.<\/p>\n<p>Para o economista da Unicamp, Marcio Pochmann , esses n\u00fameros demonstram que a reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. O que o mercado financeiro quer com o apoio do governo Bolsonaro \u00e9 privatizar a Previd\u00eancia Social. Por isso, o mercado pressiona pela aprova\u00e7\u00e3o da reforma, que \u00e9 o primeiro passo para o governo seguir com a proposta de capitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo ele, o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, n\u00e3o \u00e9 transparente em rela\u00e7\u00e3o a informa\u00e7\u00f5es sobre a reforma. Os c\u00e1lculos de quanto o governo vai economizar n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o o d\u00e9ficit que vir\u00e1 com a capitaliza\u00e7\u00e3o, porque o n\u00famero de pessoas aposentadas no regime atual de reparti\u00e7\u00e3o ainda ser\u00e1 bem maior do que o de jovens que entrar\u00e3o no regime de capitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe os mais jovens e as empresas n\u00e3o contribu\u00edrem com uma parte da aposentadoria dos mais velhos, o d\u00e9ficit na Previd\u00eancia p\u00fablica ser\u00e1 muito maior\u201d, afirma Pochmann.<\/p>\n<p>A professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil, tamb\u00e9m diz que o governo precisa mostrar os c\u00e1lculos que fez para chegar a essa \u201ceconomia\u201d de um trilh\u00e3o e dos gastos com a transi\u00e7\u00e3o entre o atual sistema e a capitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs brasileiros est\u00e3o cansados de receber n\u00fameros sem o governo dizer qual a base de dados, as equa\u00e7\u00f5es para chegar a esse resultado porque esses n\u00fameros, n\u00e3o t\u00eam credibilidade, n\u00e3o t\u00eam fundamentos\u201d, critica a economista.<\/p>\n<p><strong>Capitaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 interessa aos bancos<\/strong><\/p>\n<p>Denise Gentil tamb\u00e9m critica o discurso oficial do governo de que o valor economizado com a reforma da Previd\u00eancia vai para a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong>\u00c9 uma fal\u00e1cia de que esses recursos ser\u00e3o apara atender a \u00e1rea social. O sistema que eles est\u00e3o criando \u00e9 para beneficiar os bancos. Vamos retirar recursos das pessoas mais carentes, de quem recebe o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada {BPC}, para que os bancos possam lucrar ainda mais\u201d, diz.<\/p>\n<p>A mesma vis\u00e3o de que a capitaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 boa para os bancos, tem Marcio Pochmann. Segundo ele, os bancos querem operar o dinheiro arrecadado, e agora, ainda mais, com a recess\u00e3o econ\u00f4mica batendo a porta do pa\u00eds, o mercado financeiro n\u00e3o quer perder suas taxas de lucro.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>O que o Estado arrecadaria com tributos vai para o setor privado, para os bancos. Vamos acabar vivendo num pa\u00eds onde ser\u00e1 cada um por si, porque a Previd\u00eancia p\u00fablica pressup\u00f5e contrapartidas de quem trabalha<\/p>\n<footer>&#8211; Marcio Pochmann<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo o professor da Unicamp, \u201cas pessoas que est\u00e3o aposentadas e as que j\u00e1 est\u00e3o contribuindo com a Previd\u00eancia p\u00fablica ter\u00e3o uma trajet\u00f3ria de vida de mais alguns anos, e o Estado \u00e9 que vai pagar as pens\u00f5es, sem ter a contrapartida dos demais trabalhadores e das empresas\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 Denise Gentil, explica ainda que o Estado \u00e9 que sempre paga pelo sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, porque ao transferir a arrecada\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia para os bancos, essas institui\u00e7\u00f5es financeiras aplicam o dinheiro da capitaliza\u00e7\u00e3o no tesouro p\u00fablico, que por sua vez remunera os bancos.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>\u00c9 um ciclo vicioso. \u00c9 a Uni\u00e3o que paga a aplica\u00e7\u00e3o que o banco faz com o dinheiro do trabalhador, que, por sua vez, aplicou seu dinheiro na capitaliza\u00e7\u00e3o. O dinheiro sai do bolso do cidad\u00e3o brasileiro para privilegiar bancos, e n\u00e3o para atender os mais pobres, como afirma o governo Bolsonaro<\/p>\n<footer>&#8211; Denise Gentil<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Reforma Trabalhista piora as contas da Previd\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Marcio Pochmann, a reforma Trabalhista, de Michel Temer, acabou praticamente com o emprego de carteira assinada, e reduziu os ganhos dos trabalhadores e ser\u00e1 quase imposs\u00edvel algu\u00e9m contribuir por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u201cMetade da popula\u00e7\u00e3o vai ficar sem aposentadoria\u201d, critica o professor da Unicamp.<\/p>\n<p>Para Denise Gentil, a reforma Trabalhista aumentou o tamanho da informalidade e o desemprego, e sem carteira assinada para que os trabalhadores da ativa possam contribuir com a Previd\u00eancia, o rombo ser\u00e1 muito maior.<\/p>\n<p>\u201cQuerem implantar um sistema alternativo, que \u00e9 o caso da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/bolsonaro-cria-carteira-de-trabalho-verde-amarela-para-os-sem-direitos-96d0\"><strong>carteira verde amarela<\/strong><\/a>, que na verdade, se transformar\u00e1 no sistema principal meio de contrata\u00e7\u00e3o, e com o atual o tamanho da informalidade e do desemprego, s\u00f3 vai restar o regime de capitaliza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a professora de economia da URFJ.<\/p>\n<p>Ela explica ainda que ao retirar da sociedade um fundo p\u00fablico, como a Previd\u00eancia, restar\u00e1 apenas a inseguran\u00e7a do mercado financeiro e o isolamento do trabalhador porque o capitalismo n\u00e3o quer mais contribuir com a Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um salve-se quem puder. N\u00e3o vai mais existir o regime de solidariedade e vai aumentar a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e o governo vai ter de complementar a renda da popula\u00e7\u00e3o com benef\u00edcios assistenciais para a pobreza n\u00e3o se alastrar mais\u201d<\/p>\n<p>Segundo ela, a perspectiva de empobrecimento aumenta muito para os mais pobres.\u00a0\u201cN\u00e3o s\u00f3 apenas uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o conseguira poupar, como haver\u00e1 uma enorme perda de patrim\u00f4nio, o que deixar\u00e1 a todos com uma renda extremamente baixa\u201d.<\/p>\n<p>www.cut.org.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Custo da transi\u00e7\u00e3o do atual sistema de aposentadoria para o regime de \u00a0capitaliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de cerca de R$ 954 bilh\u00f5es, diz t\u00e9cnico do governo. Mercado estima que \u201ceconomia\u201d com a reforma seja de R$ 600 bilh\u00f5es Escrito por: Rosely Rocha A migra\u00e7\u00e3o do sistema de aposentadoria atual, de reparti\u00e7\u00e3o, mantida com \u00a0contribui\u00e7\u00f5es mensais dos trabalhadores [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6474,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[60,138],"class_list":["post-6473","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-previdencia","tag-reforma-da-previdencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6473"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6476,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6473\/revisions\/6476"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}