{"id":6529,"date":"2019-06-06T18:38:17","date_gmt":"2019-06-06T21:38:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=6529"},"modified":"2019-06-06T18:38:17","modified_gmt":"2019-06-06T21:38:17","slug":"maioria-das-mulheres-vai-se-aposentar-aos-74-anos-se-reforma-do-governo-passar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/06\/06\/maioria-das-mulheres-vai-se-aposentar-aos-74-anos-se-reforma-do-governo-passar\/","title":{"rendered":"Maioria das mulheres vai se aposentar aos 74 anos, se reforma do governo passar"},"content":{"rendered":"<div class=\"dd-m-display dd-m-display--small dd-m-background-energized-light\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-10 col-md-10 col-lg-offset-1 col-md-offset-1\">\n<p class=\"dd-m-text dd-m-text--big font-MerriWeather\">Estat\u00edsticas mostram que, por falta de emprego, as mulheres s\u00e3o as que menos conseguem contribuir com a Previd\u00eancia. Por isso, a reforma de Bolsonaro \u00e9 mais cruel ainda para elas<\/p>\n<p class=\"dd-m-text dd-m-text--big font-MerriWeather\"><strong>\u00a0Rosely Rocha<\/strong><\/p>\n<p>A proposta de Emenda a Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) n\u00ba006, da reforma da Previd\u00eancia, vai prejudicar extremamente as mulheres. O texto encaminhado ao Congresso Nacional por Jair Bolsonaro (PSL) aumenta o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o de 15 para 20 anos, imp\u00f5e a obrigatoriedade de idade m\u00ednima de 62 anos para a mulher requerer a aposentadoria e diminui o valor do benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Hoje, com 15 anos de contribui\u00e7\u00e3o e 60 anos de idade, a mulher recebe 85% do valor do benef\u00edcio, calculado com base nos 80% melhores sal\u00e1rios. Se a reforma for aprovada, elas receber\u00e3o apenas 60% do valor do benef\u00edcio, que ser\u00e1 calculado com base em todas as contribui\u00e7\u00f5es, inclusive os primeiros e mais baixos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>O resultado da equa\u00e7\u00e3o do mal de Bolsonaro e do seu ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, \u00e9 tr\u00e1gico para a maioria das mulheres que, por ficarem mais tempo fora do mercado de trabalho, s\u00f3 v\u00e3o conseguir se aposentar aos 74 anos de idade, segundo c\u00e1lculos da professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil.<\/p>\n<p>De acordo com a professora, as mulheres representam 15% do total de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/cresce-o-desemprego-no-brasil-ja-sao-13-2-milhoes-segundo-ibge-e1b\"><strong>desempregados do pa\u00eds<\/strong><\/a>\u00a0, enquanto a m\u00e9dia geral do pa\u00eds \u00e9 de 12,5%. Al\u00e9m disso, o desalento atinge mais as mulheres. 56% dos quase cinco milh\u00f5es de desalentados do pa\u00eds &#8211; pessoas que desistiram de procurar emprego depois de muito tentar e n\u00e3o conseguir \u2013 s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong>As mulheres demoram muito tempo para voltar ao mercado do trabalho e ainda recebem menos. Dificilmente elas conseguem poupar e contribuir al\u00e9m de 4,7 meses durante o ano. Isto significa que se a PEC de Bolsonaro for aprovada, as mulheres s\u00f3 v\u00e3o se aposentar aos 74 anos, porque n\u00e3o v\u00e3o conseguir contribuir mais 60 meses at\u00e9 chegar a idade m\u00ednima de 62\u201d, explica Denise Gentil.<\/p>\n<p>E \u00e9 exatamente este o drama da jornalista Mari Angela Magalh\u00e3es, de 56 anos. Divorciada e m\u00e3e de tr\u00eas filhos que, mesmo contando com o aux\u00edlio do ex-marido para as despesas dos filhos, s\u00f3 conseguiu contribuir com o INSS por 14 anos, por falta de uma recoloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho com carteira assinada ou com sal\u00e1rio decente.<\/p>\n<p>Mari Angela que come\u00e7ou a trabalhar aos 16 anos com carteira assinada, sentiu na pele o preconceito do mercado do trabalho. Ap\u00f3s o nascimento do primeiro filho quando tinha 23 anos, praticamente deu adeus ao emprego formal.<\/p>\n<p>\u201cO mercado de trabalho coloca as mulheres com filhos \u00e0 margem. N\u00e3o s\u00e3o os filhos que dificultam porque trabalhei muitos anos como PJ [pessoa jur\u00eddica], dando nota fiscal, quando me deram oportunidade de mostrar o meu trabalho. Mas, mesmo assim, o mercado prefere nos dar subempregos, evitando o pagamento de direitos trabalhistas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ela reconhece que dificilmente conseguir\u00e1 contribuir por mais seis anos para se aposentar, sofrendo o preconceito, agora, da idade. \u201cAt\u00e9 aqui contribui com muita dificuldade, mas n\u00e3o sei se conseguirei pagar ininterruptamente mais seis anos. Al\u00e9m disso, ainda existe a possibilidade, se a reforma passar, eu perder no m\u00ednimo 25% do valor do benef\u00edcio\u201d, critica.<\/p>\n<p>A dificuldade da mulher em conseguir um trabalho e os obst\u00e1culos para que ela contribua com a Previd\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 criticada pela secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista. Segundo ela, a mulher, \u00e9 colocada \u00e0 margem do mercado de trabalho por que al\u00e9m dos filhos, \u00e9 ela quem cuida dos doentes e idosos.<\/p>\n<p>\u201cA mulher nunca se aposenta com o mesmo tempo de trabalho do homem. Ele consegue ter uma atividade produtiva por um tempo maior, sob o ponto de vista do capital, que n\u00e3o reconhece, que, na verdade, o trabalho reprodutivo das mulheres contribui, e, muito, com o PIB [Produto Interno Bruto]\u201d, ressalta Juneia, que considera a reforma da Previd\u00eancia mais cruel ainda para com as mulheres.<\/p>\n<p>De acordo com ela, aos 74 anos ou aos 62, a mulher j\u00e1 estar\u00e1 cansada da dupla jornada. Vai precisar mais de medicamentos, n\u00e3o vai ter tempo de aproveitar a sua vida. E se a cartilha do ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, for implantada \u201cvamos retroceder muito na agenda de prote\u00e7\u00e3o social da classe trabalhadora e das mulheres&#8221;. A \u00fanica sa\u00edda, diz a dirigente, &#8220;\u00e9 se mobilizar, se organizar, parar o pa\u00eds no dia 14 de junho, dia da greve geral que a CUT e as outras centrais est\u00e3o organizando contra esta reforma.\u201d<\/p>\n<p>A injusti\u00e7a e a crueldade da reforma da Previd\u00eancia para com a popula\u00e7\u00e3o, e em especial para com as mulheres, tamb\u00e9m \u00e9 motivo de desabafo da jornalista Mari Angela Magalh\u00e3es, que trabalhou a vida inteira, mas, que agora, quando mais chega perto da idade de se aposentar, mais distante fica deste objetivo de todos os trabalhadores. O pior, diz ela, \u00e9 que a reforma vai economizar em cima da classe trabalhadora, n\u00e3o tem um item sequer que puna os grandes sonegadores. N\u00e3o tem nada de combate a privil\u00e9gios, como eles dizem.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Se as empresas devedoras do INSS pagassem suas d\u00edvidas e a reforma da Previd\u00eancia atingisse o Judici\u00e1rio, os militares e o Executivo, se de fato ela fosse justa, n\u00e3o estar\u00edamos pagando essa conta. Essa reforma \u00e9 totalmente injusta<\/p>\n<footer>&#8211; Mari Angela Magalh\u00e3es<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Reforma \u00e9 cheque em branco ao governo e ao Congresso Nacional<\/strong><\/p>\n<p>A impossibilidade da mulher se aposentar aos 62 anos com 240 meses de contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sendo considerada pelos deputados, que preferem desconhecer as estat\u00edsticas do mercado, acredita a professora de economia da URFJ, Denise Gentil. Para ela, a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 um cheque em branco dado \u00e0 classe pol\u00edtica, que ainda n\u00e3o definiu itens que afetar\u00e3o o bolso da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\u201cO governo n\u00e3o apresentou os dados do impacto da reforma, nem para as mulheres, nem para os homens. A reforma \u00e9 um cheque em branco para deputados e senadores, porque muitos par\u00e2metros ser\u00e3o definidos por leis complementares, como al\u00edquotas, base de c\u00e1lculos, entre outros. Estaremos \u00e0 merc\u00ea daquilo que o governo Bolsonaro quer impor em leis posteriores\u201d, alerta a economista.<\/p>\n<p>www.cut.org.br<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estat\u00edsticas mostram que, por falta de emprego, as mulheres s\u00e3o as que menos conseguem contribuir com a Previd\u00eancia. 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