{"id":6766,"date":"2019-06-19T15:22:30","date_gmt":"2019-06-19T18:22:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=6766"},"modified":"2019-06-19T15:22:30","modified_gmt":"2019-06-19T18:22:30","slug":"com-reforma-da-previdencia-maioria-dos-homens-vai-se-aposentar-aos-77-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/06\/19\/com-reforma-da-previdencia-maioria-dos-homens-vai-se-aposentar-aos-77-anos\/","title":{"rendered":"Com reforma da Previd\u00eancia, maioria dos homens vai se aposentar aos 77 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"dd-m-display dd-m-display--small dd-m-background-energized-light\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-10 col-md-10 col-lg-offset-1 col-md-offset-1\">\n<p class=\"dd-m-text dd-m-text--big font-MerriWeather\">Equipe independente de economistas afirma que 20 anos de contribui\u00e7\u00e3o m\u00ednima impedem homens de se aposentarem aos 65. Se regras de Bolsonaro estivessem em vigor, 57% dos aposentados n\u00e3o conseguiriam o benef\u00edcio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dd-m-share\"><\/div>\n<div class=\"dd-m-display dd-m-display--top-30 dd-m-background-stable\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"dd-l-content dd-l-content--medium\">\n<p class=\"dd-m-text dd-m-text--smallest dd-m-alignment--center dd-m-color-assertive\"><strong>Rosely Rocha<\/strong><\/p>\n<p>As mudan\u00e7as feitas pelo relator da reforma da Previd\u00eancia, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), no texto da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) 006\/2019 n\u00e3o alteram os pontos principais da reforma. Pelo relat\u00f3rio apresentado, os trabalhadores e trabalhadoras n\u00e3o conseguir\u00e3o se aposentar no futuro e os poucos que conseguirem ir\u00e3o se aposentar com uma idade muito superior \u00e0 idade m\u00ednima obrigat\u00f3ria de 65 anos para os homens e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/maioria-das-mulheres-vai-se-aposentar-aos-74-anos-se-reforma-do-governo-passar-154d.%20\">62 para as mulheres<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o est\u00e1 no estudo de uma equipe de economistas e engenheiros independentes que analisou os pontos mais nefastos mantidos no relat\u00f3rio da reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Integrante da equipe, a professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ), Denise Gentil, abriu os n\u00fameros da conta que o ministro da Economia do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL), o banqueiro Paulo Guedes, finge n\u00e3o ver.<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos, se a reforma mantiver a idade m\u00ednima de 65 anos e o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o de 20 anos, uma boa parte dos homens s\u00f3 conseguir\u00e1 o merecido descanso aos 77 anos de idade. Isso porque, segundo a economista da UFRJ, um trabalhador s\u00f3 consegue contribuir, em m\u00e9dia, com cinco meses ao ano.<\/p>\n<p>Neste caso, os homens que estariam aptos, hoje, a se aposentar com 15 anos de contribui\u00e7\u00e3o e 65 anos de idade, pela nova regra para alcan\u00e7arem a exig\u00eancia m\u00ednima de 20 anos de contribui\u00e7\u00e3o, precisariam trabalhar at\u00e9 os 77 anos.<\/p>\n<p>\u201cNuma conjuntura econ\u00f4mica de baixo n\u00edvel de emprego, se somarmos as altas taxas de informalidade, com sal\u00e1rios e renda menores, a tend\u00eancia \u00e9 diminuir ainda mais o n\u00famero m\u00e9dio de contribui\u00e7\u00f5es abaixo de cinco parcelas ao ano. Isso acrescenta ainda mais tempo para que o trabalhador consiga se aposentar\u201d, afirma a professora da UFRJ, que, junto com o grupo de estudiosos, baseou as contas a partir dos dados disponibilizados pelo Instituto de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), Anu\u00e1rio Estat\u00edstico da Previd\u00eancia Social, Secretaria da Previd\u00eancia Social do minist\u00e9rio da Economia e CPI da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>57% dos homens n\u00e3o se aposentariam<\/strong><\/p>\n<p>Entre os c\u00e1lculos feitos pelos especialistas est\u00e1 o \u201cpercentual de exclus\u00e3o\u201d, que mostra quantos homens n\u00e3o teriam conseguido se aposentar, se a reforma da Previd\u00eancia de Bolsonaro estivesse em vigor hoje. Pelas contas, em 2016, 57% dos homens que j\u00e1 cumpririam os requisitos de aposentadoria com 15 anos de contribui\u00e7\u00e3o e 65 anos de idade, para alcan\u00e7arem a nova exig\u00eancia m\u00ednima de 20 anos de contribui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teriam se aposentado. A depender do tempo de contribui\u00e7\u00e3o acima de 15 anos, a idade de aposentadoria iria variar entre 71 e 77 anos.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas confundem a idade m\u00ednima de 65 anos. Acham que todos v\u00e3o se aposentar nessa idade. Se esquecem que tem de contribuir por 20 anos e a conta n\u00e3o fecha. Ningu\u00e9m conseguir\u00e1 trabalhar at\u00e9 os 77 anos. J\u00e1 n\u00e3o conseguiriam com um mercado de trabalho aquecido, imagine agora\u201d, critica a economista.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>O grande problema da reforma n\u00e3o \u00e9 a idade, \u00e9 o tempo de contribui\u00e7\u00e3o. A idade m\u00ednima s\u00f3 existe no papel porque s\u00e3o necess\u00e1rios os dois requisitos cumulativos. O governo n\u00e3o faz a conta. Ningu\u00e9m se aposentar\u00e1 mais<\/p>\n<footer>&#8211; Denise Gentil<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Valor da aposentadoria cair\u00e1 em torno de 30%<\/strong><\/p>\n<p>A equipe de economistas tamb\u00e9m analisou os valores a que os aposentados ter\u00e3o direito se PEC da reforma passar. Segundo eles, 69% dos segurados receber\u00e3o abaixo de 70% da m\u00e9dia dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cRaramente um trabalhador ter\u00e1 a chance de receber o benef\u00edcio integral. Mesmo que essas pessoas consigam ficar no mercado de trabalho, elas v\u00e3o se aposentar com uma renda extremamente baixa\u201d, diz Denise.<\/p>\n<p>Para ela, ao retirar o poder de compra dos aposentados, o pa\u00eds dificilmente sair\u00e1 da crise econ\u00f4mica porque s\u00e3o os aposentados que mant\u00eam economicamente as fam\u00edlias em \u00e9poca de desemprego dos jovens.<\/p>\n<p>\u201cPerderemos a capacidade de sobreviver a uma crise econ\u00f4mica. \u00c9 a capilaridade da Previd\u00eancia que nos d\u00e1 a capacidade de segurar essas crises\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Pens\u00f5es por morte<\/strong><\/p>\n<p>A economista critica ainda a manuten\u00e7\u00e3o do valor a ser recebido em casos de morte. Segundo ela, diminuir o benef\u00edcio para 60%, a depender do n\u00famero de dependentes, agrava muito mais a situa\u00e7\u00e3o de pobreza da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPara as mulheres, principalmente, \u00e9 muito preocupante. Ela j\u00e1 perdeu o marido, que, na maioria das vezes, det\u00e9m a capacidade de sustento da fam\u00edlia. E num momento de recess\u00e3o, de alto desemprego e informalidade que afetam muito mais as trabalhadoras, reduzir o valor das pens\u00f5es significa a pauperiza\u00e7\u00e3o das mulheres\u201d, analisa Denise.<\/p>\n<p><strong>Retirada da capitaliza\u00e7\u00e3o, da desconstitucionaliza\u00e7\u00e3o e o aumento da contribui\u00e7\u00e3o dos bancos s\u00e3o \u00fanicos pontos positivos<\/strong><\/p>\n<p>O relator da reforma, Samuel Moreira, retirou do texto da PEC, o sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, pelo qual apenas o trabalhador contribuir\u00e1 com sua aposentadoria, sem contrapartida do Estado e dos patr\u00f5es, como \u00e9 hoje. No texto tamb\u00e9m foi inclu\u00eddo o aumento de 15% para 20% da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) feito pelos bancos.<\/p>\n<p>\u201cFoi muito importante o aumento de 20% da CSLL para injetar R$ 50 bilh\u00f5es em 10 anos. Essa receita est\u00e1 correta para resolver o problema da Previd\u00eancia, pois quem pode contribuir com o lado social do pa\u00eds s\u00e3o os bancos, o sistema financeiro, que det\u00eam a concentra\u00e7\u00e3o de renda do pa\u00eds. Mas, creio que o ideal seria subir este \u00edndice em at\u00e9 25%\u201d, analisa Denise Gentil.<\/p>\n<p>Ela, no entanto, alerta que o Banco Central precisar\u00e1 regular a medida para que os bancos n\u00e3o repassem esse percentual para os clientes por meio de taxas e aumentos nos juros dos empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>\u201cA reforma j\u00e1 diminui o consumo das fam\u00edlias. Se ainda for aliada aos juros altos cobrados pelos bancos, isso pode resultar em mais recess\u00e3o e mais pobreza. Para dar certo, o governo precisar\u00e1 fiscalizar a medida\u201d, recomenda.<\/p>\n<p>J\u00e1 o sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, embora tenha sa\u00eddo do texto do relator, pode voltar a ser discutido no plen\u00e1rio da C\u00e2mara, se Jair Bolsonaro apresent\u00e1-lo novamente, como j\u00e1 prometeu.<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong>A capitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito perigosa. Ela vai aumentar muito mais a dist\u00e2ncia entre ricos e pobres. Enquanto a aposentadoria combate a pobreza, a capitaliza\u00e7\u00e3o deixou um rastro de destrui\u00e7\u00e3o onde foi implementada e n\u00e3o seria diferente aqui. Ela arrasa com os trabalhadores\u201d, critica.<\/p>\n<p><strong>Desconstitucionaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A professora \u00e9 uma das mais ferrenhas cr\u00edticas \u00e0 possibilidade dos direitos previdenci\u00e1rios serem retirados da Constitui\u00e7\u00e3o, como quer Bolsonaro, para poder fazer novas leis prejudiciais aos trabalhadores, sem a necessidade de obter a maioria dos votos no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>\u201cFoi um grande passo ter tirado a desconstitucionaliza\u00e7\u00e3o do texto. Isto s\u00f3 favoreceria o mercado financeiro que quer desmontar os pa\u00edses chamados perif\u00e9ricos\u201d, avalia a economista.<\/p>\n<p>\u201cO grande capital ainda n\u00e3o conseguiu retirar todos os direitos dos trabalhadores na Europa, embora eles tenham perdidos direitos tamb\u00e9m, mas \u00e9 aqui e nos Estados perif\u00e9ricos que eles tentam desmontar tudo para maiores lucros e ganhos\u201d, analisa Denise Gentil.<\/p>\n<p><strong>Reforma da Previd\u00eancia destr\u00f3i o Estado<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a professora da UFRJ, a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 mais uma pe\u00e7a na destrui\u00e7\u00e3o do Estado, das institui\u00e7\u00f5es, que come\u00e7ou com a PEC do Fim do Mundo, a Teto dos Gastos P\u00fablicos, que congelou os investimentos p\u00fablicos por 20 anos e que agora continua com o desmonte do BNDES, IBGE, Petrobras, das universidades p\u00fablicas, da sa\u00fade p\u00fablica e da pr\u00f3pria Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>\u201cA pr\u00f3pria figura da Presid\u00eancia est\u00e1 desaparecendo. Est\u00e3o derretendo as institui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o o sustent\u00e1culo da renda, est\u00e3o demolindo tudo. \u00c9 um desmonte t\u00e3o violento que n\u00e3o d\u00e1 tempo nem de respirar. N\u00e3o h\u00e1 um projeto de reconstru\u00e7\u00e3o do Estado para enfrentar a crise econ\u00f4mica. \u00c9 a p\u00e1 de cal, a barb\u00e1rie\u201d, condena.<\/p>\n<p>Para ela, no entanto, h\u00e1 ainda esperan\u00e7a na luta, especialmente da juventude.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>N\u00e3o \u00e9 um fato consumado, tem ch\u00e3o para lutar. Eu confio na luta da juventude que est\u00e1 no \u00e1pice da for\u00e7a trabalhadora. Em 2019, como nunca antes no pa\u00eds, muitos jovens estar\u00e3o capacitados para o mercado de trabalho e eles est\u00e3o altamente mobilizados. Isto \u00e9 um ponto favor\u00e1vel<\/p>\n<footer>&#8211; Denise Gentil<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Crescimento econ\u00f4mico \u00e9 a sa\u00edda<\/strong><\/p>\n<p>A professora de economia da URFJ afirma categoricamente que s\u00f3 uma pol\u00edtica de crescimento econ\u00f4mico, de desenvolvimento para o pa\u00eds resolver\u00e1 o problema da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cA sa\u00edda para todos os problemas do pa\u00eds, al\u00e9m da Previd\u00eancia, \u00e9 o governo apresentar frentes de trabalho, como as pol\u00edticas de reindustrializa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as ind\u00fastrias est\u00e3o com uma enorme capacidade ociosa. \u00c9 o desenvolvimento do progresso t\u00e9cnico e a distribui\u00e7\u00e3o da renda que ser\u00e3o as sa\u00eddas para a crise. Essa \u00e9 a conta a ser feita\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>\/www.cut.org.br<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Equipe independente de economistas afirma que 20 anos de contribui\u00e7\u00e3o m\u00ednima impedem homens de se aposentarem aos 65. 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