{"id":7154,"date":"2019-07-08T16:07:59","date_gmt":"2019-07-08T19:07:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=7154"},"modified":"2019-07-08T16:07:59","modified_gmt":"2019-07-08T19:07:59","slug":"47-mil-criancas-no-brasil-vivem-em-instituicoes-de-acolhimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/07\/08\/47-mil-criancas-no-brasil-vivem-em-instituicoes-de-acolhimento\/","title":{"rendered":"47 mil crian\u00e7as no Brasil vivem em institui\u00e7\u00f5es de acolhimento"},"content":{"rendered":"<p><strong>Como a aus\u00eancia de v\u00ednculos afetivos prejudica o desenvolvimento dessas crian\u00e7as, organiza\u00e7\u00f5es do Terceiro Setor t\u00eam incentivado cada vez mais uma op\u00e7\u00e3o aos abrigos e casas lares: o acolhimento familiar<\/strong><\/p>\n<h4><strong>do Observat\u00f3rio do 3\u00ba Setor\/\u00a0<\/strong><strong>por Mariana Lima<\/strong><\/h4>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>De acordo com a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2009\/lei\/l12010.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei 12.010\/09<\/a>, que alterou o art. 19 do ECA, \u201ca perman\u00eancia da crian\u00e7a e do adolescente em programa de acolhimento institucional n\u00e3o se prolongar\u00e1 por mais de dois anos\u201d.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, no entanto, a realidade mais vista em abrigos e casas lares \u00e9 a de crian\u00e7as que crescem e deixam a institui\u00e7\u00e3o apenas ao completarem 18 anos. Hoje, 47 mil crian\u00e7as e adolescentes no Brasil est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de acolhimento institucional.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-1\">\n<div id=\"jornalggn_horizontal_2\" class=\"ggnads adv-dfp-google\">Para reverter essa situa\u00e7\u00e3o, institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 causa da ado\u00e7\u00e3o no Brasil visam promover novas formas de acolhimento e de cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo com essas crian\u00e7as e adolescentes, como as fam\u00edlias acolhedoras e o apadrinhamento afetivo.<\/div>\n<\/div>\n<p>A fam\u00edlia acolhedora \u00e9 uma forma de inserir a crian\u00e7a em um lar provis\u00f3rio para que ela possa se desenvolver de forma adequada, com uma estrutura familiar.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 que a crian\u00e7a deixe a fam\u00edlia acolhedora para retornar \u00e0 fam\u00edlia de origem e\/ou extensa (av\u00f3s e tios, por exemplo), ou ser encaminhada para ado\u00e7\u00e3o. Em casos excepcionais, o acolhimento pode se prolongar at\u00e9 os 18 ou 21 anos, dependendo do programa de acolhimento.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-2\">\n<div id=\"jornalggn_horizontal_3\" class=\"ggnads adv-dfp-google\">\u201cO acolhimento institucional ainda \u00e9 muito forte no Brasil. Temos estimativas de que apenas 5% das crian\u00e7as est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de acolhimento familiar, e isso \u00e9 muito pouco se comparado com outros pa\u00edses em que esse \u00edndice chega a 50%\u201d, explica Sandra Sobral, presidente do Instituto Gera\u00e7\u00e3o Amanh\u00e3, que busca conscientizar cada vez mais pessoas sobre a quest\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o e do acolhimento familiar.<\/div>\n<\/div>\n<p>Essa modalidade de acolhimento \u00e9 garantida pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, e foi elevada \u00e0 categoria preferencial pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) em oposi\u00e7\u00e3o ao acolhimento institucional, que, segundo pesquisas, causa danos ao desenvolvimento neurol\u00f3gico e emocional da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA primeira inf\u00e2ncia \u00e9 um per\u00edodo fundamental para o desenvolvimento das crian\u00e7as. A maioria dos abrigos n\u00e3o oferece uma viv\u00eancia comunit\u00e1ria adequada. N\u00e3o ter o v\u00ednculo, o est\u00edmulo, o afeto ou a socializa\u00e7\u00e3o afeta essas crian\u00e7as, que crescem com sequelas pela falta destes pilares\u201d, diz Sandra.<\/p>\n<blockquote>\n<h5><strong>\u201cA ado\u00e7\u00e3o s\u00f3 come\u00e7a quando a crian\u00e7a chega em casa. Vejo nele como o afeto pode fazer a diferen\u00e7a\u201d.<\/strong><\/h5>\n<\/blockquote>\n<p>Os danos a que essas crian\u00e7as est\u00e3o expostas na primeira inf\u00e2ncia ficam evidentes no caso dos\u00a0<a href=\"https:\/\/geracaoamanha.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ORF%C3%83OS-DA-ROM%C3%8ANIA-POR-IGA.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u2018\u00f3rf\u00e3os da Rom\u00eania\u2019<\/a>. Uma pesquisa realizada pelo Hospital de Crian\u00e7as de Boston, da Universidade de Harvard, acompanhou 136 crian\u00e7as entre 6 meses e dois anos e meio que estavam em situa\u00e7\u00e3o de acolhimento institucional. Metade delas foi transferida para institui\u00e7\u00f5es mais adequadas enquanto o restante cresceu em abrigos prec\u00e1rios. Um grupo de 72 crian\u00e7as que foram adotadas ou retornaram \u00e0 fam\u00edlia de origem tamb\u00e9m foi acompanhado pelo estudo.<\/p>\n<p>O estudo foca na Rom\u00eania em consequ\u00eancia do regime comunista de Nicolae Ceausescu, que queria aumentar a popula\u00e7\u00e3o produtiva do pa\u00eds, proibindo todas as formas de aborto, e aplicando um sistema de multas para as mulheres que tivessem menos de 5 filhos.<\/p>\n<p>Um dos problemas \u00e9 que o pa\u00eds vivia em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza, dando margem para o surgimento dos abrigos. Quando, em 1989, Ceausescu foi julgado e morto, havia 170 mil crian\u00e7as institucionalizadas na Rom\u00eania.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-4\">\n<div id=\"jornalggn_horizontal_5\" class=\"ggnads adv-dfp-google\">\u201cAs crian\u00e7as que passaram a vida toda em institui\u00e7\u00f5es apresentavam dificuldades de aprendizagem, linguagem, depress\u00e3o, transtornos mentais, Q.I baixo, instabilidade emocional. E mesmo as que sa\u00edram e foram para uma fam\u00edlia apresentaram problemas derivados deste per\u00edodo\u201d, comenta Sandra, que utiliza o estudo para exemplificar a import\u00e2ncia do acolhimento.<\/div>\n<\/div>\n<blockquote>\n<h5><strong>\u201cEssa fam\u00edlia tem que ser bem acompanhada e ter clareza de seu papel. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 o pai ou m\u00e3e, voc\u00ea vai cuidar desta crian\u00e7a\u201d<\/strong>.<\/h5>\n<\/blockquote>\n<p>Sandra adotou um menino de 4 anos de idade e viu nele as consequ\u00eancias da institucionaliza\u00e7\u00e3o. \u201cEle n\u00e3o estava integrado \u00e0 sociedade, n\u00e3o socializava como uma crian\u00e7a da idade dele. Foi um caos, porque eu n\u00e3o estava preparada e n\u00e3o tinha orienta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o a motivou a iniciar as atividades do Instituto Gera\u00e7\u00e3o Amanh\u00e3. Hoje, seu filho, agora com 8 anos, brinca, fala e convive adequadamente. \u201cA ado\u00e7\u00e3o s\u00f3 come\u00e7a quando a crian\u00e7a chega em casa. Vejo nele como o afeto pode fazer a diferen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-5\">\n<div id=\"jornalggn_horizontal_6\" class=\"ggnads adv-dfp-google\"><strong>Import\u00e2ncia do acolhimento afetivo<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>Apesar da lei, o trabalho da fam\u00edlia acolhedora ainda n\u00e3o \u00e9 estimulado ou conhecido no Brasil. A quest\u00e3o do afeto e do v\u00ednculo ainda \u00e9 o ponto central: vou ter que me despedir desta crian\u00e7a? A resposta \u00e9 sim.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fazendohistoria.org.br\/familias-acolhedoras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Fazendo Hist\u00f3ria<\/a>\u00a0surgiu em 2005, ap\u00f3s a fundadora, que atuava em centros de acolhimento, perceber que as crian\u00e7as eram prejudicadas em servi\u00e7os de acolhimento institucionalizado, devido \u00e0 rotatividade das pessoas que trabalhavam com elas e \u00e0 falta de um acompanhamento peri\u00f3dico.<\/p>\n<p>O Fazendo Hist\u00f3ria iniciou suas atividades com um projeto em que desenvolvia \u00e1lbuns com a hist\u00f3ria de vida destas crian\u00e7as. Com o tempo, come\u00e7ou a desenvolver outros programas e a fazer parcerias para promover a forma\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel destas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria destas crian\u00e7as n\u00e3o come\u00e7a quando elas s\u00e3o adotadas. Elas tiveram uma hist\u00f3ria antes do acolhimento. O objetivo \u00e9 que elas n\u00e3o tenham essa lacuna na vida, que elas saibam a hist\u00f3ria delas\u201d, conta Virginia Toledo, respons\u00e1vel pelo desenvolvimento institucional.<\/p>\n<p>O Fazendo Hist\u00f3ria trabalha com um programa de fam\u00edlias acolhedoras em que seleciona, forma e supervisiona fam\u00edlias volunt\u00e1rias, com um perfil para acolher crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos de idade temporariamente.<\/p>\n<blockquote>\n<h5><strong>\u201cEssas crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o nossas, nunca foram e nunca ser\u00e3o.<\/strong><\/h5>\n<h5><strong>Voc\u00ea vai amar essa crian\u00e7a incondicionalmente,<\/strong><\/h5>\n<h5><strong>mesmo sem saber se a ver\u00e1 de novo um dia.<\/strong><\/h5>\n<h5><strong>Voc\u00ea n\u00e3o espera nada em troca.<\/strong><\/h5>\n<h5><strong>\u00c9 um amor sem expectativas\u201d.<\/strong><\/h5>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cEssa fam\u00edlia tem que ser bem acompanhada e ter clareza de seu papel. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 o pai ou m\u00e3e, voc\u00ea vai cuidar desta crian\u00e7a. Essa fam\u00edlia deve e pode se vincular \u00e0 crian\u00e7a. Temos casos de fam\u00edlias acolhedoras que atuam como apoio para a fam\u00edlia de origem\u201d, esclarece Heloisa de Souza, coordenadora do programa de apadrinhamento afetivo.<\/p>\n<p>Virginia complementa: \u201cO questionamento de todo mundo \u00e9 se o desligamento \u00e9 bom ou n\u00e3o para a crian\u00e7a. Um desligamento n\u00e3o \u00e9 bom para ningu\u00e9m, mas se essa crian\u00e7a estivesse em um abrigo, ela tamb\u00e9m passaria por esse desligamento\u201d.<\/p>\n<p>Antes do desligamento entre a crian\u00e7a e a fam\u00edlia acolhedora, existe um processo preparat\u00f3rio acompanhado por uma equipe t\u00e9cnica, para evitar danos para qualquer um dos lados.<\/p>\n<p>O programa iniciado em 2015 j\u00e1 atendeu 20 crian\u00e7as, e conta com 16 fam\u00edlias acolhedoras e 6 volunt\u00e1rios. O Instituto conta com 11 servi\u00e7os parceiros, como a Vara Central de S\u00e3o Paulo e o Centro de Refer\u00eancia Especializado da Assist\u00eancia Social (CREAS).<\/p>\n<h3><strong>Sobre quem acolheu<\/strong><\/h3>\n<p>O casal de publicit\u00e1rios Anete Fonseca, 50, e S\u00e9rgio Ricardo Gentile, 51, descobriu o acolhimento familiar atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o de uma palestra sobre o tema, realizada pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fazendohistoria.org.br\/familias-acolhedoras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Fazendo Hist\u00f3ria<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cQuando chegamos ali, tivemos a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1vamos no lugar certo, que era aquilo que quer\u00edamos fazer\u201d, conta Anete.<\/p>\n<p>O processo para se tornar uma fam\u00edlia acolhedora \u00e9 longo em qualquer instituto ou abrigo que promova a a\u00e7\u00e3o. A equipe t\u00e9cnica formada por psic\u00f3logos e assistentes sociais acompanha essa fam\u00edlia durante todo o processo, at\u00e9 a entrega da crian\u00e7a para a fam\u00edlia de origem\/extensa ou adotiva.<\/p>\n<p>O processo criterioso e estruturado \u00e9 admirado pelo casal, que participa de grupos de conversa com outras fam\u00edlias justamente para falar sobre as alegrias e dificuldades de ser uma fam\u00edlia acolhedora. Eles continuam a forma\u00e7\u00e3o participando de workshops.<\/p>\n<p>Durante a forma\u00e7\u00e3o para se tornarem uma fam\u00edlia acolhedora, Anete e S\u00e9rgio passaram por questionamentos.<\/p>\n<div id=\"attachment_36837\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-36837\" src=\"https:\/\/observatorio3setor.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/FOTO35.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" srcset=\"https:\/\/observatorio3setor.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/FOTO35.jpeg 1000w, https:\/\/observatorio3setor.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/FOTO35-300x200.jpeg 300w, https:\/\/observatorio3setor.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/FOTO35-768x511.jpeg 768w\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"255\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o Instituto Fazendo Hist\u00f3ria. Marco e Adriana s\u00e3o uma fam\u00edlia acolhedora do programa.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cPens\u00e1vamos se dar\u00edamos conta de ter aquela crian\u00e7a conosco. Qual seria a demanda dela e o que ela iria precisar de n\u00f3s ? A \u00fanica certeza que t\u00ednhamos \u00e9 que aquela crian\u00e7a em algum momento iria embora. Todo esse processo foi um descobrimento para n\u00f3s\u201d, revela S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>O primeiro acolhimento do casal foi de uma menina que chegou para eles com 1 ano e 6 meses e os deixou aos 2 anos e 8 meses. A adapta\u00e7\u00e3o entre eles foi tranquila.<\/p>\n<p>\u201cA nossa rotina mudou drasticamente, porque agora t\u00ednhamos atribui\u00e7\u00f5es que antes n\u00e3o existiam. Mas ter ela conosco foi uma del\u00edcia\u201d, diz Anete.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do acompanhamento, o casal era motivado a explicar regularmente para a crian\u00e7a que aquele era um lar tempor\u00e1rio, que ela ainda iria para a casa que seria dela para sempre.<\/p>\n<div>\n<div><span class=\"ctaText\">Leia tamb\u00e9m:<\/span>\u00a0\u00a0<span class=\"postTitle\">Pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de danos, 30 anos: garantia de direitos ao usu\u00e1rio de drogas<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cAs pessoas ignoram isso, mas a crian\u00e7a sabe e entende o que est\u00e1 acontecendo com ela. Quando ela est\u00e1 convivendo com a fam\u00edlia que quer adot\u00e1-la ou com a fam\u00edlia de origem, ela d\u00e1 sinais de que aquela \u00e9 a fam\u00edlia dela\u201d, comenta S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>Durante o processo de desligamento, a fam\u00edlia acolhedora passa a conviver mais com a fam\u00edlia que vai adotar a crian\u00e7a. Essa fam\u00edlia come\u00e7a a fazer parte da rotina da crian\u00e7a quase que diariamente, e aos poucos a crian\u00e7a vai passando mais tempo com esta fam\u00edlia. A mudan\u00e7a \u00e9 gradual e feita com muito cuidado.<\/p>\n<p>O casal est\u00e1 vivenciando seu segundo acolhimento, agora de um menino de 1 ano e 4 meses. Ap\u00f3s a entrega da menina do primeiro acolhimento, o casal ficou um ano sem receber nenhuma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cVoltamos para a fila e nos tornamos de novo uma fam\u00edlia acolhedora. E, quando ele chegou, percebemos que est\u00e1vamos sentindo falta de ter uma crian\u00e7a aqui em casa. De estar acolhendo algu\u00e9m\u201d, desabafam.<\/p>\n<p>Apesar da certeza com a decis\u00e3o, o casal teve que encarar o estranhamento de amigos e familiares em rela\u00e7\u00e3o ao acolhimento. \u2018Mas n\u00e3o \u00e9 ado\u00e7\u00e3o? \u2019 \u2018Eu n\u00e3o conseguiria fazer isso. \u2019 \u2018Como pode abrir m\u00e3o? N\u00e3o tem apego?\u2019, foram questionamentos com os quais tiveram que lidar.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o entendem bem como funciona, temos que detalhar bem todo o processo. \u00c9 dif\u00edcil entender um amor descompromissado como esse. Temos apego sim. A crian\u00e7a \u00e9 nutrida de todas as formas. Mas n\u00e3o podemos ter o sentimento de posse\u201d, contam.<\/p>\n<p>Ambos apontam que ao se tornar uma fam\u00edlia acolhedora n\u00e3o pode existir o desejo da ado\u00e7\u00e3o. O processo de acolhimento para a ado\u00e7\u00e3o e o da fam\u00edlia acolhedora n\u00e3o \u00e9 o mesmo. Toda a perspectiva muda.<\/p>\n<p>\u201cEssas crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o nossas, nunca foram e nunca ser\u00e3o\u201d. Essa frase foi dita por amiga do casal que faz parte do mesmo programa, e que para Anete resume bem o entendimento que se tem que ter ao decidir se tornar uma fam\u00edlia acolhedora.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea vai amar essa crian\u00e7a incondicionalmente, mesmo sem saber se a ver\u00e1 de novo um dia. Voc\u00ea n\u00e3o espera nada em troca. \u00c9 um amor sem expectativas\u201d, revela Anete.<\/p>\n<p>Anete e S\u00e9rgio t\u00eam dois filhos, um de 30 e outro de 17 anos, al\u00e9m de um neto de 9 meses. Ambos veem o acolhimento familiar como um prop\u00f3sito de vida e desejam continuar acolhendo.<\/p>\n<p>\u201cQueremos continuar acolhendo porque \u00e9 o nosso prop\u00f3sito. Saber que ajudamos essas crian\u00e7as a crescerem em um ambiente saud\u00e1vel nos motiva a continuar\u201d.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre acolhimento familiar, acesse:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fazendohistoria.org.br\/familias-acolhedoras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Fazendo Hist\u00f3ria<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/acolhimentofamiliar.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Gera\u00e7\u00e3o Amanh\u00e3 \u2013 Acolhimento Familiar<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a aus\u00eancia de v\u00ednculos afetivos prejudica o desenvolvimento dessas crian\u00e7as, organiza\u00e7\u00f5es do Terceiro Setor t\u00eam incentivado cada vez mais uma op\u00e7\u00e3o aos abrigos e casas lares: o acolhimento familiar do Observat\u00f3rio do 3\u00ba Setor\/\u00a0por Mariana Lima De acordo com a\u00a0Lei 12.010\/09, que alterou o art. 19 do ECA, \u201ca perman\u00eancia da crian\u00e7a e do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7155,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[191],"class_list":["post-7154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-acolhimento-infantil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7154"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7156,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154\/revisions\/7156"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}