{"id":7421,"date":"2019-07-19T16:49:55","date_gmt":"2019-07-19T19:49:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=7421"},"modified":"2019-07-19T16:49:55","modified_gmt":"2019-07-19T19:49:55","slug":"em-200-dias-brasil-liberou-mais-agrotoxicos-que-a-uniao-europeia-em-oito-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/07\/19\/em-200-dias-brasil-liberou-mais-agrotoxicos-que-a-uniao-europeia-em-oito-anos\/","title":{"rendered":"Em 200 dias, Brasil liberou mais agrot\u00f3xicos que a Uni\u00e3o Europeia em oito anos"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"description\">Governo Bolsonaro autorizou com\u00e9rcio de 239 subst\u00e2ncias; ritmo \u00e9 t\u00e3o acelerado que ruralistas abandonaram o PL do Veneno<\/h4>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Igor Carvalho<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Em 200 dias, o\u00a0governo Bolsonaro (PSL) fez mais libera\u00e7\u00f5es de novos agrot\u00f3xicos do que a Uni\u00e3o Europeia (UE) nos \u00faltimos oito anos. Foram 239 autoriza\u00e7\u00f5es no Brasil contra 229 na UE, desde 2011. A den\u00fancia foi feita pelo ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Reforma Agr\u00e1ria (ABRA), Gerson Teixeira, em seu artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B4Tla7annAEqZnVWSlRydDRCWnlZSlp2dnZVZUxZRW9BQzBv\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cOs ruralistas e os agrot\u00f3xicos \u2013 Uma contranarrativa\u201d<\/a>. Ele ressalta que o cen\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o favor\u00e1vel para o agroneg\u00f3cio que\u00a0a bancada ruralista parou de insistir na tramita\u00e7\u00e3o do PL 6299\/2002, conhecido como<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=46249\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0PL do Veneno<\/a>, de autoria do ex-senador Blairo Maggi, o \u201cRei da soja\u201d.<\/p>\n<p>O PL do Veneno\u00a0prop\u00f5e facilitar\u00a0a autoriza\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no Brasil e\u00a0est\u00e1 pronto para aprecia\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados desde junho de 2018, quando foi aprovado na Comiss\u00e3o Especial da Casa. Por\u00e9m, deste ent\u00e3o, n\u00e3o entrou na pauta para vota\u00e7\u00e3o. Tampouco houve press\u00e3o da bancada ruralistas para que fosse apreciado pelos parlamentares.<\/p>\n<p>\u201cEles viram que, com o governo na m\u00e3o, n\u00e3o precisavam aprovar a legisla\u00e7\u00e3o. Tanto que nunca houve um ritmo t\u00e3o fren\u00e9tico de aprova\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos como agora, 239 agrot\u00f3xicos aprovados. Para se ter uma ideia, o que foi aprovado neste ano, at\u00e9 meados de junho, \u00e9 mais do que foi aprovado na Uni\u00e3o Europeia desde 2011 [229]\u201d, afirma Teixeira.<\/p>\n<p>A avalanche de libera\u00e7\u00e3o de venenos agr\u00edcolas\u00a0tem como objetivo tornar o mercado de agrot\u00f3xicos mais acess\u00edvel para os agricultores, segundo o ex-presidente da ABRA:\u00a0\u201cA estrat\u00e9gia deles \u00e9 viabilizar uma oferta grande de venenos e com isso fazer baixar o pre\u00e7o deles, independente se isso v\u00e1 resultar em uma maior contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente ou do alimento\u201d.<\/p>\n<p>Agrot\u00f3xicos s\u00e3o subst\u00e2ncias fabricadas para exterm\u00ednio da vida\u00a0\u2013 de plantas, insetos ou outros agentes naturais indesejados). Portanto, s\u00e3o chamadas de &#8220;biocidas&#8221;\u00a0e podem\u00a0causar adoecimento, conforme explicou o pesquisador Cleber Folgado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/06\/12\/liberacao-recorde-de-agrotoxicos-ameaca-a-populacao\/\">em entrevista recente ao\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0sobre o tema<\/a>.<\/p>\n<p>Segundo Folgado, que integrou o Grupo de Trabalho de constru\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Redu\u00e7\u00e3o do Uso de Agrot\u00f3xicos (Pronara) dentro da Comiss\u00e3o Nacional de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica, as duas principais formas de intoxica\u00e7\u00e3o s\u00e3o as agudas e as cr\u00f4nicas. As agudas s\u00e3o causadas pela exposi\u00e7\u00e3o a altos n\u00edveis de toxicidade, gerando efeito quase que imediato, como n\u00e1useas, v\u00f4mitos, diarreias, alergias, dores de cabe\u00e7a, tontura. J\u00e1 as intoxica\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas s\u00e3o resultado de pequenas quantidades de agrot\u00f3xicos que se acumulam\u00a0no organismo e, ao longo de anos, podem resultar em doen\u00e7as respirat\u00f3rias, alergias, infertilidade, impot\u00eancia, abortos espont\u00e2neos,\u00a0<em>Alzhaimer<\/em>, autismo, c\u00e2nceres, doen\u00e7as cr\u00f4nicas nos rins, danos ao f\u00edgado, problemas na tireoide, doen\u00e7as card\u00edacas, esclerose m\u00faltipla\u00a0e Parkinson, por exemplo.<\/p>\n<p>Nos primeiros seis meses do ano, o governo Bolsonaro j\u00e1 havia liberado mais agrot\u00f3xicos do que qualquer ano do mandato de Dilma Rousseff (PT). No governo Temer, as autoriza\u00e7\u00f5es para uso de veneno mais que dobraram, chegando a 450 de 1\u00ba de janeiro a 31 de dezembro de 2018. Ainda assim, o ritmo imposto pela equipe do capit\u00e3o reformado \u00e9 um recorde absoluto no pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Bancada ruralista<\/strong><\/p>\n<p>Teixeira lamenta a falta de meios para impedir os decretos do Executivo que autorizam novos agrot\u00f3xicos no pa\u00eds. \u201cPelo Congresso \u00e9 dif\u00edcil, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem tomado iniciativas para barrar [as libera\u00e7\u00f5es]\u00a0via decreto do Legislativo, mas a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as aqui \u00e9 totalmente desfavor\u00e1vel. N\u00f3s sabemos que alguns setores do Minist\u00e9rio P\u00fablico est\u00e3o preocupados com isso, est\u00e3o tentando fazer algumas a\u00e7\u00f5es nessa \u00e1rea, mas tamb\u00e9m sem sucesso\u201d, explica<\/p>\n<p>No Congresso, o agroneg\u00f3cio \u00e9 representado pela bancada ruralista, que se organiza atrav\u00e9s da\u00a0<a href=\"https:\/\/fpagropecuaria.org.br\/integrantes\/todos-os-integrantes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA),<\/a>\u00a0que mant\u00e9m, entre seus filiados, 257 parlamentares, sendo 32 senadores e 225 deputados.<\/p>\n<p>A bancada ruralista anda de m\u00e3os dadas\u00a0com o governo. Tereza Cristina,\u00a0a ministra da Agricultura de Bolsonaro e art\u00edfice da libera\u00e7\u00e3o massiva dos venenos, j\u00e1 presidiu a FPA\u00a0entre 2017 e 2019\u00a0e \u00e9 deputada federal eleita pelo DEM do Mato Grosso do Sul, licenciada para chefiar o minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Antes mesmo do primeiro turno da elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2018, no dia 2 de outubro, a FPA se reuniu com Jair Bolsonaro e entregou ao capit\u00e3o reformado o apoio integral de toda a bancada. Tereza Cristina foi \u00e0 casa do ent\u00e3o presidenci\u00e1vel para entregar uma carta expressando\u00a0apoio irrestrito do setor.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Governo Bolsonaro autorizou com\u00e9rcio de 239 subst\u00e2ncias; ritmo \u00e9 t\u00e3o acelerado que ruralistas abandonaram o PL do Veneno Igor Carvalho Em 200 dias, o\u00a0governo Bolsonaro (PSL) fez mais libera\u00e7\u00f5es de novos agrot\u00f3xicos do que a Uni\u00e3o Europeia (UE) nos \u00faltimos oito anos. Foram 239 autoriza\u00e7\u00f5es no Brasil contra 229 na UE, desde 2011. 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