{"id":8121,"date":"2019-08-19T14:05:06","date_gmt":"2019-08-19T17:05:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=8121"},"modified":"2019-08-19T14:05:06","modified_gmt":"2019-08-19T17:05:06","slug":"desigualdade-sobe-e-pobreza-chega-a-233-milhoes-de-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/08\/19\/desigualdade-sobe-e-pobreza-chega-a-233-milhoes-de-pessoas\/","title":{"rendered":"Desigualdade sobe, e pobreza chega a 23,3 milh\u00f5es de pessoas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Renda do trabalho dos jovens encolhe 17% entre 2014 e 2019, mostra estudo do economista Marcelo Neri, da FGV Social<\/strong><\/p>\n<div class=\"meta\">\n<p class=\"data\">RIO &#8211; O Brasil vive o mais longo per\u00edodo de aumento de desigualdade da sua hist\u00f3ria, com crescimento da concentra\u00e7\u00e3o de renda h\u00e1 17 trimestres, segundo estudo do economista da FGV Social Marcelo Neri. O levantamento mostra ainda que o n\u00famero de pobres cresceu no pa\u00eds e chegou a 23,3 milh\u00f5es em 2017, dado mais recente. S\u00e3o pessoas que vivem com menos de R$ 233 por m\u00eas.<\/p>\n<\/div>\n<p>O desemprego elevado, que ainda\u00a0atinge 12 milh\u00f5es\u00a0de pessoas, \u00e9 a principal causa para a alta da desigualdade.<\/p>\n<p>A dificuldade de encontrar uma vaga prejudica ainda\u00a0mais os jovens.\u00a0A renda do trabalho dos brasileiros com idade entre 20 e 24 anos encolheu 17% entre o quarto trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2019, diz o estudo.<\/p>\n<p>Saiba mais detalhes sobre o estudo e entenda por que a renda dos mais pobres cai enquanto a dos mais ricos cresce na\u00a0reportagem exclusiva\u00a0do GLOBO.<\/p>\n<p>RIO-O\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0vive o ciclo\u00a0<strong>mais longo\u00a0<\/strong>de aumento da\u00a0<strong>desigualdade\u00a0<\/strong>de sua hist\u00f3ria\u00a0<strong>.\u00a0<\/strong>Estudo do economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social, mostra que\u00a0<strong>a concentra\u00e7\u00e3o de renda\u00a0<\/strong>cresce no pa\u00eds h\u00e1\u00a0<strong>17 trimestres,\u00a0<\/strong>pouco mais de quatro anos.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>piora<\/strong>\u00a0na desigualdade, segundo Neri, \u00e9 resultado do aumento do\u00a0<strong>desemprego<\/strong>\u00a0no pa\u00eds, que ainda\u00a0aflige 12 milh\u00f5es de pessoas\u00a0:<\/p>\n<p>\u2014 O principal fator que influencia o aumento da desigualdade \u00e9 o desemprego, que, embora apresente sinais de alguma recupera\u00e7\u00e3o, ainda \u00e9 grande no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Renda:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/jovens-foram-os-que-mais-perderam-renda-desde-2014-23881090\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jovens foram os que mais perderam renda desde 2014; queda foi de 17%<\/a><\/p>\n<p>O economista pondera que, quando o desemprego aumenta, o mercado de trabalho tende a diferenciar ainda mais os trabalhadores de acordo com o grau de instru\u00e7\u00e3o. Os mais capacitados t\u00eam mais chance do que os de baixa escolaridade.<\/p>\n<p>A desigualdade \u00e9 medida pelo \u00edndice de Gini, que mostra a concentra\u00e7\u00e3o de renda e varia de zero a 1. Quanto mais pr\u00f3ximo de 1, mais desigual \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de renda. No Brasil, o indicador segue tend\u00eancia de alta desde o quarto trimestre de 2014, quando estava em 0,6003, at\u00e9 o segundo trimestre deste ano, quando alcan\u00e7ou 0,6291.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de renda avan\u00e7ou no per\u00edodo que abrange os governos de Dilma Rousseff, Michel Temer e o primeiro semestre da gest\u00e3o de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Para Jo\u00e3o Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ, a precariedade do mercado de trabalho \u00e9 uma das causas que explicam o aumento da desigualdade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u2014 O que esses n\u00fameros mostram \u00e9 a disparidade no mercado de trabalho. O \u00edndice de Gini abarca todas as fontes de renda, sejam elas formais ou informais. Sendo assim, inclui trabalhadores que t\u00eam renda irregular e os registrados, com sal\u00e1rio fixo. O mercado ainda n\u00e3o consegue absorver o contingente de trabalhadores dispon\u00edveis. E, quando absorve, \u00e9 de uma maneira muito desigual \u2014 explicou Saboia.<\/p>\n<p><strong>M\u00e3o de obra:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/desemprego-avanca-13-em-um-ano-entre-os-mais-qualificados-23789772\">Desemprego avan\u00e7a entre os mais qualificados<\/a><\/p>\n<h2 align=\"left\">Impacto maior para jovens<\/h2>\n<p>De acordo com o estudo, nem mesmo em 1989, pico hist\u00f3rico de desigualdade brasileira, alimentada pela infla\u00e7\u00e3o galopante, houve um per\u00edodo de concentra\u00e7\u00e3o de renda por tantos trimestres consecutivos.<\/p>\n<p>Outro indicador do avan\u00e7o da desigualdade no pa\u00eds \u00e9 a an\u00e1lise do comportamento dos rendimentos do trabalho de acordo com a faixa de renda. No per\u00edodo de 2014 a 2019, a renda da metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o caiu, como antecipou o colunista do GLOBO Ancelmo Gois. A perda foi de 17,1%. No mesmo per\u00edodo, a renda da parcela que compreende o 1% mais rico avan\u00e7ou 10,11%.<\/p>\n<p>O levantamento tem como base a renda do trabalho\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0familiar, ou seja, considera todos os trabalhos de todos os integrantes da fam\u00edlia, divididos pelo n\u00famero de pessoas do domic\u00edlio. O c\u00e1lculo desconta a infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo.<\/p>\n<p>Os mais pobres n\u00e3o foram os \u00fanicos que viram seu rendimento encolher no per\u00edodo. Os mais jovens, com idade de 20 a 24 anos, registraram queda de 17,7% no per\u00edodo. As pessoas sem instru\u00e7\u00e3o tiveram recuo de 15%.<\/p>\n<p>\u2014 Uma das explica\u00e7\u00f5es para a queda na renda dos jovens \u00e9 que eles n\u00e3o conseguem inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Com a crise e as demiss\u00f5es de chefes de fam\u00edlia, jovens passaram a procurar ainda mais emprego. Os resultados mostram que quem mais perdeu nesta crise foram as pessoas com pouca experi\u00eancia ou com pouca instru\u00e7\u00e3o \u2014 destaca Neri.<\/p>\n<div class=\"article__embed-container\">\n<div class=\"embed-social\">\n<p>Segundo o estudo, o desemprego foi o principal respons\u00e1vel pela queda no poder de compra das fam\u00edlias.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cDesemprego \u00e9 sinal de desajuste do mercado de trabalho e de frustra\u00e7\u00e3o. A maioria dos ocupados passa a temer cair no desemprego, e, por precau\u00e7\u00e3o, reprime sua demanda por bens e servi\u00e7os\u201d, diz o o estudo.<\/p>\n<h2 align=\"left\">23,3 milh\u00f5es na pobreza<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da disparidade crescente de renda entre os trabalhadores, o n\u00famero de pobres no Brasil aumentou. De acordo com o levantamento, entre 2015 e 2017, a popula\u00e7\u00e3o pobre brasileira aumentou de 8,3% para 11,1% do total. Assim, este contingente representa uma parcela de 23,3 milh\u00f5es de pobres no Brasil, pessoas que vivem com menos de R$ 233 por m\u00eas.<\/p>\n<p>Em dois anos, o Brasil passou a ter mais 6,2 milh\u00f5es de pobres. Uma das causas para esta situa\u00e7\u00e3o de aumento da pobreza, ressalta o diretor do FGV Social, \u00e9 a falta de expans\u00e3o de programas sociais:<\/p>\n<p>\u2014 Ao passo que o desemprego aumentou e mais pessoas perderam suas fontes de renda, as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o conseguiram incorporar esse novo contingente de desassistidos. Um exemplo \u00e9 o Bolsa Fam\u00edlia. Foram feitas medidas para evitar fraudes e melhorar o cadastramento, mas a expans\u00e3o do programa n\u00e3o foi suficiente para impedir o aumento significativo na pobreza do Brasil.<\/p>\n<div class=\"article__embed-container\">\n<div class=\"embed-social\">\n<div id=\"g-info-desigualdade1608-box\" class=\"ai2html\">\n<div id=\"g-info-desigualdade1608-desk\" class=\"g-artboard \">\n<div id=\"g-info-desigualdade1608-desk-graphic\">www.oglobo.com.br \/ Gabriel Martins<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renda do trabalho dos jovens encolhe 17% entre 2014 e 2019, mostra estudo do economista Marcelo Neri, da FGV Social RIO &#8211; O Brasil vive o mais longo per\u00edodo de aumento de desigualdade da sua hist\u00f3ria, com crescimento da concentra\u00e7\u00e3o de renda h\u00e1 17 trimestres, segundo estudo do economista da FGV Social Marcelo Neri. 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