{"id":8606,"date":"2019-09-11T15:17:26","date_gmt":"2019-09-11T18:17:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=8606"},"modified":"2019-09-11T15:17:26","modified_gmt":"2019-09-11T18:17:26","slug":"quando-o-trabalho-pode-levar-a-morte-especialistas-fazem-alerta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/09\/11\/quando-o-trabalho-pode-levar-a-morte-especialistas-fazem-alerta\/","title":{"rendered":"Quando o trabalho pode levar \u00e0 morte: especialistas fazem alerta"},"content":{"rendered":"<p><strong>Excesso de trabalho, e mesmo desemprego podem ser gatilhos para algumas pessoas<\/strong><\/p>\n<p>No m\u00eas dedicado \u00e0\u00a0preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, muitos s\u00e3o os alertas feitos acerca da sa\u00fade mental\u00a0e emocional dos indiv\u00edduos. Isso porque o\u00a0problema costuma estar ligado \u00e0 ansiedade,\u00a0depress\u00e3o\u00a0e ao abuso de \u00e1lcool e outras drogas. No entanto, cada vez mais especialistas t\u00eam enfatizado\u00a0que\u00a0o cen\u00e1rio socioecon\u00f4mico tamb\u00e9m \u00e9 capaz de interferir no agravamento de transtornos e, por consequ\u00eancia, no\u00a0n\u00famero de casos.\u00a0\u201dEm conjunturas adversas, de guerras, recess\u00e3o e\u00a0crise pol\u00edtica, pode haver um\u00a0aumento no \u00edndice de suic\u00eddios\u201d, explica o psiquiatra cl\u00ednicio Victor\u00a0Pablo da Silveira, da cl\u00ednica Holiste.<\/p>\n<p>As\u00a0press\u00f5es rotineiras no ambiente profissional, e mesmo o desemprego, podem ser a \u201cgota d&#8217;\u00e1gua\u201d para algumas pessoas. \u201cNingu\u00e9m vai tentar o suic\u00eddio s\u00f3 porque ficou desempregado ou est\u00e1 passando por uma situa\u00e7\u00e3o muito ruim no trabalho. O\u00a0processo de contemplar a ideia, planejar e fazer essa tentativa decorre de um adoecimento cr\u00f4nico, de uma dificuldade de enfrentar adversidades ou de um perfil impulsivo\u201d, elenca Silveira.<\/p>\n<p>Tanto assim que, segundo o especialista, muitas tentativas s\u00e3o meio destrambelhadas: a pessoa tenta, mas logo em seguida pede ajuda. \u201cO suic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 sobre morte, \u00e9 sobre al\u00edvio. A pessoa n\u00e3o v\u00ea sa\u00edda, n\u00e3o v\u00ea sentido se sente impotente\u201d, explica a psiquiatra Ana Paula Torres Guedes, do N\u00facleo de Estudo e Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio (NEPS).<\/p>\n<p>Como a intera\u00e7\u00e3o entre os fatores de risco \u00e9 complexa, fica dif\u00edcil estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o causal e direta, mas a conex\u00e3o existe. Mesmo porque parte do\u00a0tempo de vida \u00e9 dedicado ao\u00a0trabalho \u2014 bem mais do que as oito horas di\u00e1rias.\u00a0 \u201dA l\u00f3gica da produtividade e da acelera\u00e7\u00e3o a\u00a0que estamos submetidos, al\u00e9m do d\u00e9ficit de experi\u00eancias de subjetividade no trabalho,\u00a0produzem um cen\u00e1rio de extremo sofrimento\u201d, alerta a\u00a0psic\u00f3loga l\u00edder do Hospital Portugu\u00eas, Elisa Silveira Teixeira.<\/p>\n<p><strong>Insalubridade<\/strong><br \/>\nProfessores, policiais, jornalistas, m\u00e9dicos e enfermeiros\u00a0est\u00e3o no topo da lista dos profissionais com exposi\u00e7\u00e3o aos riscos ocupacionais cl\u00e1ssicos: alto n\u00edvel de exaust\u00e3o emocional, sobrecarga de trabalho e baixa realiza\u00e7\u00e3o pessoal. A soma de tudo isso geralmente resulta em uma mistura explosiva: a S\u00edndrome de Burnout.<\/p>\n<p>O\u00a0nome n\u00e3o poderia ser mais elucidativo. Em ingl\u00eas, \u201cburn out\u201d significa \u201cqueimar por completo\u201d. \u00c9 assim \u2013 acabados, esgotados \u2013 que um n\u00famero cada vez maior de profissionais (de todas as \u00e1reas) se sente.<\/p>\n<p>Segundo dados da Secretaria\u00a0Especial de Previd\u00eancia e Trabalho, na compara\u00e7\u00e3o entre os anos de 2017 e 2018, o crescimento de benef\u00edcios de aux\u00edlio-doen\u00e7a com a doen\u00e7a chegou a 114,80%. O n\u00famero de benef\u00edcios pulou de 196 para 421.<\/p>\n<p>Pesquisa divulgada no final de agosto pelo\u00a0Grupo de Estudo e Pesquisa em Suic\u00eddio e Preven\u00e7\u00e3o (Gespesp)\u00a0aponta que, entre 2017 e 2018, mais que dobrou o n\u00famero de agentes de seguran\u00e7a p\u00fablica que se mataram no Brasil. Em 2017, foram registrados 28 casos contra 67 em 2018, uma alta de 140%. O n\u00famero inclui suic\u00eddios e homic\u00eddios seguidos de suic\u00eddios (quando a pessoa assassinou algu\u00e9m antes de se matar). Al\u00e9m dos suic\u00eddios consumados, tamb\u00e9m houve aumento na tentativa: 14 em 2018, contra os seis registros de 2017.<\/p>\n<p>Outro complicador \u00e9 a dificuldade de conter uma pessoa que tem ao alcance ferramentas que facilitam a pr\u00f3pria morte, como os f\u00e1rmacos e as armas de fogo.\u00a0Apesar de n\u00e3o haver n\u00fameros atualizados em rela\u00e7\u00e3o a todas as categorias profissionais, o quadro tem sido recorrente.<\/p>\n<p>Da\u00ed, a import\u00e2ncia de campanhas como o Setembro Amarelo, quando ganham destaque iniciativas de valoriza\u00e7\u00e3o da vida. \u201cAs campanhas s\u00e3o muito importantes porque mostram que o suic\u00eddio e o pensamento suicida \u00e9 algo humano. E nelas deve haver as mensagens de que, primeiro, sempre h\u00e1 uma sa\u00edda e, segundo, tudo passa\u201d, diz Guedes.<\/p>\n<p><strong>Desemprego\u00a0<\/strong><br \/>\nO recado vale para quem n\u00e3o v\u00ea perspectivas de melhora no ambiente de trabalho, e tamb\u00e9m para aqueles que est\u00e3o desempregados e com uma sensa\u00e7\u00e3o de inutilidade, inferioridade ou exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>O impacto do desemprego \u00e9 grande justamente porque, al\u00e9m do sal\u00e1rio, o indiv\u00edduo se sente isolado, impotente e passa a se enxergar como um peso. Esse conjunto de fatores desencadeia tend\u00eancias autodestrutivas e o abuso de \u00e1lcool e drogas, agravando transtornos como ansiedade e depress\u00e3o e agindo ainda como \u201cdesinibidores\u201d, ou seja, reduzindo o medo da morte.<\/p>\n<p>Nesse caso, familiares e amigos pr\u00f3ximos t\u00eam de estar ainda mais atentos para perceberem os sinais, e os diferenciar de uma reclus\u00e3o decorrente da nova condi\u00e7\u00e3o de desempregado. \u201cO risco de suic\u00eddio \u00e9 considerado maior no caso de homens na faixa de 45 a 50 anos de idade, mas h\u00e1 uma subnotifica\u00e7\u00e3o no caso de mulheres, cujas tentativas costumam ser menos letais\u201d, ressalta Silveira.<\/p>\n<p>www.correio24horas.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excesso de trabalho, e mesmo desemprego podem ser gatilhos para algumas pessoas No m\u00eas dedicado \u00e0\u00a0preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, muitos s\u00e3o os alertas feitos acerca da sa\u00fade mental\u00a0e emocional dos indiv\u00edduos. 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