{"id":9842,"date":"2019-11-04T14:37:14","date_gmt":"2019-11-04T17:37:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=9842"},"modified":"2019-11-04T14:37:14","modified_gmt":"2019-11-04T17:37:14","slug":"trabalho-escravo-na-cadeia-produtiva-do-cafe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/11\/04\/trabalho-escravo-na-cadeia-produtiva-do-cafe\/","title":{"rendered":"Trabalho escravo na cadeia produtiva do caf\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ano passado, seis multinacionais foram denunciadas por financiar trabalho escravo em fazendas de caf\u00e9 no Brasil. S\u00e3o elas: Nestl\u00e9, Jacobs Douwe Egberts, McDonald\u2019s, Dunkin\u2019 Donuts, Starbucks e Illy.<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea tomou caf\u00e9 hoje, provavelmente a bebida veio de uma das empresas aqui mencionadas. O caf\u00e9 que voc\u00ea bebe tem aroma, sabor, intensidade e prazer. Mas tem tamb\u00e9m algo que voc\u00ea paga, mas n\u00e3o gostaria de consumir: trabalho escravo, viol\u00eancia, descaso com seres humanos.<\/p>\n<p>A den\u00fancia do trabalho escravo foi feita pela Articula\u00e7\u00e3o dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (ADERE-MG), em parceria com a Conectas Direitos humanos. A den\u00fancia foi protocolada junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<p>Passado um ano da den\u00fancia, conversei com um dos coordenadores da ADERE-MG, Jorge Ferreira dos Santos. Perguntei o que mudou, o que as empresas fizeram para evitar que o trabalho escravo continuasse contaminando seus neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 pior a cada dia. As empresas n\u00e3o fizeram nada\u201d, disse Jorge. Ele aponta que, de fato, houve uma piora, principalmente no que diz respeito \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de governo. \u201cSem fiscaliza\u00e7\u00e3o, nada vai mudar\u201d, alerta.<\/p>\n<p>O caf\u00e9 brasileiro est\u00e1 entre os melhores do mundo, em termos de qualidade do produto. O que n\u00e3o falta ao caf\u00e9 brasileiro s\u00e3o pr\u00eamios internacionais. Ser\u00e1 que em algum momento esses pr\u00eamios v\u00e3o considerar o valor da vida? Os custos sociais inerentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/11\/06\/acampadas-ha-duas-decadas-familias-produtoras-do-cafe-guaii-sofrem-ameaca-de-despejo\/\">:: Leia tamb\u00e9m:\u00a0Acampadas h\u00e1 duas d\u00e9cadas, fam\u00edlias produtoras do Caf\u00e9 Guai\u00ed sofrem amea\u00e7a de despejo<\/a><\/p>\n<p>As empresas precisam dar uma resposta. A palavra est\u00e1 com Nestl\u00e9, McDonald\u2019s, Dunkin\u2019 Donuts, Starbucks, Illy e Jacobs Douwe Egberts, dona de v\u00e1rias marcas conhecidas, tais como Pil\u00e3o, Caboclo e Caf\u00e9 do Ponto.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>O sil\u00eancio hip\u00f3crita do terceiro setor<\/strong><\/p>\n<p>Multinacionais t\u00eam por h\u00e1bito fazer de conta que n\u00e3o \u00e9 com elas quando o assunto \u00e9 viola\u00e7\u00e3o de direitos. O que surpreende mais, a cada dia, \u00e9 a hipocrisia de organiza\u00e7\u00f5es que deveriam enfrentar o problema e ajudar a denunciar, mas que fazem cara de paisagem, em troca do cheque que chega todos os meses, a t\u00edtulo de \u201capoio\u201d para enfrentar o trabalho escravo e outras viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos.<\/p>\n<p>As empresas que mais violam os direitos humanos s\u00e3o as que mais injetam dinheiro em organiza\u00e7\u00f5es que poderiam denunci\u00e1-las. Por que ser\u00e1?<\/p>\n<p>No setor do caf\u00e9, a \u00faltima jogada de marketing se chama Pacto Setorial para a Sustentabilidade Social do Caf\u00e9. \u00c9 um nome bel\u00edssimo, mas que em nada avan\u00e7a para conter as viola\u00e7\u00f5es na cadeia produtiva do caf\u00e9. Viola\u00e7\u00f5es que afetam principalmente as mulheres trabalhadoras, que envelhecem e morrem nas lavouras, sem nenhum tipo de garantia social.<\/p>\n<p>A ADERE-MG, por exemplo, que fez a maior parte das den\u00fancias de trabalho escravo no caf\u00e9, sequer foi convidada para participar do tal pacto.<\/p>\n<p>\u201cEsse pacto foi criado para nos calar, para calar a voz dos trabalhadores do caf\u00e9. \u00c9 uma jogada de marketing para favorecer as empresas. Nunca fomos chamados para o debate. \u00c9 um pacto \u2018para ingl\u00eas ver\u2019, puro marketing \u201d, diz Jorge Ferreira dos Santos.<\/p>\n<p><strong>No enfrentamento do trabalho escravo, definitivamente, o Brasil j\u00e1 passou por melhores momentos.<\/strong><\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Marques Casara<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano passado, seis multinacionais foram denunciadas por financiar trabalho escravo em fazendas de caf\u00e9 no Brasil. S\u00e3o elas: Nestl\u00e9, Jacobs Douwe Egberts, McDonald\u2019s, Dunkin\u2019 Donuts, Starbucks e Illy. Se voc\u00ea tomou caf\u00e9 hoje, provavelmente a bebida veio de uma das empresas aqui mencionadas. O caf\u00e9 que voc\u00ea bebe tem aroma, sabor, intensidade e prazer. 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