{"id":9916,"date":"2019-11-06T11:37:48","date_gmt":"2019-11-06T14:37:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=9916"},"modified":"2019-11-06T11:39:12","modified_gmt":"2019-11-06T14:39:12","slug":"manchas-oleo-nas-praias-do-nordeste-tem-impactos-economicos-sociais-e-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/11\/06\/manchas-oleo-nas-praias-do-nordeste-tem-impactos-economicos-sociais-e-humanos\/","title":{"rendered":"Manchas \u00f3leo nas praias do Nordeste t\u00eam impactos econ\u00f4micos, sociais e humanos"},"content":{"rendered":"<div class=\"dd-m-display dd-m-display--small dd-m-background-energized-light\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-10 col-md-10 col-lg-offset-1 col-md-offset-1\">\n<p class=\"dd-m-text dd-m-text--big font-MerriWeather\"><strong>\u201cExiste medo, tens\u00e3o, tristeza, revolta nas pessoas. Estamos falando de um crime que vai precarizar ainda mais a vida de milhares de pessoas\u201d, afirmou professor da universidade da Bahia<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dd-m-share\">H\u00e1 mais de dois meses manchas de \u00f3leo cru est\u00e3o aparecendo no litoral do Nordeste. Na \u00faltima sexta-feira (1\u00ba), o Minist\u00e9rio da Defesa, a Marinha e a Pol\u00edcia Federal soltaram uma nota dizendo que dos 30 navios suspeitos, um navio-tanque de bandeira Grega, da empresa Delta Tankers, se encontrava na \u00e1rea de surgimento da mancha.<\/div>\n<div class=\"dd-m-display dd-m-display--top-30 dd-m-background-stable\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"dd-l-content dd-l-content--medium\">\n<p>De 30 de agosto at\u00e9 agora o \u00f3leo j\u00e1 atingiu 322 localidades. Cerca de 4.000 toneladas de res\u00edduos de \u00f3leo j\u00e1 foram retirados das praias nordestinas. Neste fim de semana, o governo anunciou que o petr\u00f3leo j\u00e1 chegou ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, arquip\u00e9lago com a maior biodiversidade do Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do enorme preju\u00edzo para o meio ambiente e o turismo local, o crime afeta a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/omissao-do-governo-compromete-saude-dos-que-ajudam-recolher-oleo-de-praias-48fc\"><strong>sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>\u00a0e tem consequ\u00eancias econ\u00f4micas dif\u00edceis de serem mensuradas, pois centenas de pescadores vivem da produ\u00e7\u00e3o que est\u00e1 interrompida e n\u00e3o se sabe quando ser\u00e1 poss\u00edvel pescar novamente.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem como mensurar n\u00fameros, pois a dimens\u00e3o deste crime \u00e9 muito grande. A falta de estat\u00edsticas para a pesca artesanal \u00e9 not\u00f3ria, o que torna quase imposs\u00edvel mensurar valores advindos direta ou indiretamente desta atividade\u201d, afirma o professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Francisco Jos\u00e9 Bezerra Souto, conhecido como Franz\u00e9.<\/p>\n<p>O ver\u00e3o est\u00e1 chegando e o turismo que emprega milhares de trabalhadores e trabalhadoras tamb\u00e9m deve ser afetado, acrescenta o professor, que complementa: \u201cSem falar que a destrui\u00e7\u00e3o do modo de vida das pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o se pode valorar e elas ainda n\u00e3o sabem quando a vida voltar\u00e1 ao normal. Se \u00e9 que voltar\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Para o economista Guilherme Melo, da Unicamp, o vazamento ter\u00e1 efeitos de curto e longo prazo na economia com impacto direto no turismo que vai enfrentar cancelamentos de reservas, setores de servi\u00e7os, restaurantes e, em particular, na ind\u00fastria do setor de pesca.<\/p>\n<p>Guilherme aponta que no longo prazo o vazamento do \u00f3leo nas praias no Nordeste ter\u00e1 um impacto tamb\u00e9m na imagem do pa\u00eds porque \u201co petr\u00f3leo atingiu regi\u00f5es onde os peixes e a vida marinha se reproduzem e voc\u00ea n\u00e3o sabe at\u00e9 quando vai durar o efeito dessa trag\u00e9dia ambiental\u201d.<\/p>\n<p>Desde que as manchas de \u00f3leo viraram manchetes em todos os jornais do pa\u00eds e at\u00e9 do mundo, mostrando inclusive volunt\u00e1rios que foram limpar as praias com problemas de sa\u00fade, os nordestinos ficaram com medo de comprar peixes, mariscos, camar\u00f5es e tudo que vem do mar. T\u00eam medo de intoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos mercados o movimento tamb\u00e9m caiu e as barraquinhas nas ruas est\u00e3o cheias de frutos do mar encalhados.<\/p>\n<p>A rede hoteleira at\u00e9 destacam em suas publicidades a origem de seus peixes para mostrar que n\u00e3o s\u00e3o do Nordeste. Al\u00e9m disso, est\u00e1 se iniciando o per\u00edodo de alta temporada e os turistas j\u00e1 est\u00e3o cancelando suas reservas.<\/p>\n<p>O professor Franz\u00e9, que tamb\u00e9m cancelou uma viagem que faria no feriado, alerta que esse crime pode prolongar seus efeitos por d\u00e9cadas e que os preju\u00edzos humanos ser\u00e3o incalcul\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem como dimensionar o desespero dessas comunidades que vivem exclusivamente de suas atividades. Existe medo, tens\u00e3o, tristeza, revolta nas pessoas. Estamos falando de um crime que vai precarizar ainda mais a vida de milhares de pessoas\u201d, finalizou o professor.<\/p>\n<p><strong>Pesca est\u00e1 paralisada e pescador vive de Bolsa Fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Filha de um pescador em cidade do Una, distrito de Comandatuba, litoral sul da Bahia, Beatriz Goldman afirmou que a pesca local agora est\u00e1 paralisada.<\/p>\n<p>As manchas de \u00f3leo chegaram na ilha h\u00e1 menos de uma semana e a comunidade, que n\u00e3o tem subs\u00eddio nenhum do governo, est\u00e1 se mobilizando para tirar os res\u00edduos do mar e vivendo, em sua grande maioria, de Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cEstamos h\u00e1 dias limpando. O que aparece aqui na ilha \u00e9 muito \u00f3leo e d\u00e1 muito trabalho para limpar. Tem muito caranguejo morto, \u00e1guas vivas mortas. N\u00e3o encontramos nada vivo. Terminamos o trabalho por hoje e ainda tem muita coisa. A mar\u00e9 subiu e percebemos que t\u00e1 vindo mais\u201d, afirma Beatriz.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Foi uma falha humana e a gente t\u00e1 vendo o governo de olhos fechados e n\u00e3o est\u00e1 solucionando nada. Se n\u00e3o tivesse os volunt\u00e1rios estar\u00edamos em uma situa\u00e7\u00e3o pior<\/p>\n<footer>&#8211; Beatriz Goldman<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Sobre comer os peixes, Beatriz disse que n\u00e3o tem como. Muitas vezes, segundo ela, o caranguejo est\u00e1 limpinho e ai quando voc\u00ea abre est\u00e1 cheio de \u00f3leo. E mais, aponta ela, sem informa\u00e7\u00f5es se \u00e9 contaminado ou n\u00e3o, as pessoas n\u00e3o arriscam e n\u00e3o comem.<\/p>\n<p>E a indigna\u00e7\u00e3o dos nordestinos aumentou quando o Ministro de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior, afirmou numa live no Facebook ao lado de Jair Bolsonaro (PSL), de que as pessoas poderiam sim continuar comendo os peixes porque eles s\u00e3o inteligentes e desviam das manchas de \u00f3leos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um crime humano dizer que as pessoas podem comer os peixes sem qualquer respaldo em pesquisas e ci\u00eancia. H\u00e1 muitos casos de pessoas passando mal e sabemos que este \u00f3leo \u00e9 muito prejudicial a sa\u00fade\u201d, disse Beatriz.<\/p>\n<p><strong>Falta de informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piora<\/strong><\/p>\n<p>A falta de informa\u00e7\u00e3o de todos os governos e a falta de apoio \u00e0s comunidades atingidas afetam o psicol\u00f3gico dos que vivem por l\u00e1, porque ningu\u00e9m sabe como ser\u00e1 o dia de amanh\u00e3.<\/p>\n<p>S\u00e3o pequenos produtores que vivem e trabalham no mesmo lugar e t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a terra, al\u00e9m de perder seus sustentos podem perder os locais onde vivem.<\/p>\n<p>\u201cE o receio \u00e9 que se comprovada que as praias est\u00e3o contaminadas como ser\u00e1 o futuro delas?, questiona Davi Martins, da Campanha Clima e Energia do Greenpeace.<\/p>\n<p>\u201cA incerteza gera transtorno\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>Ele ainda destaca que o povo precisa de informa\u00e7\u00f5es do governo federal com dados. Segundo Davi, as pessoas precisam saber se o \u00f3leo vai continuar aparecendo? Quanto mais est\u00e1 por vir? Por quanto tempo? A \u00e1gua est\u00e1 intoxicada? Em quais locais? Os animais est\u00e3o sendo intoxicados? Quais ser\u00e3o os pr\u00f3ximos passos?<\/p>\n<p>\u201cExistem pessoas sem comer h\u00e1 dias, vivendo de favor e como ser\u00e1 reparado tudo isso? Este crime ambiental est\u00e1 acontecendo faz mais de 60 dias e nenhum Estado se prop\u00f4s a tomar alguma medida de emerg\u00eancia e n\u00e3o existem propostas de fundos para aliviar os impactos negativos para estas comunidades\u201d, critica Davi.<\/p>\n<p><strong>Seguro-defeso<\/strong><\/p>\n<p>O Seguro-Defeso \u00e9 um benef\u00edcio previdenci\u00e1rio destinado aos pescadores profissionais que ficam impossibilitados de desenvolver suas atividades durante o per\u00edodo de reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, quando a pesca \u00e9 proibida.<\/p>\n<p>Um direito que agora no Nordeste seria fundamental e humano. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que acontece. Segundo Davi, que est\u00e1 em Pernambuco para acompanhar o que est\u00e1 acontecendo, 400 pessoas est\u00e3o sendo contempladas com o benef\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 quem pesca lagosta conseguiu ter este direito e eu n\u00e3o entendi os motivos desta peculariedade. Segundo o IBGE, a comunidade pesqueira s\u00f3 em Pernambuco tem 30 mil pessoas isso sem contar as que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o considera\u201d, contou Davi Martins, da Campanha Clima e Energia do Greenpeace.<\/p>\n<p class=\"dd-m-text dd-m-text--smallest dd-m-alignment--center dd-m-color-assertive\">www.cut.org.br \/\u00c9rica Arag\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cExiste medo, tens\u00e3o, tristeza, revolta nas pessoas. Estamos falando de um crime que vai precarizar ainda mais a vida de milhares de pessoas\u201d, afirmou professor da universidade da Bahia H\u00e1 mais de dois meses manchas de \u00f3leo cru est\u00e3o aparecendo no litoral do Nordeste. 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