{"id":9953,"date":"2019-11-08T11:30:26","date_gmt":"2019-11-08T14:30:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=9953"},"modified":"2019-11-08T11:31:22","modified_gmt":"2019-11-08T14:31:22","slug":"mais-brasil-menos-povo-pacote-de-bolsonaro-nao-ajuda-trabalhadores-nem-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2019\/11\/08\/mais-brasil-menos-povo-pacote-de-bolsonaro-nao-ajuda-trabalhadores-nem-pobres\/","title":{"rendered":"Mais Brasil, menos povo: Pacote de Bolsonaro n\u00e3o ajuda trabalhadores nem pobres"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pacote para ricos &#8211; O pacote de Bolsonaro pode impactar fortemente no aumento da pobreza de milh\u00f5es de pessoas, diz Marilane Teixeira, economista da Unicamp. Plano n\u00e3o tem nenhum item que melhore ou crie programas sociais, afirma<\/strong><\/p>\n<p>Como era de se esperar de um governo que adota uma cartilha econ\u00f4mica que privilegia os mais ricos, o pacote econ\u00f4mico de Jair Bolsonaro (PSL) e seu ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, que deveria se chamar \u201cMais Brasil, menos povo\u201d, tem quatro medidas que prejudicar\u00e3o extremamente a popula\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>1 &#8211;<\/strong> o n\u00e3o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo acima da infla\u00e7\u00e3o por dois anos,<\/p>\n<p><strong>2 \u2013<\/strong> a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o do Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC) para abaixo do valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 998,00),<\/p>\n<p><strong>3 &#8211;<\/strong> a desvincula\u00e7\u00e3o dos gastos obrigat\u00f3rios da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o, e;<\/p>\n<p><strong>4 &#8211;<\/strong> o corte de at\u00e9 25% de sal\u00e1rios e jornadas dos\u00a0servidores p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Guedes diz que as propostas de emenda constitucional (PECs) &#8211;\u00a0a\u00a0PEC do Pacto Federativo, PEC Emergencial e PEC dos Fundos P\u00fablicos\u00a0\u2013\u00a0que ele e Bolsonaro entregaram ao Congresso Nacional esta semana, t\u00eam como intuito permitir uma ampla reestrutura\u00e7\u00e3o nas contas da Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios.<\/p>\n<p>O argumento \u00e9 rebatido pela doutora em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pelo Instituto de Economia da Unicamp, Marilane Teixeira. Para ela, o real objetivo do plano Mais Brasil \u00e9 pagar juros de d\u00edvidas p\u00fablicas aos bancos e, novamente, colocar a conta nas costas da classe trabalhadora e dos brasileiros mais pobres que mais precisam de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A proposta do governo, diz a professora, \u00e9 o oposto do que deveria ser feito para combater a crise econ\u00f4mica, gerar mais empregos e combater a\u00a0mis\u00e9ria que j\u00e1 atinge mais de 13,5 milh\u00f5es de brasileiros.\u00a0Em vez de reduzir, eles deveriam aumentar os investimentos para aquecer a demanda, e o pa\u00eds voltar a produzir e diminuir o\u00a0desemprego.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea prop\u00f5e redu\u00e7\u00e3o salarial haver\u00e1 menos dinheiro circulando e isto impacta na capacidade de consumo das fam\u00edlias. Sem entrar dinheiro na economia, o pa\u00eds n\u00e3o sair\u00e1 da crise\u201d, avalia Marilane se referindo \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de 25% dos sal\u00e1rios do funcionalismo, independente da faixa salarial.<\/p>\n<p>De acordo com ela, o governo est\u00e1 igualando quem recebe dois sal\u00e1rios m\u00ednimos (R$ 1.996,00) com quem ganha R$ 40 mil ou mais, como os ju\u00edzes, ministros de tribunais e procuradores de minist\u00e9rios p\u00fablicos em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO impacto na economia de uma fam\u00edlia de menor poder aquisitivo \u00e9 muito maior do que na que ganha mais\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Menos povo<\/strong><\/p>\n<p>O pacote do governo ignora a realidade do pa\u00eds, n\u00e3o contempla nenhuma a\u00e7\u00e3o social e ainda destr\u00f3i pol\u00edticas que contribu\u00edram para melhorar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras que ganham menos, como a Pol\u00edtica de Valoriza\u00e7\u00e3o do Sal\u00e1rio M\u00ednimo criada pelo ex-presidente Lula. Uma das medidas apresentada pela dupla Bolsonaro-Guedes \u00e9 o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo com base apenas no \u00edndice da infla\u00e7\u00e3o por dois anos.<\/p>\n<p>\u201cO povo est\u00e1 fora da pol\u00edtica econ\u00f4mica desse governo. Bolsonaro est\u00e1 apenas tentando colocar em Lei aquilo que j\u00e1 negou antes para a grande massa de assalariados, de aposentados e pensionistas da Previd\u00eancia, ao n\u00e3o reajustar h\u00e1 alguns meses o m\u00ednimo acima da infla\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Marilane, que tamb\u00e9m \u00e9 professora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Cesit-Unicamp)<\/p>\n<p>No pacote de maldades do governo tamb\u00e9m existe a possibilidade de pagar um valor menor do que o sal\u00e1rio a idosos pobres com mais de 65 anos e deficientes benefici\u00e1rios do BPC. Essa proposta \u00e9 condenada veementemente pela economista. Segundo ela, o governo vai jogar cinco milh\u00f5es de benefici\u00e1rios do BPC na total miserabilidade.<\/p>\n<p>\u201cMetade dos cinco milh\u00f5es de pessoas que recebem o BPC s\u00e3o idosos, com renda per capita de \u00bc \u00a0do sal\u00e1rio m\u00ednimo. A outra metade \u00e9 de pessoas que apresentam algum n\u00edvel de defici\u00eancia. Isto significa para os membros dessas fam\u00edlias que elas n\u00e3o poder\u00e3o cuidar de seus entes queridos, lembrando que muitos deixam seus empregos para cuidar dos pais e outros de seus filhos deficientes\u201d, diz a professora.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>O BPC \u00e9 a \u00fanica fonte de sobreviv\u00eancia dessas fam\u00edlias. A medida ter\u00e1 um impacto imenso no aumento da pobreza de milh\u00f5es de pessoas<\/p>\n<footer>&#8211; Marilane Teixeira<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Ao mesmo tempo em que reduz o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo, o valor de benef\u00edcios sociais e sal\u00e1rios dos servidores, o governo ataca direitos essenciais como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o ao propor a desvincula\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas dos gastos obrigat\u00f3rios.<\/p>\n<p>A economista explica que existem dois tipos de despesas do governo, as obrigat\u00f3rias e as discricion\u00e1rias. As obrigat\u00f3rias s\u00e3o as que t\u00eam de pagar como aposentadorias, pens\u00f5es, benef\u00edcios assist\u00eancias e sal\u00e1rios dos servidores, entre outras. J\u00e1 as discricion\u00e1rias s\u00e3o as que o governo tem liberdade de decidir onde vai gastar.<\/p>\n<p>Pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, gastos com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o despesas obrigat\u00f3rias e \u00e9 nisto que o governo quer mexer. No caso da sa\u00fade s\u00e3o 13,3 % da receita l\u00edquida e na educa\u00e7\u00e3o 18%.<\/p>\n<p>\u201cSe o governo arrecadar R$ 1 trilh\u00e3o, 13 % t\u00eam de ir para a sa\u00fade e 18% para a educa\u00e7\u00e3o. Se o plano for aprovado pelo Congresso, haver\u00e1 menos aparelhos p\u00fablicos, menos profissionais, equipamentos e rem\u00e9dios \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a professora da Unicamp.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Bolsonaro n\u00e3o combate, ele amplia a crise ao tirar da sociedade os meios m\u00ednimos de prote\u00e7\u00e3o social. Jogar o povo na mis\u00e9ria n\u00e3o acaba com o desemprego que \u00e9 o maior problema do Brasil<\/p>\n<footer>&#8211; Marilane Teixeira<\/footer>\n<\/blockquote>\n<footer>www.cut.org.br \/Rosely Rocha<\/footer>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pacote para ricos &#8211; O pacote de Bolsonaro pode impactar fortemente no aumento da pobreza de milh\u00f5es de pessoas, diz Marilane Teixeira, economista da Unicamp. 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