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/ domingo, abril 28, 2024
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Artigo – A epidemia de dengue e a ‘falta’ de médicos no Brasil

2006 Prof. Frank Hadley Collins, Dir., Cntr. for Global Health and Infectious Diseases, Univ. of Notre Dame This 2006 photograph depicted a female Aedes aegypti mosquito while she was in the process of acquiring a blood meal from her human host, who in this instance, was actually the biomedical photographer, James Gathany, here at the Centers for Disease Control. You’ll note the feeding apparatus consisting of a sharp, orange-colored “fascicle”, which while not feeding, is covered in a soft, pliant sheath called the "labellum”, which retracts as the sharp stylets contained within pierce the host's skin surface, as the insect obtains its blood meal. The orange color of the fascicle is due to the red color of the blood as it migrates up the thin, sharp translucent tube. The fascicle is composed of a pair of needle-sharp "stylets". The larger of the two stylets, known as the "labrum", when viewed in cross-section takes on the shape of an inverted "V", and acts as a gutter, which directs the ingested host blood towards the insect's mouth. As the primary vector responsible for the transmission of the Flavivirus Dengue (DF), and Dengue hemorrhagic fever (DHF), the day-biting Aedes aegypti mosquito prefers to feed on its human hosts. Ae. aegypti also plays a major role as a vector for another Flavivirus, "Yellow fever". Frequently found in its tropical environs, the white banded markings on the tarsal segments of its jointed legs, though distinguishing it as Ae. aegypti, are similar to some other mosquito species. Also note the lyre-shaped, silvery-white markings on its thoracic region as well, which is also a determining morphologic identifying characteristic.

This female’s abdomen had become distended due to the blood meal she was ingesting, imparting the red coloration to her translucent abdominal exoskeleton.

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Marcos Verlaine

O Brasil não é para amadores, diz o ditado popular. E não é mesmo. Neste instante, o País vive epidemia de dengue, em plena década de 20, do século 21. Segundo matéria da Agência Brasil, de sexta-feira (22), o “Ministério da Saúde contabiliza mais de 2 milhões de casos de dengue no Brasil em 2024.”1

“Do total de 2.010.896 casos prováveis, 682 resultaram em morte — número que pode aumentar, uma vez que há ainda 1.042 óbitos em investigação. De acordo com balanço divulgado pelo ministério, o coeficiente de incidência da doença está em 990,3 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.”

Em matéria publicada no Correio Braziliense, deste sábado (23), “Faltam médicos na rede pública de saúde”, no jornal impresso, e “Ibaneis Rocha [governador] reconhece que faltam médicos na rede pública de saúde”2, no on-line do veículo, mostra o caos da saúde pública da capital federal, onde a renda per capta é a mais alta do Brasil.

De acordo com a matéria, de janeiro até aqui “os casos cresceram 461%. De janeiro até agora morreram 152 pessoas e outras 162.665 foram infectadas, de acordo com dados do boletim epidemiológico publicado ontem [sexta-feira] pelo Ministério da Saúde.”

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Senado, a “situação é alarmante porque o pico da dengue ainda não chegou — normalmente é em abril — e a doença pode levar à morte. “Eles apontam que os cidadãos em geral também são responsáveis e que o poder público — embora isso nem sempre seja tão evidente — tem parcela grande de culpa pela atual epidemia.”3

Ibaneis Rocha não sabe como resolver
Na matéria do Correio, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB) diz que não sabe como resolver o problema, que afeta a saúde pública como um todo.

“O governador Ibaneis Rocha afirmou ontem [sexta-feira], que o DF vive uma crise em todos os hospitais públicos e privados por conta da epidemia de dengue. O governador admitiu a existência de um déficit grande de médicos que o governo local não está conseguindo suprir”, está escrito na matéria.

“Nós não encontramos esses profissionais para contratar. Para vocês terem uma ideia, de uns 60 médicos que nós convocamos no mês passado, somente 8 assumiram na rede pública. Então, é um problema muito sério. Nós precisamos encontrar uma maneira [de resolver]”.

A declaração foi durante a inauguração da nova sede do 8º Grupamento de Bombeiro Militar, em Ceilândia, cidade do DF.

País ‘sem médicos’ suficientes
Este é o problema. E o Estado brasileiro, tudo indica, não se interessa em resolver. Isto, porque, a falta de médicos, sobretudo no interior do Brasil, não afeta a elite econômica, os ricos. Aqui, quem é rico não tem problema com nenhuma das mazelas brasileiras: saúde precária e desassistida, educação pública abandonada, insegurança, violência urbana, desemprego, entre outros.

A declaração do governador do DF é a senha para a constatação de que o Estado não tem interesse em resolver esse e outros graves problemas sociais.

Até que o governo da ex-presidente Dilma tentou enfrentar e resolver ou amenizar o problema, ainda que de forma precária, com a criação do Programa Mais Médicos, criado em 8 de julho de 2013, cujo objetivo era suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil.

O programa levou 15 mil médicos para as áreas onde faltavam profissionais. Foi duramente criticado pela mídia e pelos médicos brasileiros, que compõem certa casta de profissionais no País.

Falta médicos no interior do Brasil
“O atendimento médico no Brasil vive atualmente infame contradição: embora se formem cada vez mais profissionais por ano, a saúde pública ainda carece de atendentes – principalmente em hospitais públicos do interior”4, chama atenção o portal Soul Medicina.

“Embora iniciativas como o Mais Médicos tenham melhorado a falta de médicos em municípios menores, mais da metade dos doutores ainda estão concentrados nas capitais brasileiras.

Nacionalmente, a média é de 2,18 médicos para cada mil habitantes, o que cumpre a recomendação da Organização Mundial de Saúde — 1 atendente por 1 mil habitantes. Contudo, essa razão difere muito entre capital e outros municípios do mesmo estado.

Qual a solução para ‘falta’ de médicos
O problema tem solução. Mas é preciso ter coragem para enfrentar essa questão, que é estrutural. Há exemplos no mundo. E, talvez, o do Reino Unido seja o mais interessante. Como o Estado britânico resolveu esse problema?

No Reino Unido, depois de formado, o médico deve prestar 2 anos de serviços no NHS (National Health Service)5 ou Serviço Nacional de Saúde6. Trata-se, do SUS britânico, referência mundial, que orgulha o povo do Reino Unido.

O NHS é formado por rede de clínicas e hospitais públicos. Nesses, os residentes são atendidos gratuitamente.

2 anos de serviços no NHS
No Reino Unido, o médico deve realizar 2 anos do Foundation Programme — programa estruturado de 2 anos de aprendizado no local de trabalho para médicos juniores que forma ponte entre a faculdade de medicina e o treinamento especializado — para iniciar o treinamento como especialista em qualquer área que tenha interesse.

Ao final do primeiro ano, o FY1, o médico recebe a full licence (licença completa).

Talvez seria como se após a graduação no Brasil, o CFM requeresse 2 anos no SUS de forma supervisionada, para demonstrar capacitação e prosseguir com qualquer treinamento. A diferença é que tanto estes 2 anos quanto os próximos anos, todos serão baseados no Reino Unido.

www.diap.org.br/Marcos Verlaine, jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap

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